Programa de Pesquisas Arqueológicas Estação Conde de Araruama em Quissamã- RJ

Arqueologia

 

Programa de Pesquisas Arqueológicas Estação Conde de Araruama em Quissamã- RJ

 

O salvamento do sítio arqueológico Estação Conde de Araruama, Quissamã, RJ, entre os dias 27 de fevereiro e 27 de março de 2012 consistiu em efetuar o resgate de uma área no entorno da estação ferroviária que seria submetida a trabalhos de restauração orientados pelo IPHAN e desenvolvidos pela Prefeitura Municipal de Quissamã. Objetivava-se, igualmente, cumprir o que determina a legislação ambiental no que se refere ao estudo e à preservação do patrimônio cultural do nosso país, incluindo-se as portarias e demais ordens que regulamentam a pesquisa arqueológica, além da criação de uma coleção tipológica classificada para constituição de acervo significativo para exposição didática a ser montada em sala planejada para tanto nas instalações recuperadas.



Os trabalhos de escavações foram realizados de acordo com a metodologia utilizada pelo Instituto de Arqueologia Brasileira – IAB com a setorização das áreas pré-determinadas pelo Projeto.

Foram considerados os trechos entre o correr de casas da Vila e a linha ferroviária, incluindo o local (já inexistente) da cafeteria e o “botequim”, até a rampa lateral do prédio da estação ferroviária e seu entorno, considerado o principal local de investigação; o que passa pela frente e pela lateral direita da estação.

Também foi alvo a área situada nos fundos, onde parte dos prédios anexa à estação foi demolida, situada entre a “Caixa d’água” e o “Barracão Cavan” e o limite final do polígono, paralela à lateral direita da estação. Igualmente o conjunto de construções do armazém, objetivando determinar a existência de pisos e o local onde figura(?) a existência de um guindaste, e finalmente abordada a área entre a linha da estrada de ferro e a construção mais recente, do lado esquerdo do antigo barracão do armazém. Resumindo, três áreas em torno da Estação e uma em frente ao Armazém Ribeiro & Filhos.

Dentre o material encontrado podemos citar fragmentos de louça, vidro, metal, tijolo, telha, faiança fina inglesa, porcelana, moedas, talher de alpaca, telhas de goiva ou colonial, telhas francesas; louças do tipo faiança fina (caulim), brancas e com decorações florais, paisagísticas ou em faixas, com decalque policromo, (possivelmente fabricadas entre o meado do séc. XX até a atualidade) em pratos e potes; porcelana branca ou com decorações florais policroma em pratos; tijolos maciços, muito fragmentados, e poucos fragmentos de cerâmicas coloniais, possivelmente oriundos de vasilhames para acondicionamento de água. Também foram localizados parafusos e cravos de linha de trem e de construções; ruelas para provável fixação dos trilhos de trem que compõem os parafusos e cravos; moeda, botão de ferro de pressão.

Vidros representando uma quantidade razoável em relação à coleção de matérias identificadas, e são, em sua maioria, fragmentos de garrafa com tampa de pressão (provavelmente de refrigerante ou garrafa de cerveja atual) e de tralha doméstica (copos e pratos). Além destes, foram coletados fragmentos planos de vidraça, garrafa de vinho ou de outra bebida identificada com gargalos de saca rolha; vidros de perfumarias, copos, vidros decorativos e frascos de remédios. De acordo com os tipos de gargalo e fundo, as garrafas foram possivelmente fabricadas entre meados do século XIX até meados do séc. XX. Também foram coletados vidros planos de vidraças de janelas ou vitrines

O material ósseo com pouca expressividade em quantitativo, porém com grande importância pelos tipos de materiais encontrados, por exemplo: botão com um furo provavelmente para vestimentas e alguns ossos fragmentados, provavelmente de animais.

O material plástico é de produção recente; recebe o mesmo procedimento dos demais, mas recuperado em contexto, também é considerado como material arqueológico. Foram recuperados botões de roupas, considerado como matérias frágeis e com grande expressão interpretativa.

O malacológico é representado em pouquíssima quantidade e provavelmente seja vestígio da argamassa utilizada para as construções. Da classe foi identificado um conjunto de conchas bivalve anomalocardia brasiliana.

As atividades desenvolvidas na estação Conde de Araruama permitiram localizar uma das linhas do trem e parte de uma parede a qual não temos certeza se tratar de remanescente de residência anterior ao armazém e à própria estação. A profundidade na qual a estrutura foi encontrada (0-10 cm), a princípio descartaria esta possibilidade.

Com base no material cultural encontrado foi possível observar o período de ocupação da área, desde 1860 até a década de 70 do século XX, ratificando informações históricas sobre a sua ocupação.

Recomenda-se o monitoramento da área caso haja qualquer tipo de intervenção no solo aos arredores da Estação Conde de Araruama e do Armazém Ribeiro & Filhos.

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