Programa Integrado de Monitoramento Arqueológico – JB695

Este projeto é complementar ao Programa Integrado de Arqueologia JB-695 que foi planejado e executado pelo IAB nos anos de 2012 e 2013 em terreno da Rua Jardim Botânico, n° 695, na Lagoa, bairro localizado na Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro.

Após Registro, Levantamento e Prospecção Interventiva, o sítio arqueológico JB-695 foi escavado e resgatado pelas equipes do Instituto de Arqueologia Brasileira - IAB.

Por decisão do empreendedor em 2013 as obras foram paralisadas e o projeto de arqueologia descontinuado.

Em 2016 um novo empreendedor adquiriu o terreno e as obras serão retomadas. Para tanto o Iphan exigiu que o monitoramento arqueológico fosse retomado durante as obras de limpeza e implantação das estruturas da edificação.

Para recordar: Trata-se de um sítio histórico que se localiza em uma área densamente povoada, e que em decorrência deste fato sofreu forte ação antrópica. Apresentou estruturas de antigas construções e grande quantidade de material cultural, tais como louças, metais e inclusive peças de stoneware e vidros inteiros. Os artefatos resgatados sugerem a existência de um possível uso da área como espaço de comércio na parte da frente e uma residência nos fundos. Os diferentes materiais construtivos e superposições de estruturas remetem à possibilidade de terem existido três construções distintas desmembradas em terrenos já diferenciados em finais do século XIX e início do século XX. As mais recentes utilizando como alicerce as estruturas de pedra das mais antigas, em alguns casos descaracterizando-as.

As atividades serão retomadas a partir de setembro de 2016.

As atividades concernem à primeira etapa do acompanhamento arqueológico, que são a remoção de fundações de estruturas complexas de cunho histórico ou mesmo àquelas de armação em concreto como vigas, fundações (sapatas) e outras que foram postas a descoberto pelas escavações em 2013. Mesmo tendo sido detectadas evidências da sua existência durante a Primeira Fase de Prospecções nada permitia avaliar o tamanho, a profundidade e a, já citada, complexidade dos alicerces evidenciados e agora conhecidos.

Ainda que a história da ocupação humana da área do entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas pudesse indicar a possibilidade de tais ocorrências, a localização do terreno no lado esquerdo da Rua Jardim Botânico somente permitira supor existir uma área de depósito, aterro de terreno friável ou lixeira, mas as pesquisas demonstraram que, mesmo tardiamente em relação a outras áreas da Lagoa, ela foi densamente ocupada a partir do século XIX.                         

Também a superposição de estruturas, que nos dois extremos do terreno revelou a existência de pelo menos três momentos ocupacionais, assim como a robustez da maioria das mesmas refletindo a solidez do sistema construtivo adotado, sem dúvida surpreendeu. Ficou claro que embora não se tratassem de grandes prédios senhoriais, marcando locais de antigas fazendas ou chácaras, a disposição no terreno, ocupando espaços separados e bem marcados, sem dúvida indicam terem sido obras executadas para durar e obedecendo aos parâmetros das residências ou prédios comerciais para uso de uma população até certo ponto refinada. Tais sugestões se confirmaram pela análise do material arqueológico na fase de resgate arqueológico no ano de 2012/2013.