I Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Economia Criativa traz estudantes do IFRJ-Belford Roxo ao IAB

Apesar da expectativa que nos envolve, fomentada pela alegria de receber grupos de estudantes para participarem do Programa "Bem Vindo ao Mundo da Arqueologia", especialmente hoje fomos frustrados pelo tumulto que permeou essa visita. Depois de quase duas semanas onde a vida transcorria com certa tranquilidade, foi realizada hoje na “comunidade” - onde passou a estar inserida a Instituição após a dominação de grupos, digamos... às margens da Lei -, uma mal planejada operação militar que colocou todos em pânico pelos muitos tiros que vinham de todas as direções. O grupo teve que esperar por mais de uma hora em outro bairro para que, após concluídas, ou talvez cumpridas, as premissas da mesma, pudéssemos buscá-lo para iniciar o evento, com significativo atraso, o que impediu, inclusive, que pessoas que já tinham outros compromissos pudessem participar.

Lamentamos profundamente que toda a geografia no entorno do IAB – uma instituição de 57 anos – esteja completamente dominada por esses grupos levando toda sua população a uma opressão, ora pelo cerceamento do direito de ir e vir, garantido a todos pela Constituição Federal - quando são fechadas literalmente as vias de acesso - ora quando a levam a buscar abrigo ante as balas que cortam, ameaçadoras, os céus do nosso bairro. Depois de anos de dedicação, vemos os nossos esforços em educar serem maculados pela dura realidade a que estamos expostos.

Sabemos que não estamos sozinhos nessa seara, mas não nos furtamos a também expor as entranhas dessa nossa sociedade oprimida. Compreendemos que muito se possa discutir a respeito da multiplicação deste quadro nos mais diversos e distantes pontos das unidades federativas do Estado e compreendemos também que não há soluções simples, por isso resistimos a todas as adversidades e persistentemente buscamos driblar as forças que obstaculizam nossa marcha na direção das luzes dos conhecimentos que temos como missão difundir.

Bem, colocado o nosso desabafo, passamos a descrever sobre o nosso encontro com os estudantes de cursos do Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) – campus Belford Roxo.

Estes foram beneficiados pelo beneplácito de um aporte do CNPq conseguido para um projeto do Professor Raphael Argento, para a I Semana Nacional de Ciência, Tecnologia e Economia Criativa e estiveram presentes sob a coordenação geral da Professora de artesanato Cássia Figueiredo.

As jovens e os jovens, chegaram, apesar do quadro acima descrito, alegres e barulhentos como é típico da juventude. Corações e mentes abertos, foram convidados a lanchar e em seguida participarem dos processos que compõem o método utilizado pelo IAB para as ações socioeducativas ligadas à Educação Patrimonial.

Inicialmente o aquecimento inespecífico para tonificar e estimular as mentes para a recepção das inusitadas informações.

Logo após, o Professor Ondemar Dias discorreu sobre uma síntese da História do IAB onde a admiração transparecia nos rostos e uma completa explicação também pelo Professor Ondemar sobre a Exposição “O Índio no Recôncavo da Guanabara”.

O grupo também conheceu a Oficina “Sítio Jatobá”, com as informações do Alessandro Silva, onde são demonstradas as etapas e ferramentas de uma pesquisa de campo e os seus processos de resgate de um sítio arqueológico.

Jandira Neto conduziu o grupo até à Exposição “IAB 53 anos de Descobertas” demonstrando como as tribos indígenas se deslocaram sobre o território brasileiro, antes da sua conquista pelos europeus, e sua incrível tecnologia quando, entre outras, conclui-se que há cerca de dez mil anos existiram povos que viveram nas cavernas e já dominavam a técnica do plantio do algodão e, com agulhas feitas a partir de ossos de animais, teciam vestimentas.

Conheceram Acauã, a possível mais antiga múmia brasileira, (especialmente após a destruição do acervo do Museu Nacional), oriunda do mesmo povo que a esse tempo já domesticavam plantas.

Encantaram-se com o conjunto de urnas funerárias resgatadas na cidade de Belford Roxo, numa demonstração de identificação com aquela história.

Por fim, foram convidados a conhecerem o funcionamento do Laboratório onde os artefatos passam pela curadoria, e a imensa reserva técnica do IAB. Missão brilhantemente cumprida por William Cruz.

A seguir, alguns depoimentos:

“Lugar incrível que me trouxe muitos conhecimentos”. É o sentimento de Daniella da S. Pereira, 19 anos.

“Maravilhoso! Lugar muito rico de conhecimento e cultura” diz a Joyce de Albuquerque, 23.

A Talita dos Reis Miguez, 32 anos faz uma homenagem ao Professor Ondemar e Jandira Neto (ambos, respectivamente, Diretor-Presidente e Vice-Presidenta do IAB): “em meio ao caos da realidade local tantas histórias, nossas origens, a descoberta da mistura africana, indígena e europeia. Obrigada ao casal conservador desse amor.”

“Eu amei a a visita! Foi uma experiência única! Inovou as minhas informações culturais antes nunca vistas. Amei!”. É o que expressa Michele da Silva Andrade Costa.

Thaiene Guilherme já tem planos para o que aprendeu: “amei a visita. Aprendi bastante e espero passar esse conhecimento aos meus alunos.

P.S: há um outro depoimento, mas não está explícito o nome do autor, por isso não publicamos.

Agradecemos a todas e todos os que generosamente nos ouviram e esperamos podermos nos reunir mais e mais vezes em encontros cada vez mais produtivos.

Agradecemos imensamente a nossa equipe que se dedica de todo coração a receber e servir com carinho a todos que nos visitam.

Texto: Antônia Neto

Fotos: Diego Lacerda e Antônia Neto

Belford Roxo, 18 de outubro de 2018