Arqueologia e Biodiversidade Marinha do Sambaqui da Tarioba: um modelo de estudo paleoecológico do litoral fluminense

 

 

Instituto de Arqueologia Brasileira

Universidade Federal Fluminense

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Museu Nacional/Universidade Federal do Rio de Janeiro

Título:

Arqueologia e Biodiversidade Marinha do Sambaqui da Tarioba: um modelo de estudo paleoecológico do litoral fluminense.

Áreas do Conhecimento:

Arqueologia e Biologia Marinha.

Local de Desenvolvimento do Projeto:

Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras-RJ e Laboratório de Genética Marinha e Evolução - UFF.

Autorização do IPHAN:

Processo n.º 01500.001724/2012-44, publicado em Diário Oficial da União - Seção 1, Nº 146, segunda-feira, 30 de julho de 2012, pág. 20.

O projeto “Arqueologia e Biodiversidade Marinha do Sambaqui da Tarioba: um modelo de estudo paleoecológico do litoral fluminense” representa o esforço do Laboratório de Genética Marinha e Evolução – UFF (LGME – UFF) em dar continuidade ao trabalho com o uso de sambaquis como um referencial para o estudo da evolução da biodiversidade na costa brasileira. Invertebrados marinhos dos filos Mollusca (Bivalvia e Gastropoda), Artropoda (Crustacea) e Echinodermata (Echinoidea), bem como Vertebrados como os peixes (Osteichthyes e Chondrichthyes), estão bem representados nos sambaquis, sendo encontrada uma grande quantidade de conchas, seguida de carapaças e espinhos. Estes vestígios permitem a investigação sobre o paleoambiente, sendo as interpretações baseadas no conhecimento dos requerimentos ecológicos das espécies atuais. Neste projeto são propostas, além dos levantamentos faunísticos, análises isotópicas que permitam traçar padrões e verificar mecanismos fisiológicos e dieta dos organismos, traçar fluxos energéticos em cadeias alimentares e estabelecer vias de ciclagem de nutrientes no ecossistema. A área de estudo para este projeto é o sítio arqueológico Sambaqui da Tarioba, localizado no município de Rio das Ostras, RJ. Embora estudos arqueológicos já tenham sido realizados neste sambaqui, só os aspectos antropológicos foram amplamente explorados. Assim, os vestígios faunísticos carecem, ainda, de análises e interpretações paleoecológicas. Neste projeto é proposto estudar a composição faunística de todas as camadas estratigráficas deste sambaqui, bem como, a partir da análise de isótopos estáveis, investigar condições de temperatura, alimentação e circulação costeira do paleoambiente. O material malacológico e os otólitos de peixes recuperados serão triados em laboratório, as amostras serão identificadas ao menor nível taxonômico possível. Para a análise quantitativa, além da pesagem do material já selecionado, serão adotadas duas unidades básicas de estimativa de abundância, o NPI (número de peças identificadas) e o NMI (número mínimo de indivíduos). O NPI corresponde ao número de peças atribuídas a um determinado táxon e o NMI é o resultado da soma dos elementos anatômicos mais numerosos de cada táxon. O material analisado será catalogado e depositado na reserva técnica do Instituto de Arqueologia Brasileira. As análises incluirão: riqueza específica, frequência de ocorrência, distinção taxonômica média, variação da distinção taxonômica, testes de distinção taxonômica (TAXDTEST). Os dados serão analisados utilizando-se os softwares Microsoft Excel e PRIMER. Amostras de conchas serão coletadas em cada camada estratigráfica para fins de datação por C14 através do método de AMS (Accelerator Mass Spectrometry). A análise dos valores de d18O será realizada em conchas de moluscos, permitindo estimar uma média de temperatura do ambiente. Do mesmo modo que dados a respeito da alimentação e circulação costeira serão inferidos a partir da análise dos isótopos d13C e d15N. Os resultados obtidos nesta pesquisa contribuirão para ampliação da coleção de referência do LGME-UFF (moluscos marinhos e otólitos de sambaqui) e a criação de um banco de dados sobre a malacofauna e ictiofauna holocênica do Estado do Rio de Janeiro. Desta forma, os resultados do presente estudo podem contribuir para o entendimento da evolução dos padrões de biodiversidade ao longo de 4000 anos AP e as suas relações com as variações do nível do mar e possíveis mudanças de circulação marinha no litoral do Rio de Janeiro.

1. QUALIFICAÇÃO DO PRINCIPAL PROBLEMA A SER ABORDADO

O estudo de sítios arqueológicos do tipo sambaqui[1] ([1] Acumulação artificial construída por pescadores, coletores e caçadores entre 8 e 2 mil anos AP formada basicamente de restos faunísticos e florísticos, além de material lítico, sedimentos, vestígios da vida cotidiana e de rituais funerários (Gaspar, 2000; Lima, 2000; Prous, 1991)) pode contribuir tanto para a compreensão da evolução do homem através do tempo - desde os registros da ocupação humana nos continentes até as primeiras manifestações de urbanismo - quanto para o conhecimento da fauna e flora existentes à época em que se formaram (Froyd & Willis, 2008; Fürsich, 1995; Kipnis & Scheel-Ybert, 2005; Lindbladh et al., 2007; Scheel-Ybert et al., 2006; Tchernov, 1992).

Invertebrados marinhos dos filos Mollusca (Bivalvia e Gastropoda), Artropoda (Crustacea) e Echinodermata (Echinoidea), estão bem representados nos sambaquis, sendo encontrada uma grande quantidade de conchas, seguida de carapaças e espinhos. Dentre os vestígios ósseos, a grande maioria pertence aos peixes (Osteichthyes e Chondrichthyes). Esses vestígios ocorrem ao longo das camadas estratigráficas dos sítios, estando cada camada associada a um período de tempo distinto.

