Paraty Mirim - Prospecção Não Interventiva

 O Levantamento arqueológico

 

As atividades do Projeto de Prospecção Não Interventiva no terreno situado na localidade de Paraty mirim, 2º Distrito do Município de Paraty, no Estado do Rio de Janeiro visaram atender à solicitação feita ao Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) pela paisagista Ana Karina Gomes da Secretaria de Estado do Ambiente – SEA, ligada a Superintendência de Biodiversidade – SUPBIO do Instituto Estadual do Ambiente – INEA.

área pesquisada área pesquisada

Assim foram executados os serviços preliminares de arqueologia exigidos pelo IPHAN, no que concerne à obtenção de Licença Prévia que objetiva permitir a liberação de áreas apropriadas para construção, no caso, da Sede da Reserva Biológica da Juatinga naquele município, pelo órgão de tutela supracitado.

Deste modo, em 30 de maio de 2011 a equipe do IAB, acompanhada dos representantes do Iphan e do Inea, dirigiu-se à área da Reserva.

Durante a prospecção foram identificados vestígios de antigas construções compostos por fragmentos de telhas e lajotas cerâmicas que remontam a uma construção de pequeno a médio porte, possivelmente uma área de apoio ou serviço e verificada a presença de estruturas (pilares) de pedra que fazem parte do sítio Ruínas de Paraty Mirim e que possuem as mesmas características das estruturas, próximas à praia local.

Complexo Arqueológico Ruínas de Paraty-Mirim

 

Com o auxílio de um morador (Sr. Jesus Pinto) a equipe foi conduzida ao que seria uma antiga barragem verificando-se tratar-se de uma estrutura em pedra justaposta com cerca de doze metros de comprimento em semiarco, seguida por uma canaleta que avança em direção à área onde a equipe encontrou os fragmentos cerâmicos.

A prospecção não interventiva continuou por toda a área, que ora apresentava vegetação característica de manguezal, ora totalmente antropizada por plantação de coqueiros. A verificação da paisagem remete à interpretação de que possivelmente seria uma área de apicum (próxima ao manguezal, porém sem alagamento) ou um banco de areia (restinga) formado pela dinâmica das marés, ambientes que em alguns locais da costa Fluminense foram utilizados por populações pré-históricas para assentamento.

Foram localizadas, com certa frequência, na superfície, conchas de um molusco conhecido pela população local como “Preguari” (Strombus pugilis) que servia de alimento a algumas populações pré-históricas e que nos dias atuais ainda é consumido pela população caiçara desta região. Porém a equipe não identificou, em superfície, vestígios que possam ser considerados arqueológicos.

Em vistoria a um local que a comunidade denominava “cemitério” também não foram identificados vestígios arqueológicos, apesar da ocorrência de carvão inserido na estratigrafia de um monturo (leira?) e da quantidade de seixos depositados nas margens do rio. 

manguezal molusco “Preguari” (Strombus pugilis) área do "cemitério"

Tendo sido pesquisada toda a extensão solicitada, pode-se concluir que se trata de uma área com bom potencial arqueológico por possuir características apropriadas para a ocupação de populações humanas pré-históricas. Foi, além disso, evidentemente ocupada por populações no período colonial que, segundo a documentação histórica, remonta às primeiras décadas da colonização europeia.

Mesmo sem ocorrência de materiais arqueológicos em superfície nesta etapa da pesquisa, recomendamos, à época, (2011) executar o monitoramento arqueológico na ocasião de abertura de solo para construção da fundação do empreendimento, bem como que seja preservada a estrutura de pedra (represa para captação de água) localizada na parte superior da área, no interior da mata, por esta fazer parte do sitio arqueológico Ruínas de Paraty Mirim, protegido por lei, mesmo que não tenha sido incluída nas escavações ali já efetivadas no passado. 

P.S: Este Projeto teve continuação com pesquisas baseadas em prospecções interventivas em 2014.