Patrimônio Material e Imaterial de Sumidouro

Sumidouro

Segundo informações coletadas junto ao Pró-Memória do Município a ocupação das terras do então Sumidouro estaria relacionada à instalação de um Posto Militar no local em 1786, ao redor do qual veio a se formar o núcleo do povoado. O objetivo dos militares à época seria controlar a rota clandestina do ouro e pedras preciosas de Minas Gerais para o Rio de Janeiro, utilizada por muitos para escapar aos tributos de Portugal.

Com o passar do tempo, a decadência da exploração do ouro nas Minas Gerais foi dando lugar ao cultivo do café como opção econômica. O povoamento da região passou a depender do crescimento econômico relacionado à expansão cafeeira elevando o arraial à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Paquequer, em 1843.

Nesse período a produção de café alcançou seu auge na região e muitas fazendas surgiram e prosperaram sustentadas pela mão de obra escrava. Sobreveio uma grande expansão econômica ligada à região de Cantagalo, polo da produção cafeeira em conjunto com o Vale do Paraíba.

No entanto, com a abolição da escravatura em 1888, a produção de café do Vale do Paraíba, baseada na mão-de-obra escrava, começou a decair vindo a crescer na região noroeste do Estado de São Paulo, sustentada por mão-de-obra imigrante da Europa.

A chegada da Estrada de Ferro, entretanto, deu fôlego à economia local.  O estabelecimento de um ramal da Estrada de Ferro Leopoldina, partindo de Porto Novo do Cunha em direção à Nova Friburgo passa por Sumidouro até encontrar-se com o ramal de Cantagalo na Estação de Conselheiro Paulino. Este proporciona a importação de melhores condições para os produtores agrícolas, em especial os de café que, nestas circunstâncias, promoveram um ano depois, em 10 de junho de 1890, a emancipação do Município.

Com a crise da Bolsa de Valores de Nova York, em 1929, os EUA reduziram a compra do café brasileiro e a economia local, que era baseada na produção cafeeira, entrou em colapso.

A partir daí Sumidouro apresentou um baixo crescimento demográfico, principalmente considerando a notável transformação transcorrida entre 1950 e 1980 em nosso país, inclusive no Estado do Rio de Janeiro e na própria região serrana da qual faz parte. Uma possível explicação para o fenômeno demográfico pode ter sido a migração vinculada à estrutura fundiária e a transmissão da herança das pequenas propriedades rurais. Trata-se do resultado de um longo processo que remonta à crise da grande propriedade organizada em torno da cafeicultura. O colonato inicialmente e, depois, até os nossos dias, a parceria, aparecem como formas de transição deste processo.

Desde então, Sumidouro mantém uma população relativamente pequena, predominantemente rural, prevalecendo o cultivo de hortaliças, leguminosas e produtos granjeiros, em meio a resquícios da Mata Atlântica.

Celebrações      

Celebrações religiosas

  •   Festa de Nossa Senhora da Conceição do Paquequer - Celebrada durante todo o mês de maio a Santa que deu o primeiro nome a esta região recebe homenagens através de missas na igreja e campais, procissão e quermesses. Também a festa social é bastante prestigiada pela comunidade. Esta celebração acontece a mais de cem anos sempre organizada pelos párocos e membros católicos da comunidade. A procissão se dá pelas ruas da cidade sendo seguida por vários fiéis em cânticos religiosos durante todo o caminho. A igreja é uma construção histórica que institui um marco da época de opulência econômica do município. Situada no Largo Monsenhor Ivo Sante Donin constitui admirável monumento histórico da pujante sociedade cafeeira do Vale do Paraíba na região, datada de 1843. O edifício se apresenta em bom estado de conservação e seu interior se destaca pelo teto em madeira ilustrado com pintura sacra realçada por dois lustres de cristal. Um arco de pedra separa o altar da nave central e também apresenta dois altares laterais. Seu piso central é todo de mármore formando um conjunto de losangos azuis e brancos e o piso lateral em pedra entalhada emoldura o conjunto. O altar mor possui oito colunas em estilo neoclássico e a mesa de amparo é composta por mármore esculpido, ladeada por duas grandes portas de madeira. É indiscutivelmente o ponto de encontro da comunidade católica que se reúne em festejos e celebrações ao longo do ano, na praça principal do município onde se localiza.