As investigações sobre o paleoambiente de um lugar devem começar com a simples observação sobre a proporção das espécies e seus requerimentos ecológicos. Assembleias bioarqueológicas, as quais foram coletadas continuamente por centenas ou milhares de anos, devem ter uma alta fidelidade às comunidades originais (Claassen, 1998). Deste modo, a presença/ausência e a abundância de indivíduos de cada espécie são dados frequentemente suficientes para estabelecer os parâmetros ambientais, sendo a interpretação baseada no conhecimento dos requerimentos ecológicos das espécies atuais. Assim, os vestígios bioarqueológicos têm demonstrado ser uma poderosa ferramenta em reconstituições paleoambientais.

Estudos arqueozoológicos vêm sendo desenvolvidos nos últimos anos com a finalidade de fazer interpretações paleoecológicas (para uma revisão ver Reitz & Wing, 2008). No Brasil, ainda são poucos os estudos que utilizam esta abordagem, entretanto, o conhecimento vem aumentando gradativamente (Castilho & Simões-Lopes, 2001; Castilho, 2005; Kotzian & Simões, 2006; Queiroz & Carvalho, 2008; Rosa, 2006; Souza et al., 2010a, 2010b).

Associadas às análises de composição faunística, as análises isotópicas podem ser usadas para traçar padrões e verificar mecanismos fisiológicos em organismos; traçar fluxos energéticos em cadeias alimentares; na reconstrução de dieta em estudos de paleoecologia e, ainda, no estabelecimento das vias de ciclagem de nutrientes em ecossistemas terrestres e aquáticos (Hobson & Wassenaar, 1999; Lajtha & Michener, 1994).

Se por um lado os dados que se tem ainda são muito pontuais, por outro lado, as perspectivas são extremamente positivas. As características ambientais do Holoceno recente analisadas através dos vestígios recuperados nos sítios arqueológicos do tipo sambaqui podem contribuir grandemente para o conhecimento regional e para o esclarecimento de questões teóricas mais abrangentes. Entre estas aquelas relativas às mudanças climáticas, evolução da biodiversidade, papel dos sambaquieiros na constituição da paisagem, etc., uma vez que oferece informações referentes às relações entre cultura e meio ambiente da pré-história até os dias atuais.

O sítio arqueológico Sambaqui da Tarioba, localizado no município de Rio das Ostras, RJ, foi descoberto em 1967 pela equipe do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) e nessa época encontrava-se bem conservado. Entretanto, a primeira etapa de escavação só ocorreu em 1998-99 quando 2/3 do sítio já havia sido destruído. Cinco camadas estratigráficas culturais foram reveladas nestas escavações (Dias, 2001). As datações deste sítio foram obtidas para camada II e variam entre 3.620 e 3.440 anos AP. Embora estudos arqueológicos já tenham sido realizados neste sambaqui, só os aspectos antropológicos foram amplamente explorados. Assim, os vestígios faunísticos carecem, ainda, de análises e interpretações paleoecológicas. Neste projeto foi proposto estudar a composição faunística de todas as camadas estratigráficas do Sambaqui da Tarioba, bem como, a partir da análise de isótopos estáveis, investigar condições de temperatura, alimentação e circulação costeira do paleoambiente. Desta forma, os resultados do presente estudo contribuirão para o entendimento da evolução dos padrões de biodiversidade ao longo de 4000 anos AP e as suas relações com as variações do nível do mar e possíveis mudanças de circulação marinha no litoral do Rio de Janeiro.

2. OBJETIVOS E METAS

2.1   - Objetivo geral

Estabelecer uma base referencial da diversidade bentônica e nectônica, apoiada no estudo de conchas de moluscos e na análise de otólitos de peixes provenientes dos vestígios arqueozoológicos do Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras - RJ e, com o uso de múltiplas abordagens de estudo, propor cenários sobre a evolução desta biodiversidade frente às possíveis variações ambientais no litoral fluminense.

2.2   - Objetivos específicos

a)       Inventariar e caracterizar a biodiversidade malacológica e ictiológica do Sambaqui da Tarioba (Rio das Ostras, RJ) por nível estratigráfico;

b)       Realizar análises sedimentológicas dos diferentes estratos presentes;

c)       Datar as diferentes camadas estratigráficas deste sítio;

d)       Reconstituir, a partir da análise de isótopos estáveis d18O, d13C e d15N em conchas de moluscos, dados sobre a temperatura, alimentação e circulação costeira do paleoambiente;

e)       Relacionar os dados obtidos com possíveis padrões de mudanças de circulação marinha e variações do nível do mar.

 

2.3 - Metas, indicadores e impactos

Metas

Indicadores

Impactos

1. Triagem das conchas, carapaças e otólitos provenientes das 5 camadas do sambaqui da Tarioba.

1. Lista das espécies presentes nas diversas camadas do sambaqui.

1. Conhecimento da biodiversidade pretérita.

2. Revisão da distribuição das espécies estudadas.

2. Definição da biogeografia das espécies encontradas.

2. Conhecimento da biogeografia das espécies estudadas.

3. Inferência da representatividade das diversas espécies no sítio arqueológico.

3. Registro da ocorrência das diversas espécies na região estudada.

3. Teste da hipótese nula de estabilidade dos padrões de biodiversidade nos últimos 4.000 anos.

4. Análises de isótopos estáveis, datações e granulometria.

4. Inferência das condições de salinidade, temperatura e matéria orgânica pretéritas.

4. Conhecimento das condições abióticas pretéritas.

4. Discussão da importância do material arqueológico para as questões de conservação e manejo dos ecossistemas costeiros.

