Projeto "Serviços de Curadoria de Coleções Arqueológicas" - Eletronorte

Em dezembro de 2015 o IAB participou de um pregão eletrônico da Eletrobrás/ Eletronorte cujo objeto foi a execução de Serviços de Curadoria de Coleções Arqueológicas que se encontram armazenadas no antigo Centro de Proteção Ambiental - CPA da UHE-Samuel no município de Candeias do Jamari – RO e na sede da Eletronorte em Brasília.

Com cerca de 500 mil artefatos as coleções serão reavaliadas e novamente tratadas após 39 anos de início da sua coleta de campo pelo arqueólogo Eurico Miller que, juntamente com José Proença Brochado, foi um dos representantes do Rio Grande do Sul entre os nove estados que formaram a equipe organizada pelos arqueólogos norte-americanos Betty Meggers e Cliford Evans para o Programa Nacional de Pesquisas Arqueológicas (Pronapa).

 

No início de fevereiro de 2016 o Professor Ondemar Dias e seus assessores Jandira Neto, arqueóloga e Diego Lacerda, assistente de marketing estiveram na sede da Eletronorte em Brasília-DF para reunião com o Sr. Eurico Miller e demais gerenciadores do projeto para verificação de parte do material e acesso aos documentos pertinentes ao mesmo. Entre outras demandas ficou acertada a vinda do Sr. Miller à sede do IAB para vistoria do laboratório onde serão processados os artefatos.

No dia 16 de fevereiro então os recebemos ele, o Sr. Miller, e a gerente do projeto a Srª Ianaê Cassaro que, ao final da visita, se disseram surpreendidos e bastante satisfeitos com o laboratório, a estrutura e a organização da nossa instituição: “superaram em muito a nossa expectativa”.

Próximo passo, o translado do material de Rondônia para o IAB.

No dia 23 de fevereiro o Professor Ondemar Dias, duas diretoras do Instituto - Jandira Neto e Cida Gomes - e mais quatro assessores viajaram para o município de Candeias do Jamari em Rondônia sendo recebidos pelo Dr. Eurico Miller e demais responsáveis pela guarda dos artefatos, coletados nos sítios pesquisados na área da represa. 

No decorrer dos trabalhos o grupo foi respaldado com um excelente suporte da equipe do Dr. Miller percebendo, logo ao chegar, já ter sido providenciada toda a logística para o bom desempenho das operações que consistiam em contar, embalar, identificar, documentar e acondicionar, para posterior envio à sede do IAB no Rio de Janeiro. Aproveitamos o ensejo para agradecer a todos que, solicitamente, apoiaram toda a equipe.

Apesar do precário estado de acondicionamento em que se encontravam os artefatos por falta de verba para sua adequada curadoria e guarda até então, a equipe pode apreciar uma exposição que havia sido organizada no antigo CPA - Centro de Proteção Ambiental da UHE-Samuel, com belíssimas peças encontradas durante as pesquisas arqueológicas e variado artesanato doado ao Professor Muller para a mesma.

Após onze dias consecutivos de intensas atividades com muita determinação e ao final com todo o material a caminho da instituição, a equipe retornou para aguardar sua chegada.

E assim, após uma longa viagem finalmente o material, preciosos caquinhos, testemunhas da passagem dos nossos ancestrais pela região norte do Brasil, chegou ao IAB.

 https://www.facebook.com/instituto.dearqueologiabrasileira/videos/618354291651749/

Assim começam os trabalhos de curadoria propriamente ditos, com a equipe trabalhando vigorosamente.

Separando, lavando, pesando, trocando as embalagens, identificando e acondicionando o material para, tão logo esteja todo reorganizado, retorne para Rondônia.

Paralelamente toda a documentação escrita e fotográfica dos trabalhos de campo desde o final dos anos de 1970 até os anos de 1990 está sendo escaneada e devidamente arquivada em formatos atuais.

Nos dias 13, 14 e 15 de junho de 2016 todo o trabalho de curadoria do Projeto foi acompanhado pelo Professor Miller e a Srª Ianaê Cassaro que, muito além da natural “vistoria” a que têm direito, dispuseram-se a dirimir as dúvidas que surgiram à medida que o trabalho foi sendo realizado até então.

A alegria do Professor Miller, sempre lúcido e bem humorado, volta e meia a fazer pilhérias, contagiava a todos que seguiam executando as tarefas dentro do ritmo que o trabalho exige nos parecendo, o fato de estar novamente em contato direto com o acervo, reportá-lo à alegria da pesquisa de campo. Dos momentos do encontro com tais preciosidades. Belíssimos artefatos, cuidadosamente manufaturados pela população que habitou, há milhares de anos, os recônditos das nossas florestas tropicais com sua tecnologia e cuidados na expressão artística.