Programa “Amigo do Parque Darke de Mattos" na Ilha de Paquetá.

Imagem 1: Arqueólogos e Diretores do IAB: Ondemar Dias e Jandira Neto, em Visita ao Parque Darke de Mattos. Acervo IAB, 2018

O Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) lança neste mês de fevereiro de 2019 um Programa de Apoio ao Parque Natural Municipal Darke de Mattos, localizado na Ilha de Paquetá na cidade do Rio de Janeiro. O IAB vem há meses buscando caminhos para poder colaborar com a preservação e divulgação deste importante parque histórico da cidade do Rio, espaço que simultaneamente é um patrimônio tombado e uma unidade de conservação (UC).

O Parque vem sofrendo inúmeros danos estruturais e cada vez mais precisa de ajuda!

O programa será formado por projetos que busquem:

1 - Conscientização ambiental e inclusão social local;
2 - Conservação do parque natural / bem tombado;
3 - Valorização do patrimônio cultural;
4 - Elaboração de plano de manejo;
5 - Incentivo ao turismo sustentável;
6 - Modernização da infraestrutura do parque;
7 - Aprofundamento de informações sobre a ocupação da região – através de pesquisas históricas e arqueológicas;

 

Imagens 2 e 3: Belas imagens fotografadas no Parque Darke de Mattos. Acervo IAB, 2018.

 Quem estiver interessado em conhecer o programa e colaborar nos projetos, só mandar um e-mail para: amigodoiab@arqueologia-iab.com.br, com título: Amigo do Parque - se apresentando, informando seu interesse e como pode colaborar. Não se esqueça de informar um telefone de contato.

 Estamos abertos a ideias para projetos colaborativos que busquem alcançar os objetivos do Programa!

Ações Prévias Realizadas:

* Visita Técnica do IAB ao Parque, realizada por equipe formada por arqueólogos e comunicadores sociais, em setembro de 2018, para levantamento de potencial arqueológico e primeiro mapeamento de danos nas estruturas do Parque. Todas as informações levantadas foram encaminhadas a Fundação Parques e Jardins (FPJ).

* Aproximação com o Grupo Plantar Paquetá, na busca de realização de ações de plantio de mudas nativas da Mata Atlântica na UC.

            

Imagens 4, 5, 6 e 7: Visita de equipe do IAB ao Parque, com acompanhamento do Sr. Arthur do Plantar Paquetá. Acervo IAB, 2018.

Próximas Ações:

Divulgação do Programa e Busca de Parceiros para desenvolvimento dos projetos.

O Parque

O Parque Natural Municipal Darke de Mattos é a Unidade de Conservação (UC) mais antiga da cidade do Rio de Janeiro, sendo uma área verde de relevância ambiental, histórica, paisagística, cultural e, após visita e análise do IAB, pode se afirmar também de relevância arqueológica.

O Parque é uma UC incluída no Mosaico Carioca de Áreas Protegidas, que faz parte de um programa incentivado pelo Ministério do Meio Ambiente, com base jurídica através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), e tem como objetivo a integração de ações entre as Áreas Protegidas envolvidas.

O Parque possui uma das poucas praias da Baía de Guanabara ainda própria para banho, segundo levantamento periódico do INEA (antes de se banhar, aconselha-se verificar previamente a condição da praia no site do INEA.). O Parque está incluindo na área do Trecho Oeste do Comitê de Bacia da Região Hidrográfica da Baía de Guanabara.

Imagem 8: Arqueólogo Ondemar Dias buscando evidências arqueológicas na praia do Parque. Acervo IAB, 2018. 

A Ilha de Paquetá é por completa uma Área de Proteção do Ambiente Cultural (APAC), através de Decreto Municipal, e está em destaque no principal portal turístico da Prefeitura do Rio de Janeiro, o Visit.Rio. Reconhecimentos estes que colaboram para a relevância do Parque.

Infelizmente o Parque ainda não possui Plano de Manejo e Conselho.

Dados Geográficos e Relevância Ambiental:

O Parque Darke de Mattos é uma propriedade municipal, tombado pelo Decreto Municipal nº 17.555, de 18 de maio de 1999, destinado à preservação de vegetação nativa, recreação infantil, passeios, caminhadas e ainda eventos promovidos por moradores locais. Está localizado no final da Praia José Bonifácio, na Ilha de Paquetá, bairro localizado no interior da Baía de Guanabara (Rio de Janeiro-RJ).