4. Avaliação da representatividade dos sambaquis como um referencial para o estudo da evolução da biodiversidade de moluscos.

4. Conhecimento do status (nativa ou introduzida), composição e densidade da biodiversidade da região estudada.

5. Contribuir para a montagem de modelos de predição ambiental para o futuro, visando à conservação dos ecossistemas costeiros.

5. Análises de composição faunística, análises isotópicas.

5. Conhecimento de mecanismos fisiológicos em organismos, fluxos energéticos em cadeias alimentares, dieta de alguns organismos e vias de ciclagem de nutrientes no ecossistema.

 
 
 
 
 
 

ETAPA DE CAMPO

3. MATERIAIS E MÉTODOS

3.1. Área de estudo

O sítio arqueológico Sambaqui da Tarioba localiza-se no município de Rio das Ostras – RJ, nas coordenadas 22º31’40” S e 41º56’22” W (Fig. 1).

Figura 1. Localização do Sambaqui da Tarioba

 

3.2.  A escavação 

A etapa prevista neste projeto escavação do Sambaqui da Tarioba (Rio das Ostras-RJ) foi realizada no período de 20/08/2012 à 06/09/2012 e os vestígios faunísticos recuperados continuam sendo trabalhados. Até o momento, foi processado cerca de uma tonelada de material, o que corresponde à metade do total.

Os locais determinados para a recuperação dos vestígios arqueozoológicos do Sambaqui da Tarioba neste projeto foram o Hemi-Setor A1 – esquerdo (HS-A1-e) e Hemi-Setor B4 – direito (HS-B4-d), ambos localizados na área B do sítio. Antes de iniciar o trabalho de escavação foi refeita a setorização da área B do sítio e montadas duas tendas do tipo gazebo visando proteger a área a ser estudada e a equipe técnica do sol forte e da chuva (Fig. 2). Com o objetivo de evidenciar o perfil adjacente ao setor HS-A1-e foi feita a limpeza do lado direito deste setor que já havia sido trabalhado em 2007. Cerca de 40 cm de material desmoronado foi retirado e após atingir 1,30 cm de profundidade encontramos a base do sítio com sedimento arenoso de cor amarelada. Após a limpeza da parede adjacente ao lado esquerdo do setor ficou evidenciada a estratigrafia das camadas naturais deste corte que serviram de referência para a escavação do HS-A1-e (Fig. 3).

Figura 2. Setorização da área B do sítio. As setas indicam os setores que foram escavados. Figura 3. Estratigrafia das camadas naturais do corte adjacente ao setor HS-A1-e que serviram de referência para a escavação.

Após a identificação das camadas naturais, teve início à decapagem em níveis artificiais de 10 em 10 cm, de onde foram sendo recuperados baldes de sedimento contendovestígios arqueozoológicos, bem como corantes e material lítico. Após passar por “peneira de arroz” de 4 mm, o material recuperado foi classificado grosseiramente em: malacológico, ossos/carapaças animais e otólitos (Figs. 4 e 5). Todo o material foi ensacado, etiquetado e transportado para o Laboratório de Genética Marinha e Evolução na Universidade Federal Fluminense, onde está sendo triado e identificado ao menor nível taxonômico possível. O mesmo procedimento de escavação foi realizado para o setor HS-B4-d.

Figura 4. Peneiração do sedimento recuperado na escavação
Figura 5. Classificação do material em malacológico, ossos e carapaças animais.
 

3.3.  Inventário e caracterização da composição faunística

Para a amostragem arqueozoológica, foi utilizado o método de amostragem de perfil. Idealmente, a amostragem em perfil deve ser feita de acordo com as camadas naturais e/ou culturais de deposição de material, seguindo o protocolo de coleta proposto por Scheel-Ybert et al. (2006). Após a identificação das camadas naturais, foram feitas coletas utilizando-se baldes de 20 litros para cada uma.

No laboratório, o material foi lavado com escova em água corrente e colocado na bancada para secar à temperatura ambiente (Fig. 6). Antes do armazenamento, as conchas foram contadas e identificadas ao menor nível taxonômico possível. Os demais grupos taxonômicos foram separados e encaminhados para outros especialistas. Amostras de conchas de cada camada estratigráfica foram encaminhadas para datação.  Até o momento já foram triados cerca de 1000kg de material, o que corresponde a metade do material. O restante do material ainda está em estudo.
 
Figura 6. Secagem do material para identificação e contagem para posterior armazenamento

3.4. Datação radiocarbônica

Amostras de conchas da espécie Iphigenia brasiliana (Lamarck, 1818), coletadas em cada nível arqueoestratigráfico e na camada original dos dois setores escavados, foram encaminhadas para datação por 14C na Beta Analytic (Miami, Florida, USA). Para cada amostra foi atribuído um código de identificação contendo doze caracteres (Fig. 7), descritos a seguir:

UFF – Universidade Federal Fluminense

LGME – Laboratório de Genética Marinha e Evolução

ST – Sambaqui da Tarioba

1 ou 2 – Trincheira de escavação

C0 – C5 – Camada arqueoestratigráfica

As amostras enviadas foram:

UFFLGMEST1C1; UFFLGMEST1C2; UFFLGMEST1C3; UFFLGMEST1C4; UFFLGMEST1C5; UFFLGMEST2C1; UFFLGMEST2C2; UFFLGMEST2C3; UFFLGMEST2C4; UFFLGMEST2C0; UFFLGMEST1C0.

