Sobre o Dia Mundial da Água

Sobre o Dia Mundial da Água vimos reproduzir dois artigos que constam na Declaração Universal dos Direitos da Água. Respectivamente, o primeiro e o quinto.

“A água faz parte do patrimônio do planeta.

 Cada continente, cada povo, cada nação,

cada região, cada cidade, cada cidadão

 é plenamente responsável aos olhos de todos”.

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A água não é somente uma herança dos nossos predecessores;

ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores.

 Sua proteção constitui uma necessidade vital,

assim como uma obrigação moral do homem

 para com as gerações presentes e futuras.”


Sediados que somos na Baixada Fluminense um artigo do nosso Diretor-Sociocultural, Professor Gênesis Torres, veio ilustrar a importância dos rios no período colonial da Região.

A Importância Histórica dos Rios da Baixada Fluminense

A expedição de reconhecimento do litoral comandada por Gonçalo Coelho chega à Baía da Guanabara em 1º de Janeiro de 1502. Ao entrar na boca da Baía, imaginava estar o navegador diante de um grande rio e deu nome ao lugar de Rio de Janeiro. Dar nome aos lugares de acordo com o santo do dia ou de um acidente geográfico era uma prática da época. Outros gentílicos foram incorporados com nomes indígenas, de uma planta ou mesmo de um animal.

No período colonial (do séc. XVI ao XVIII) a região sempre dependeu, como meio de locomoção, de seus rios. Sair ou chegar à cidade do Rio de Janeiro, vindo ou indo para o interior, era muito difícil. As trilhas e os caminhos eram de terras alagadas e encharcadas. Era preciso contornar os morros, fugindo das águas paradas e dos rios, que, àquela época eram de grande volume.

As fazendas e pequenas propriedades localizaram-se inicialmente nas margens dos rios Iguassú, Mirity, Sarapuhi, Estrela, Macacu e o Guaxindiba. Nas terras dessas fazendas foram criados os portos de escoamento de seus produtos como a farinha, o feijão, o milho, o arroz, o açúcar, a aguardente, a lenha, os produtos das olarias, e o café, etc.

Muitos portos deram nomes das localidades como conhecemos hoje como: Engenho do Porto em Caxias, Porto da Pavuna em Meriti, Porto Iguassú (origem da Vila do mesmo nome), Porto Estrela (da extinta Vila da Estrela), Porto da Piedade (origem de Magé), Porto do Brejo (hoje Belford Roxo). Nestes portos havia um grande sistema de canoagem e seus proprietários tinham estes serviços feitos por terceiros que lucravam com o transporte dos produtos. Os portos não só eram saídas para o transporte de mercadorias, mas também de passageiros.

Muitos casos ficaram conhecidos como do marinheiro inglês Johan Charing que chegou ao Rio de Janeiro em 1725. Ganhou exclusividade para estabelecer um serviço de canoagem pelo Rio Iguassú até o sítio do Couto na localidade de Xerém. As canoas de Charing eram as preferidas do público por serem mais seguras, eficientes e ligeiras. O inglês viveu em Xerém, criou a sua família de dois casamentos, teve filhos e netos que nasceram na Freguesia do Pilar. O povo humilde formado por escravos, mestiços mamelucos e cafusos, gente com pouco domínio da língua, carinhosamente o chamava de Chérem, desta curruptela a localidade passa- se a chamar Xerém.

Outro importante porto da Baixada foi o do rio Estrela, em Magé. Um dos temas prediletos do pintor Thomas Ender, um Austríaco que chegou ao Brasil em 1817. Também o Alemão Jonhann Moritz Rugendas, que veio para o Brasil em 1821, registrou, em belíssima gravura de 1824, o Porto do Estrela. Na descrição ele se expressa: “a estrada que vai de Porto do Estrella e Minas passa diante de belas plantações, atrás das quais se percebem, ao longe, as pontas angulosas da Serra dos Órgãos”. "(...) Tropeiros com suas mulas chegam às dezenas e diante dessa situação não é de espantar que Porto do Estrella seja a um tempo muito animado e muito industrial. É um lugar de reunião para os homens de todas as províncias do interior; aí se encontra gente de todas as posições sociais e podem-se observar suas vestimentas originais e sua atividade barulhenta. Aí se organizam as caravanas que partem para o interior e somente aí o europeu depara com os verdadeiros costumes do Brasil”.

Porto do Estrella - Rugendas - 1824