Imagens 9 e 10: Imagem de satélite da Ilha de Paquetá, com destaque para o Parque. Google Earth, 2018. 

Pode ser verificado no Cadastro Nacional de UC’s, que o principal objetivo da criação do parque, que se localiza em área costeira da ilha, é preservar remanescente da Mata Atlântica. O parque tem como Órgão Gestor a Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente do Rio de Janeiro – RJ. O código da UC é 0455.33.1801.

Conforme consta na página da Unidade de Conservação do Parque Natural Municipal Darke de Mattos, no site do Ministério do Meio Ambiente (MMA), originalmente, todas as ilhas e ilhotas da Baía de Guanabara eram recobertas por Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas e Formações Pioneiras de influência fluvio-marinha (manguezal e restinga), de acordo com a classificação adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

A cobertura vegetal da Ilha de Paquetá enquadrava-se nestes tipos, mas com a ocupação e interferência antrópicas, o ecossistema foi profundamente modificado. O Parque Darke de Matos abrange boa parte do Morro da Cruz, situado na Ilha, possuindo trilhas e caminhos por meio de clareiras e canteiros, onde predominam os antúrios e filodendros (Araceae), além de bananeiras-de-jardim (Musaceae e Maranthaceae).

Imagens 11 e 12: Riqueza Paisagística a partir da vegetação do Parque Darke de Mattos. Acervo IAB, 2018. 

Relevância Histórica:

Conforme o Escritor Vivaldo Coaracy, em seu livro “Paquetá, Imagens de Ontem e de Hoje (1965)”, o terreno, antes da implantação do parque público em 1976, foi a antiga Chácara do Morro da Cruz. Foi nesta chácara, do Século XVIII,  que o engenheiro, Dr. Bulhões, montara um engenho para beneficiar o arroz que provinha em casca dos arrozais existentes na Baixada Fluminense. A esse engenho anexou, o proprietário, uma fábrica de tecidos, que encerrou suas atividades no início do século XX.

O parque possui uma trilha e dois mirantes, sendo o mais conhecido o Mirante do Morro da Cruz. Este mirante fica no Morro da Cruz, seu relevo apresenta inúmeros túneis e pequenas cavernas decorrentes da extração do caulim também a partir do século XVIII.

Imagens 13: Com a queda de parte frontal do Parque (a beira mar) evidenciou-se o Antigo Píer da área, formando-se uma estratigrafia aparente. O Parque precisa de ajuda para a sua restauração! Acervo IAB, 2018

Imagens 14 e 15: Evidências da história do Parque. Acervo IAB, 2018.

Relevância Arqueológica

Mesmo em um rápido passeio pelo Parque Darke de Mattos, é evidente a presença de artefatos históricos e arqueológicos em seu solo, somado a todos as características físicas da paisagem, feitas por todas as influências antrópicas que a área já sofreu, especialmente no Morro da Cruz com a exploração de caulim.

Assim, o que já era previsível, tornou-se concreto após a Visita Técnica da equipe do IAB - O diagnóstico de Potencial Turístico-Arqueológico do Parque Natural Municipal Darke de Mattos, através de seus inúmeros artefatos históricos e arqueológicos na superfície (imagine o que há na subsuperfície), que somado a sua paisagem, evidenciam as diferentes culturas que já passaram por aquela, hoje, Unidade de Conservação com pouco mais de sete hectares.

Imagens 16, 17, 18 e 19: Evidências arqueológicas encontradas no Parque pela equipe do IAB. Acervo IAB, 2018.

 

OBS.: Não realize a coleta de material arqueológico sem autorização do IPHAN, além de você estar descaracterizando um possível sítio arqueológico, estará infringindo Lei Federal 3.924/1961.

 

Equipe do IAB na Visita Técnica no Parque Darke de Mattos:

Arqueólogos: Ondemar Dias, Jandira Neto e Cida Gomes

Coordenador de Comunicação e Fotografia: Diego Lacerda

Auxiliar de Pesquisa: Alessandro da Silva

 

Fotos: Acervo IAB, 2018.