Observação: C0 refere-se à camada original, isto é, anterior à construção do sítio arqueológico. É a base arenosa sobre a qual o sítio foi construído.
 
 
A B C
Figura 7. Amostras enviadas para datação por AMS no laboratório da Beta Analytic. A= código de identificação; B= tratamento químico da concha; C= Fracionamento da amostra para datação. Fotos: Beta Analytic.
 
 

3.5. Análises físico-químicas

Os isótopos estáveis estão presentes nos ecossistemas e sua distribuição natural reflete, de forma integrada, a história dos processos físicos e metabólicos do ambiente (Pereira & Benedito, 2007). Os moluscos marinhos incorporam assinaturas do habitat na geometria e química das suas conchas, promovendo evidências diretas que suplementam as analogias ecológicas, tais como, dados geoarqueológicos de regressões e transgressões marinhas, profundidade e temperatura da água, configuração da costa e taxas de sedimentação (Rhoads & Lutz, 1980). A análise dos valores de d18O será realizada em conchas de moluscos, permitindo estimar uma média de temperatura do ambiente. Do mesmo modo que dados a respeito da alimentação e circulação costeira serão inferidos a partir da análise dos isótopos d13C e d15N. As amostras destinadas para estas análises já foram encaminhadas para os laboratórios especializados e aguardam resultado para gerarem futuras interpretações paleoambientais.

4. RESULTADOS

4.1.  Vestígios zooarqueológicos

O material zoológico trabalhado e selecionado para a identificação taxonômica consiste em conchas de moluscos bivalves e gastrópodes, ossos e otólitos de peixes. Dentre os vestígios faunísticos também é possível reconhecer carapaças de crustáceos; ossos de aves, répteis e mamíferos. No entanto, esses grupos zoológicos ainda estão sendo analisados.

Os ossos e otólitos de peixes foram analisados pelo Dr. Orangel Aguilera. Até o momento foram identificados 9 táxons, sendo a família Scianidae a mais representativa com 5 espécies (Tab. 1). Foram recuperados 22 otólitos de Micropogonias furnieri (Desmarest, 1823), 2 de Genidens genidens (Valenciennes, 1839), 1 de Bardiella ronchus (Cuvier, 1830) e 1 Cynoscion microlepidotus (Cuvier, 1830). Outros exemplares de ossos e otólitos de peixes estão sendo trabalhados para futura identificação taxonômica.

Em relação aos moluscos, até o momento foram identificados 47 táxons pertencentes a 28 famílias (Tab. 2), outras espécies aguardam identificação. Os bivalves apresentam maior riqueza (27 táxons) do que os gastrópodes (20 táxons). Dentre os bivalves, a família mais representativa é Veneridae Rafinesque, 1815 com 9 espécies, seguida de Arcidae Lamarck, 1809 e Cardiidae Lamarck, 1809, ambas com 2 espécies. A espécie Iphigenia brasiliana (Lamarck, 1818), conhecida popularmente como “tarioba”, é a mais abundante em todas as camadas arqueoestratigráficas deste sambaqui. Os gastrópodes estão representados com 15 famílias, sendo a mais comum Olividae Latreille, 1825 com 4 táxons, seguida por Naticidae Forbes, 1838 e Fasciolariidae Gray, 1853, ambas com 2 táxons. As Figuras 8 e 9 apresentam algumas fotografias das conchas de bivalves e gastrópodes recuperados.

 

Tabela 1. Inventário da fauna ictiológica do Sambaqui da Tarioba. 

OSTEICHTHYES

CHONDRICHTHYES

Sciaenidae

Bairdiella ronchus

Myliobatidae

Aetobatus narinari

 

Cynoscion microlepidotus

 

Myliobatis sp.

 

Larimus breviceps

   
 

Micropogonias furnieri

   
 

Pogonias cromis

   

Centropomidae

Centropomus undecimalis

   

Ariidae

Genidens genidens

   

  

Tabela 2. Inventário da fauna malacológica do Sambaqui da Tarioba.

BIVALVIA

 

GASTROPODA

 

Arcidae

Anadara chemnitzi

Trochidae

Tegula viridula

 

Anadara notabilis

Turbinidae

Astraea latispina

 

Anadara ovalis

Neritidae

Neritina virginea

 

Arca imbricata

Cerithidae

Ceritium atratum

Glycymerididae

Glycymeris longior

Strombidae

Strombus costatus spectabilis

 

Glycymeris undata

Calyptraeidae

Crepidula aculeata

Mytilidae

Mytella charruana

Naticidae

Natica canrena

Pteriidae

Pinctada imbricata

 

Polinices hepaticus

Ostreidae

Crassostrea rhizophorae

Ranellidae

Cymatium parthenopeum

Lucinidae

Lucina pectinata

Muricidae

Chicoreus senegalensis

Ungulinidae

Phlyctiderma semiaspera

Thaididae

Stramonita haemastoma

Cardiidae

Trachycardium muricatum

Nassariidae

Nassarius vibex

 

Laevicardium brasilianum

Fasciolariidae

Fusinus brasiliensis

Mactridae

Mactra isabelleana

 

Pleuroploca aurantiaca

Semelidae

Semele proficua

Olividae

Olivancillaria carcellesi

Solecurtidae

Tagelus plebeius

 

Olivancillaria urceus

Donacidae

Donax hanleyanus

 

Olivancillaria vesica auricularia

 

Iphigenia brasiliana

 

Olivancillaria vesica vesica

Veneridae

Ventricolaria rigida

Bullidae

Bulla striata

 

Chione paphia

Epitoniidae

Cirsotrema dalli

 

Anomalocardia brasiliana

   
 

Protothaca antiqua

   
 

Tivela mactroides

   
 

Pitar fulminatus

   
 

Amiantis purpuratus

   
 

Macrocallista maculata

   
 

Dosinia concentrica

   

 

A A
 B  B
 C  C

Figura 8. Exemplos de bivalves identificados nos vestígios arqueozoológicos do Sambaqui da Tarioba em vista externa e interna. A = Anadara notabilis, B = Globivenus rigida, C = Iphigenia brasiliana.