 

  •  Folias de Reis - É no mês de janeiro que acontece o encontro de folias de reis em Sumidouro. A festa congrega treze folias da região e acontece há trinta e cinco anos reunindo fiéis e amantes da cultura brasileira. Seus batuques e toadas movimentam o coração da cidade mantendo uma tradição que vem sendo preservada ao longo dos anos nos antigos versos puxados pelos seus capitães. Diferentemente das folias da região de Minas Gerais as de Sumidouro apresentam a figura do palhaço em seu cortejo. À frente do presépio montado na praça central do município cada folia apresenta passos coreografados e toadas em homenagem ao menino Jesus sob a liderança do capitão. Nesta região o destaque da folia sempre fica por conta do palhaço que após versos inspirados e piruetas passa com seu pandeiro recolhendo donativos para uma causa filantrópica. Neste encontro acontece também o duelo dos palhaços onde cada um tenta ser mais ousado que o outro. Este encontro reaviva a presença da cultura popular na região agradando a moradores e turistas.

 

  • Paixão de Cristo - A paixão e morte de Cristo são encenadas pelas ruas da cidade de Sumidouro, mais precisamente no entorno da praça principal, há muitos anos. Centenas de fiéis acompanham atentos todos os atos e sempre se emocionam. Esta manifestação cultural religiosa já acontece há várias gerações e vem sendo foi passada de pais a filhos que a celebram juntamente com jovens e crianças que certamente a levarão adiante em forma de cultura imaterial.

 

  •    Corpus Christi - A Celebração católica de Corpus Christi no município de Sumidouro é comemorada da forma tradicional tal qual como acontece em várias cidades mineiras. O padre da comunidade, acompanhado por vários fiéis, inicia já pela manhã a confecção dos tapetes de Corpus Christi. Nestes são utilizados diversos materiais tais como sal grosso colorido, flores, folhas, serragem, café, pedras pequenas e até mesmo retalhos de tecidos. Durante toda a manhã fiéis de todas as idades se unem na tarefa de montar seus tapetes. Estes são inspirados em desenhos de temas eucarísticos representando as famílias, a cidade e as comunidades do interior do município. Estas últimas também chegam cedo trazendo os materiais para a confecção de seus tapetes em carros, bicicletas e até carroças. Ao meio dia os tapetes já estão quase todos prontos faltando apenas poucos detalhes para à esperada hora da procissão. À tarde os tapetes prontos ficam expostos para a visitação emocionada de todos, e às 17h15min após a missa ao corpo de cristo o povo em procissão chega para seguir pelo belo tapete feito por mãos tão preciosas e dedicadas. Os fiéis acompanham pelas laterais, enquanto os sacerdotes e membros da igreja caminham pelo centro sobre os tapetes. Algumas famílias colocam imagens e toalhas brancas nas janelas das casas por onde a procissão passa, e em cada um desses locais o padre para e abençoa a família e suas imagens. Após passagem pelo tapete a procissão retorna a igreja para continuação da missa e bênçãos finais. Ao final da missa o padre agradece aos participantes e convida-os para que no próximo ano renovem sua missão de fé com a continuação dessa tradição religiosa.
 

 

Formas de Expressão

Não foi identificado material significativo para a pesquisa nesta área do conhecimento nesta localidade.

Saberes e Fazeres (ofícios)

Neste item não foi identificado material considerado relevante para a pesquisa.

Lugares

Embora não atendam especificamente aos critérios estabelecidos pelo Iphan como locais a serem encaixados nos livros de Lugares, existem alguns lugares de destaque no município de Sumidouro que são apreciados por muitos moradores, cada um com sua importância, e que foram citados em vários momentos desde que a equipe chegou à cidade, por várias pessoas. Mesmo se tratando de patrimônios materiais ou naturais a importância desses “lugares” deve ser levada em consideração por estarem relacionados à história local. Entre eles destacamos:

  • Túneis da Antiga Linha Férrea - O atrativo constitui um conjunto de três túneis, segmento pitoresco da antiga Estrada de Ferro Leopoldina com trechos de mata nativa, mirante natural e admirável vista. Uma paisagem que se estende desde vales verdejantes, até o distante horizonte recortado por graciosas montanhas. Construídos por engenheiros ingleses no final do século XIX, os túneis guardam valor histórico e cultural, esculpidos que foram por mãos escravas no final do Segundo Império brasileiro. Trabalho realizado em grandes blocos de pedra, retirados da própria rocha, que, dispostos geométrica e artisticamente, ornamentam os arcos nas entradas e saídas dos túneis. A construção deste vultoso projeto atesta a importância histórica de Sumidouro como polo cafeeiro regional. Tanto que em 1889 a Vila recebe um ramal da Estrada de Ferro Leopoldina, cuja construção a administração de D. Pedro II, sob regência de sua filha a Princesa Isabel, não mediu esforços. Haja vista a sofisticada tecnologia dos engenheiros ingleses da The Leopoldina Railway Company Ltd. na construção da Ponte Seca e destes três  túneis de 257m de extensão escavados em rocha bruta, tudo visando dar conta do escoamento da crescente produção de café.

