Patrimônio Material e Imaterial de Trajano de Moraes

Trajano de Moraes

A antiga cidade de São Francisco de Paula, que se transformou depois no município de Trajano de Morais, começou a ser povoada em 1801 por fazendeiros que se ocupavam de agricultura e da criação de gado de corte e leiteiro. Naquela época as povoações sempre começavam em torno de pequenas capelas ou igrejas. Este pequeno povoado se ergueu em torno de uma casa de oração, cujo padroeiro era São Francisco de Paula e que pertencia ao Curato de Santa Maria Madalena (o curato era um povoado pastoreado por um Cura ou Vigário).

Em 1846 o município foi elevado à categoria de Freguesia, em decorrência do desenvolvimento alcançado pela região através da cultura cafeeira, sob a denominação de São Francisco de Paula, então pertencente à comuna de Cantagalo. Este feito foi alcançado graças à influência de José Antônio de Morais, rico proprietário nascido no Vale do Imbé e proprietário da Fazenda Aurora. À época, terras de outro rico fazendeiro foram cedidas para a implantação da área urbana da cidade e construída a Matriz de São Francisco de Paula - com recurso de dois outros irmãos fazendeiros:  José Antônio e Elias de Morais. Em virtude da criação da comuna de Santa Maria Madalena, no ano de 1861, a Freguesia foi incorporada ao território desse novo município fluminense.

Com a abolição da escravatura e o esgotamento dos solos toda a economia da região foi abalada.  No intuito de atenuar a crise econômica o governo decretou a criação do município de São Francisco de Paula em 1891, tendo a Freguesia de mesmo nome sido elevada à categoria de vila e sede do novo município.

Este ato se deu com a presença de autoridades e nobreza da região, logo após a chegada da linha de trem à estação de Aurora (hoje Visconde de Imbé). Com a chegada do trem a  localidade desenvolveu-se com tal rapidez que o governo transferiu para aí a sede municipal, em 1915.  O progresso foi então acelerado e, finalmente, em 1938, o município teve seu nome alterado de São Francisco de Paula para Trajano de Morais. A cidade ganhou prédios importantes, mansões, uma praça, hotel de luxo e outros símbolos de riqueza e dinamismo, inclusive dois jornais de circulação semanal.

Trajano é hoje uma típica cidade do interior, com sua praça principal - Nilo Peçanha - ponto de encontro de seus moradores e visitantes. Suas fazendas históricas do período imperial possuem, na sua maioria, arquitetura bem conservada e objetos de época que valem uma visita.

Celebrações

Junto à Professora e Secretária de Educação e Cultura, Rosseline Almeida de Carvalho foram coletadas informações sobre o patrimônio imaterial do Município sendo identificados os seguintes itens:

Ladainhas Cantadas - acontecem no município em alguns distritos que não soube precisar. Posteriormente a equipe voltou ao município, mas não conseguiu novo contato. O curto período da pesquisa não permitiu outro retorno.

Celebração Católica do Sagrado Coração de Jesus (padroeiro da cidade) - acontece no mês de junho com missa e procissão pelas ruas do centro.

 

Manifestações folclóricas denominadas Caxambu e Jongo - acontecem na comunidade São Lourenço, mas não há registro dessas na Secretaria. Não obtivemos maiores informações.

Formas de Expressão

Banda Musical - com 25 anos de existência, mas não foi possível encontrar os responsáveis.

Mineiro Pau – esta manifestação foi resgatada por moradores da comunidade e acontece na comunidade de Maria Mendonça, registrada pela pesquisa em apresentação da escola local; consta do material didático de devolução social.

 

Saberes e Fazeres (ofícios)

A Culinária

Queijo Caseiro - Em passagem pela comunidade de Dr. Elias, encontramos a Sra. Dulce Perdigão fazendo queijo por processo artesanal e registramos em fotos e vídeo para posterior edição de documentário. Contou a nossa equipe que aprendeu a fazer o queijo ainda jovem com vizinhos e atualmente fabrica em pequena escala para venda nas vizinhanças. Há pouco tempo atrás uma nutricionista teria lhe dado uma receita que a ajudaria a aumentar a produção, mas não a seguiu porque acha que com a sua receita o queijo fica melhor. Para sua receita ela retira o leite das vacas pela manhã e com este ainda morno do peito da vaca ela coloca o “qualho” e tampa para acelerar o processo de fermentação. Após algum tempo verifica a massa que se forma e a espreme em um saco poroso. Após a retirada do soro, a massa é colocada em formas furadas para facilitar a saída do soro restante. A massa é prensada até sair o máximo do soro e posteriormente é colocado sal sobre a massa que penetra dando o sabor ao queijo.  O soro é utilizado como parte da alimentação dos porcos. Após um dia o queijo, mesmo ainda fresco esta pronto para o consumo. Segundo dona Dulce, quanto mais tempo passa o queijo fica mais curado e será saboreado de acordo com o gosto do consumidor.

 

Fábrica de “Mariola” (doce de banana) - Há notícias de que na comunidade de Tapera no Distrito de Sodrelândia existe uma fábrica cuja pesquisa não pode ser aprofundada devido aos prazos e cronogramas do projeto.

Festa do Caqui - Na localidade de Gravatá acontece anualmente a Festa do Caqui, no ápice da colheita do fruto pelos produtores locais.

O Artesanato

v  Crochê

v  Em fibra de bananeira

v  Em bambu

v  Em madeira

v  Em arame na comunidade de Dr. Elias (Monte Café)

Lugares

  • Fazenda São Francisco - Na pesquisa foi citada como a localidade a partir da qual o município se originou, passando a ser de grande importância para os moradores.