 
A A
C C
D D
 
Figura 9. Exemplos de gastrópodes identificados nos vestígios arqueozoológicos do Sambaqui da Tarioba em vista dorsal e ventral. A = Cerithium atratum, C = Siratus senegalensis, D= Stramonita haemastoma.
 

Em relação aos crustáceos, foram triados, analisados e identificados 1263 quelas de caranguejos dentre os vestígios recuperados no setor HS-A1-e. Essas peças representam 9 espécies distribuídas em 7 famílias: Callinectes danae (Smith, 1869) e Callinectes sapidus (Rathbun, 1869) (Portunidae); Ocypode quadrata (Fabricius, 1787) e Ucides cordatus (Linnaeus, 1763) (Ocypodidae); Panopeus austrobesus (Williams, 1983) (Panopeidae); Cardisoma guanhumi (Lattreille, 1825) (Gecarcinidae); Menippe nodifrons (Stimpson, J859) (Xanthidae); Goniopsis cruentata (Latreille, 1803) (Grapsidae) e Mithrax hispidus (Herbst, 1790) (Majidae) (Tabela 3). As espécies mais comuns foram: Callinectes danae, Callinectes sapidus, Ucides cordatus, Cardisoma guanhumi, Goniopsis cruentata e Panopeus austrobesus, presentes em todas as camadas arqueológicas. A espécie com menor frequencia de ocorrência foi Mithrax hispidus presente apenas nas camadas 1 e 5. O artigo científico produzido com os dados de crustáceos encontra-se submetido para publicação na revista Check List.

Tabela 3.Lista de espécies de crustáceos encontrados no Sambaqui da Tarioba.

FAMÍLIA

ESPÉCIES

CAMADAS

 

Portunidae

Callinectes danae

1, 2, 3, 4, 5

 

Portunidae

Callinectes sapidus

1, 2, 3, 4, 5

 

Gecarcinidae

Cardisoma guanhumi

1, 2, 3, 4, 5

 

Grapsidae

Goniopsis cruentata

1, 2, 3, 4, 5

 

Xanthidae

Menippe nodifrons

1, 2, 3, 4, 5

 

Majidae

Mithrax hispidus

1, 5

 

Ocypodidae

Ocypode quadrata

1, 2, 3, 4

 

Panopeidae

Panopeus austrobesus

1, 2, 3, 4, 5

 

Ocypodidae

Ucides cordatus

1, 2, 3, 4, 5

 


4.2.  Datação radiocarbônica

A Tabela 3 apresenta os resultados obtidos com a datação por AMS. Analisando os dados é possível observar que o material arqueológico depositado no Setor 01 não corresponde a uma sequência cronológica regular, pois camadas mais jovens (0-30 cm) estão intercaladas com as mais antigas (100-120 cm). As idades encontradas no Setor 02 mostram uma sequência cronológica mais uniforme. Estes resultados podem ser interpretados como material de retrabalhamento, que foi acumulado e mexido durante atividades de sepultamento ou escavações secundárias. Assim, analisando os dados calibrados de radiocarbono é possível dizer que a idade do Sambaqui da Tarioba pode ser calculada entre 3.550 e 3.700 cal. AP[1].A.P. significa “antes do presente” que por convenção é 1950. Trata-se de uma menção à descoberta da técnica de datação do Carbono 14 que se deu em 1952 (GASPAR, 2000).GASPAR, M.D. 2000. Sambaqui: arqueologia do litoral brasileiro. Ed. Jorge Zahar, Rio de Janeiro, 89 p.

Tabela 4. Resultados da datação por radiocarbono realizada pela Beta Analytic.

Beta

Submitter No.

Service

Measured Age

13C/12C

Conventional Age

2 Sigma Calibration

 
 

335465

UFFLGMEST1C1

AMS

3450 +/- 40 BP

-0.1 o/oo

3860 +/- 40 BP

Cal BC 2120 to 1780 (Cal BP 4070 to 3730)

 

335466

UFFLGMEST1C2

AMS

3260 +/- 30 BP

-0.1 o/oo

3670 +/- 30 BP

Cal BC 1850 to 1590 (Cal BP 3800 to 3540)

 

335467

UFFLGMEST1C3

AMS

3250 +/- 30 BP

0.0 o/oo

3660 +/- 30 BP

Cal BC 1840 to 1570 (Cal BP 3790 to 3520)

 

335468

UFFLGMEST1C4

AMS

3380 +/- 30 BP

+1.0 o/oo

3810 +/- 30 BP

Cal BC 2060 to 1690 (Cal BP 4010 to 3640)

 

335469

UFFLGMEST1C5

AMS

3370 +/- 40 BP

+0.3 o/oo

3780 +/- 40 BP

Cal BC 2000 to 1680 (Cal BP 3950 to 3630)

 

335464

UFFLGMEST1C0

AMS

3320 +/- 30 BP

-0.5 o/oo

3720 +/- 30 BP

Cal BC 1890 to 1630 (Cal BP 3840 to 3580)

 

335471

UFFLGMEST2C1

AMS

3330 +/- 30 BP

+0.1 o/oo

3740 +/- 30 BP

Cal BC 1920 to 1660 (Cal BP 3860 to 3610)