 

  •   Pedra Duas Irmãs - Admirável formação rochosa com aproximadamente 30 metros de altura. Chama à atenção a excentricidade de sua composição. Dois volumosos blocos de rocha acomodados de forma pitoresca, sob os quais um grande vão em forma de túnel convida ao acesso à cidade pela Rua José Muniz de Andrade. O local apresenta um paredão rochoso com uma caverna e várias grutas. Um surpreendente portal natural resulta da composição do atrativo, um cartão postal na chegada a Sumidouro.
  •   Cascata do conde D’Eu - Maior cascata em queda-livre do estado do Rio de Janeiro com mais de 127 metros de altura, é acidente geográfico do Rio Paquequer que nasce no município de Sumidouro e deságua no Rio Paraíba do Sul. O nome foi uma homenagem ao Conde d'Eu, marido da Princesa Isabel, provavelmente como forma das autoridades locais lisonjearem a Corte Imperial no Segundo Reinado. Ao longo dos séculos a precipitação d'água em grande elevação e volume escavou uma ampla garganta na rocha, formando, em sua base, um poço com cerca de 30 metros de diâmetro. O impacto das águas sobre o referido poço molda uma nuvem de água ascendente, semelhante a um véu, que alcança expressiva altura e umedece a vegetação do vale. A uma centena de metros abaixo, grandes rochas arredondadas pela erosão formam pequenas cachoeiras, cercadas de vegetação típica e poços rasos em leito de areia onde as águas correm serenas. A frequente formação de arco-íris completa a impressionante beleza local. A paisagem circundante é constituída por formações geológicas íngremes, onde se encontra, ainda preservada, uma pequena amostra de vegetação primária da Mata Atlântica. Conta a tradição que cenários do município teriam inspirado o escritor José de Alencar em relevante segmento de seu clássico romance “O Guarani”, provavelmente descritos por relatos de viajantes extasiados com a beleza do lugar. A narrativa romântica possui pontos de coincidência, como a que descreve o Rio Paquequer que deságua no Paraíba, e a íngreme e abrupta queda d’água, suposta referência a Cascata Conde d’Eu
  •  Ponte Seca - Situa-se na entrada da Fazenda Santa Mônica. O nome certamente está relacionado ao fato da ponte não ter sido construída para transpor rios e sim para manutenção do nível do trajeto da via férrea. A estrutura possui nove grandes pilares projetados por engenheiros ingleses da The Leopoldina Railway Company Ltd. e erguidos por mão de obra escrava através de superposição de blocos de pedras em curva elipsoidal. Cada pilar mede cerca de quatro metros de largura e seis de comprimento, tendo, o pilar mais alto, 12m de altura. Os pilares se encontram em bom estado de conservação, porém os trilhos foram suprimidos. Sua construção data da segunda metade do século XIX. Inaugurada em 1888, no Governo de D. Pedro II e por regência de sua filha Princesa Isabel, integrava a antiga Estrada de Ferro Leopoldina, ramal Nova Friburgo-Além Paraíba, inaugurado em 1889. Sua construção, ocorrida na mesma época dos túneis, atesta a importância histórica de Sumidouro no polo cafeeiro regional.

 

  •  O Casarão - Segundo documento cartorial, a edificação tradicionalmente conhecida como “Casarão” seria o prédio mais antigo de Sumidouro construído por volta de 1827 com todos os elementos de uma fazenda de café, ou seja, senzalas, tulhas, cemitério, engenho, etc. Em estilo colonial, sua estrutura original é constituída de madeira nobre com paredes de pau-a-pique. A partir de 1940, foi sede do Ginásio São José, que embora já extinta fosse instituição baluarte das iniciativas educacionais e culturais do município e adjacências. Quando da reforma para adaptação como estabelecimento de ensino, conservou-se, a maior parte de sua estrutura original. Atualmente o prédio abriga a Casa de Cultura da municipalidade com grande relevância de uso para a população de Sumidouro.