 

335472

UFFLGMEST2C2

AMS

3240 +/- 30 BP

-2.1 o/oo

3620 +/- 30 BP

Cal BC 1750 to 1500 (Cal BP 3700 to 3450)

 

335473

UFFLGMEST2C3

AMS

3380 +/- 40 BP

+1.0 o/oo

3810 +/- 40 BP

Cal BC 2020 to 1720 (Cal BP 3970 to 3670)

 

335474

UFFLGMEST2C4

AMS

3420 +/- 40 BP

-0.8 o/oo

3820 +/- 40 BP

Cal BC 2040 to 1730 (Cal BP 3980 to 3680)

 

335470

UFFLGMEST2C0

AMS

3490 +/- 30 BP

+0.8 o/oo

3910 +/- 30 BP

Cal BC 2140 to 1880 (Cal BP 4090 to 3830)

 

Outras amostras de conchas foram encaminhadas para o Laboratório de Radiocarbono da UFF e realizadas datações. Os resultados geraram o artigo:

Macario, K D ; Souza, R C C L ; Trindade, D C ; Decco, J ; Lima, T A ; Aguilera, O A ; Marques, A N ; Alves, E Q ; Oliveira, F M ; Chanca, I S ; Carvalho, C ; Anjos, R M ; Pamplona, F C ; Silva, E P . Chronological Model of a Brazilian Holocene Shellmound (Sambaqui da Tarioba, Rio de Janeiro, Brazil). Radiocarbon, v. 56, p. 489-499, 2014.

5. PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES CIENTÍFICAS DO PROJETO

Divulgação Científica - difusão do conhecimento científico adquirido com a pesquisa através de artigos, relatórios e trabalhos acadêmicos, como monografias, dissertações e teses, além de participação em congressos nacionais e internacionais.

Iniciação Científica

  • Augusto Barros Mendes – Iniciação Científica e Licenciatura, Ciências Biológicas - UFF
  • Felipe Barta Rodrigues – Iniciação Científica, Ciências Biológicas - UFF
  • Leandro Alves da Silva – Iniciação Científica, Ciências Biológicas - UFF
  • Rachel Harrington-Abrams - Iniciação Científica, Relações Internacionais e Biologia, Macalester College, St. Paul, MN, EUA.

Monografia de Graduação

  • Felipe Barta Rodrigues Costa

Crustáceos do Holoceno do Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Brasil. Ciências Biológicas – UFF (Em desenvolvimento)

Monografia de Especialização

  • Graziela Francisco

 Sambaqui da Tarioba: patrimônio arqueológico, científico e cultural. 2013. Monografia. (Aperfeiçoamento/Especialização em Arqueologia Brasileira) – IAB / Faculdade Redentor.

Dissertação de Mestrado

  • Fernando Augusto Pereira Tuna

Assembleia ictiológica no Holoceno: uma Interpretação paleoambiental do Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras, Rio de Janeiro, Brasil. 2014. Dissertação (Mestrado em Biologia Marinha) - Universidade Federal Fluminense, Bolsista CAPES.

Trabalhos resumidos em anais de congressos

Rodrigues, F. B.; Lopes, M. S.; Duarte, M. R.; Souza, R.C.C.L.; Silva, E. P. Biodiversidade de crustáceos do Sambaqui da Tarioba, Rio Das Ostras, RJ. In: 5º Congresso Brasileiro de Biologia Marinha, 2015, Porto de Galinhas, Ipojuca, PE. 2015. CD Rom.

Garofalo, R.; Silva, E.P. & Souza, R.C.C.L. 2012. Biodiversidade de moluscos marinhos do Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras, Rio de Janeiro – Brasil. In: II Encuentro Latino Americano de Zooarqueología, Santiago do Chile, 29 de maio a 1 junho/2012, p. 67. CD Rom.

Garofalo, R.; Silva, E.P. & Souza, R.C.C.L. 2012. Reconstrução da dinâmica do ambiente de praia do Holoceno recente no entorno do Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras, RJ. In: V Congresso Brasileiro de Oceanografia, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, 13 a 16 de novembro de 2012. CD Rom.

Artigos científicos

Macario, K.D.; Souza, R.C.C.L.; Aguilera, O.A ; Carvalho, C.; Oliveira, F.M.; Alves, E.Q.; Chanca, I.S.; Silva, E.P.; Douka, K.; Decco, J.; Trindade, D.C.; Marques, A.N.; Anjos, R.M.; Pamplona, F.C. Marine reservoir effect on the Southeastern coast of Brazil: results from the Tarioba shellmound paired samples. Journal of Environmental Radioactivity, v. 143, p. 14-19, 2015.

Macario, K D ; Souza, R C C L ; Trindade, D C ; Decco, J ; Lima, T A ; Aguilera, O A ; Marques, A N ; Alves, E Q ; Oliveira, F M ; Chanca, I S ; Carvalho, C ; Anjos, R M ; Pamplona, F C ; Silva, E P . Chronological Model of a Brazilian Holocene Shellmound (Sambaqui da Tarioba, Rio de Janeiro, Brazil). Radiocarbon, v. 56, p. 489-499, 2014.

Garofalo, R.; Silva, E. P.; Souza, R.C.C.L. Biodiversity of Marine Molluscs from Sambaqui da Tarioba, Rio das Ostras, Rio de Janeiro (Brazil). Revista Chilena de Antropologia, v. 29, p. 49-54, 2014.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho multidisciplinar desenvolvido no projeto “Arqueologia e Biodiversidade Marinha do Sambaqui da Tarioba: um modelo de estudo paleoecológico do litoral fluminense” mostrou-se muito importante para o conhecimento da biodiversidade do passado. Estudos deste tipo são necessários para a produção de inventários de referência e análises paleoambientais, contribuindo para o entendimento da evolução dos padrões de biodiversidade ao longo de 4000 anos AP e as suas relações com as variações do nível do mar e possíveis mudanças de circulação marinha no litoral do Rio de Janeiro.

 Instituições

O Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) desenvolve atividades de Arqueologia nas áreas de pesquisa, resgate e monitoramento, além de ações em Educação Patrimonial e em Estudos de Patrimônio Imaterial. O IAB possui reserva técnica para salvaguarda de acervo e reserva técnica, salas de aula e documentação em vídeos e fotos, área museal, laboratórios. Além das pesquisas de campo, o IAB mantém uma linha de publicações diversificada, com boletins de divulgação de pesquisas, série especiais com textos de debate e com monografias, além de ter adotado, para popularização do conhecimento, a edição de textos em livros impressos, e-books, CDs e DVDs.

O Laboratório de Genética Marinha e Evolução (LGME) da Universidade Federal Fluminense (UFF) está situado no 3º andar do Instituto de Biologia, no Campus do Valonguinho, Niterói, RJ. O professor responsável pelo laboratório é o Dr. Edson Pereira da Silva que coordena uma equipe composta pela Dra. Rosa Cristina Corrêa Luz de Souza e por alunos de graduação, mestrado e doutorado. O laboratório desenvolve trabalhos nas áreas de:

1)  Genética Marinha, na qual marcadores moleculares (aloenzimas e DNA) são utilizados para estudar a ação das forças evolutivas (deriva genética, seleção natural, migração, mutação) sobre a variação gênica e estruturação das populações naturais, o processo de adaptação dos organismos e relações evolutivas;

2)  Evolução da Biodiversidade, na qual dados atuais e pretéritos de diversidade biológica são utilizados na modelagem de padrões de biodiversidade ao longo do tempo.

Desde 2003 este laboratório vem se dedicando ao estudo dos vestígios arqueozoológicos do Holoceno e a partir das relações morfo-funcionais tenta recuperar aspectos ecológicos do paleoambiente de modo a compreender processos ecológicos de longa escala temporal. A comparação de dados desta natureza com aqueles ligados aos processos atuais é relevante para o conhecimento da biodiversidade e estudos sobre bioinvasão, podendo conduzir ao prognóstico dos acontecimentos futuros, sendo úteis para as iniciativas de conservação e manejo. Como resultados desta linha de pesquisa foram produzidos: 1 tese de doutorado, 1 dissertação de mestrado, 2 monografias de bacharelado (1 em andamento), 1 monografia de pós - graduação em arqueologia,  3 capítulos de livro, 6 artigos científicos, 11 resumos em congressos, 2 trabalhos completos em anais de congressos, 9 conferências/palestras e apresentações. Em maio de 2011 foi publicado o livro Conchas Marinhas de Sambaquis do Brasil.

O Programa de Pós Graduação em História (PPGH) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) teve início no ano de 1995, quando foram selecionados os primeiros vinte mestrandos. Em 1998, obtendo o reconhecimento da CAPES, passou a integrar o Sistema Nacional de Pós-Graduação. Este programa visa estimular e promover a cooperação regional, nacional e internacional, nos níveis teórico e metodológico, de pesquisadores, docentes e discentes, visando à troca de saberes e a socialização do conhecimento na área da História, com vistas ao desenvolvimento das atividades de ensino e pesquisa.

O Museu Nacional/UFRJ está vinculado ao Ministério da Educação. É a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. O Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (PPGArq) desenvolve três linhas de pesquisa: Povoamento do Território Brasileiro, Estudos de Cultura Material e Estudos Paleoambientais, agrupadas em uma única área de concentração em Arqueologia. Dispõe de laboratórios equipados para análise de materiais arqueológicos e um microscópio eletrônico de varredura, marca Jeol, modelo JSM-6390, de uso comum dos pesquisadores do Museu Nacional. O museu é detentor de coleções zoológicas que podem ser utilizadas para comparação e identificação dos vestígios arqueológicos.

 EQUIPE TÉCNICO-CIENTÍFICA

Pesquisadores

Ondemar Ferreira Dias Júnior

Instituto de Arqueologia Brasileira

Coordenador do Projeto - Arqueologia

Possui graduação em Historia pela Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade do Brasil - l959/l962, Livre docente em História da América na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente é Diretor Presidente do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB), consultor de Arqueologia da Universidade de Tocantins (UNITINS) e sócio efetivo do IHGB e IHG-RJ. Coordenou as pesquisas de campo no Sambaqui da Tarioba (1998), Projeto Sagás I (2001), Sítio Arqueológico Nossa Senhora da Conceição (2004) e Fazenda da Conceição (2004), ruínas do antigo Engenho do Valqueire e Projeto Sagás II (2005), Projeto de Salvamento Arqueológico PCH (2006), Programa de Pesquisas Arqueológicas na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé do Rio de Janeiro (2007-2008), Programa de Levantamento e Resgate Arqueológico da UHE Batalha (2007), Programa de Prospecção, Avaliação do Potencial Arqueológico e Salvamento Arqueológico das ruínas localizadas na periferia do antigo Forte do Campinho (2008), Pesquisa de Salvamento Arqueológico nas Linhas de Transmissão de Furnas Centrais Elétricas, Trecho Macaé-Campos, Projeto de Salvamento Arqueológico da Área da Cidade Histórica de São João Marcos (2008), Programa de Arqueologia do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro (2009 até o presente momento), Programa de Pesquisas Arqueológicas nas Linhas de Transmissão de Furnas Centrais Elétricas, Trecho Rocha Leão – Anta Simplício e Programa de Monitoramento em Obra Urbana do centro do Rio de Janeiro e projeto de Educação Patrimonial pela  Algar  - Telecom (2010) e no Programa de Pesquisas Arqueológicas, de Educação Patrimonial e de Estudos de Elementos Arquitetônicos Históricos na Estrada RJ-149  - Rio Claro-Mangaratiba, bem como o Programa de Pesquisas Arqueológicas na Estação Conde de Araruama em Quissamã-RJ, atividades essas que se estendem que tiveram início em 2011até  2012.

Edson Pereira da Silva

Universidade Federal Fluminense

Coordenador do Projeto - Biologia Marinha

Mestre em Genética pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Doutor em Genética pela University of Wales-Swansea e pós-doutorado em Genética Molecular pela University of Swansea. Professor Adjunto da Universidade Federal Fluminense, desenvolve pesquisa na área de Genética e Evolução da Biodiversidade de Organismos Marinhos, atuando principalmente nos seguintes temas: Genética Molecular, Conservação, Bioinvasão, Teoria Evolutiva, Epistemologia e Ensino.

Rosa Cristina Corrêa Luz de Souza

Universidade Federal Fluminense

Vice-Coordenadora do Projeto - Biologia Marinha

Mestre e Doutora em Biologia Marinha pela Universidade Federal Fluminense. Professora convidada do Programa de Pós-Graduação em Biologia Marinha (PPGBM-UFF) e do Programa de Pós-Graduação em Arqueologia (PPGArq-MN/UFRJ), desenvolvendo pesquisa na área de Evolução da Biodiversidade Marinha na Costa Brasileira. Tem amplo conhecimento acadêmico-operacional para a investigação de vestígios arqueozoológicos provenientes de sambaquis do litoral centro-meridional brasileiro. Com experiência nas áreas de Malacologia, Paleoecologia, Arqueozoologia, Sambaquis, Biogeografia, Biodiversidade e Bioinvasão. Em 2011 publicou o livro “Conchas Marinhas de Sambaquis do Brasil”.

Tania Andrade Lima

Museu Nacional/UFRJ

Graduada em Arqueologia pela UNESA (1979), especializada em Arqueologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (1980), doutora em Ciências (Arqueologia) pela Universidade de São Paulo (1991) e tem pós-doutorado em História Social também pela Universidade de São Paulo (1993 - 1995). Atualmente é professora associada do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, coordenadora do Mestrado em Arqueologia do Museu Nacional / UFRJ e curadora das coleções arqueológicas da instituição. Atua fundamentalmente na área de Arqueologia, com os seguintes focos: Arqueologia pré-histórica (pescadores/coletores litorâneos, ceramistas tupiguarani), Arqueologia Histórica (arqueologia do capitalismo, arqueologia da vida cotidiana no século XIX), Teoria e Método em Arqueologia e Preservação do Patrimônio Arqueológico. Foi vice-presidente (1997-1999) e presidente (1999-2001) da Sociedade de Arqueologia Brasileira, e professora de cursos de pós-graduação em diferentes unidades da federação (SP, RS, SE, GO, BA, MG). É membro do conselho editorial de diversas revistas científicas no Brasil e América do Sul, consultora de agências nacionais e internacionais, membro de comissões e conselhos em universidades e órgãos governamentais. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 1A. Recebeu, em 2006, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Paulo Roberto Gomes Seda

Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Mestre e Doutor em História Social na Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor Adjunto de História da América do Programa de Pós Graduação em História (PPGH-UERJ). Tem experiência na área de Arqueologia, com ênfase em Pré-História, atuando principalmente nos seguintes temas: Arqueologia, Pré-História, História Indígena, Arte Rupestre e Brasil Pré-Colonial.

Denise Chamum Trindade

Arqueóloga (convidada)

Bacharel em Arqueologia pela Universidade Estácio de Sá e Museologia pela UNIRIO. Tem experiência em trabalho de campo e de laboratório na área de Arqueologia, desenvolvendo pesquisas em sítios históricos e pré-históricos, atuando principalmente nos seguintes temas: Arqueologia Histórica e Pré-Histórica, Sambaqui e Museologia.

Juber Brandão de Decco

Técnico em Arqueologia (convidado)

Técnico em pesquisas arqueológicas, fotógrafo, possui cursos de Conservação e Patrimônio. Tem experiência em trabalho de campo e de laboratório na área de Arqueologia, desenvolvendo pesquisas em sítios históricos e pré-históricos, atuando principalmente nos seguintes temas: Arqueologia Histórica e Pré-Histórica, Sambaqui e Museologia.

 Alunos:

Graziela Francisco da Silva

Instituto de Arqueologia Brasileira/Universidade Redentor

Pós-Graduação em Arqueologia

Augusto Barros Mendes

Universidade Federal Fluminense

Graduação em Ciências Biológicas

Raquel Garofalo de Souza Faria

Universidade Federal Fluminense

Graduação em Ciências Biológicas

Felipe Barta Rodrigues

Universidade Federal Fluminense

Graduação em Ciências Biológicas

Leandro Alves da Silva

Universidade Federal Fluminense

Graduação em Ciências Biológicas

Rachel Harrington-Abrams

Macalester College, St. Paul, MN, EUA

Graduação em Relações Internacionais e Biologia

Fernando Tuna

Universidade Federal Fluminense

Mestrado em Biologia Marinha



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