IAB no XIII Simpósio de História Comparada - UFRJ - IFCS

Do dia 13 ao dia 16 de maio foi realizado o XIII Simpósio de História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro – PPGCH-UFRJ e a comunidade acadêmica, motivada pela comemoração do centenário da UFRJ e pelo lastimável incêndio, há 8 meses, do Museu Nacional, “é chamada a repensar o que é fazer ciência em nosso país e quais são os desafios vindouros”.

Deste modo a comunidade discente e docente do Programa da Pós-Graduação em História Comparada da Universidade Federal do Rio de Janeiro entendendo a importância do tema convidou os que concordam com a sua urgência a refletirem sobre o Museu “como espacialidade, lugar (ou não lugar) de memória(s) e historicidade(s).”

O Simpósio de História Comparada, organizado periodicamente pelos discentes do PPGHC, consiste em um espaço destinado, principalmente, à apresentação de trabalhos alinhados ao método comparativo, mas em 2019 foi expandido em seus limites gerais abrindo, pela primeira vez, à participação de graduandos para apresentarem suas pesquisas na 13ª edição do evento. Assim, neste ano, o Simpósio contou com a oferta de minicursos, conferências e mesas redondas desenvolvidos nos termos da temática central “O Museu Vive?”. Todas as atividades foram gratuitas, inclusive a inscrição dos trabalhos. (Fonte: IFCS)

O Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, tendo seu Diretor-Presidente e sua Diretora-Vice-Presidente, o primeiro como ex-aluno, o Dr. Ondemar F. Dias Jr., e a segunda, Jandira Neto, como doutoranda nos quadros do IFCS, contribuiu para essa fundamental discussão com a exposição de banners do Patrimônio Imaterial da Baixada Fluminense resultado das pesquisas arqueológicas - realizadas por 5 anos, entre 2010 e 2015,  levando à localização de 72 sítios arqueológicos  durante a construção da Rodovia Arco Metropolitano do Rio de Janeiro -  e com  palestras durante as mesas redondas, produções do evento.


Jovens pesquisadores do Projeto Pesquisador Curumim - desenvolvido pelo IAB - e alguns funcionários foram convidados a assistirem algumas palestras, em especial a dos Professores Ondemar Dias e Jandira Neto. A seguir impressões de alguns: 

Prof. Ondemar Dias, Jandira Neto, Alessandro Silva, William Cruz, Daniel Gomes, Marcos Bighi, Rodrigo Silva, Marcele Gonçalves e Paloma Santana

 

“Meu nome é William Cruz, sou Diretor no Instituto de Arqueologia Brasileira, tenho 25 anos e fui incumbido de montar a exposição “Patrimônio Imaterial da Baixada Fluminense” e fazer a abertura da mesma, explicando os banners que versam sobre o Patrimônio Cultural Imaterial, devolução sociocultural do Projeto “Arco Metropolitano”. Essa abertura se deu na segunda-feira, dia 13. Participamos eu e uma, hoje arqueóloga e ex-aluna do Projeto Pesquisador Curumim - no qual também fui iniciado -, Paloma Santana, da abertura do Simpósio. Meus inúmeros afazeres no Instituto tornaram impossível que eu assistisse a todas as palestras durante todo o evento, mas algumas me impressionaram bastante. Por exemplo, na mesa de abertura sobre o Museu Nacional que era uma indagação: “o Museu vive? “ a oradora, Dr.ª Cláudia Rodrigues Carvalho (Coordenadora do Núcleo de Resgates de Acervos do Museu Nacional),  explicou como está sendo realizado o trabalho de resgate de materiais e o de curadoria dos mesmos, os quais se encontram no meio dos escombros do Museu. O relato dos esforços de toda a equipe para reconstruir o máximo do que foi atingido, a criação do “museu do incêndio”, sua paixão e crença de que sim, o Museu Vive, deixaram-me de fato impressionado! Não só VIVE o Museu lá, na Quinta da Boa Vista, mas diante da sua força e fé eu o senti reviver dentro de mim!  Na mesa de encerramento “Centenário da UFRJ: Trajetórias e reflexões para o tempo presente”, onde, a Dr.ª Norma Mendes (ex-aluna e professora aposentada da UFRJ), o Professor Dr. Ondemar Ferreira Dias Jr. (ex-aluno e professor aposentado da UFRJ/IAB) e o Dr. Victor Andrade de Melo (Vice-coordenador do PPGHC) foram os oradores, e trataram do surgimento das universidades no Brasil; sobre os avanços e as modificações que a UFRJ sofreu ao longo do tempo até os dias atuais, abordando inclusive temas que estão em foco como o corte de verbas para as universidades, bem como a questão de resistência das mesmas durante governos diversos, citando como exemplo o da Ditadura Militar,  a minha melhor impressão, durante o encerramento, foi justamente a do professor Victor – mediador da mesa  - que ali, no meio daquele contexto sobre universidades  expôs seus sentimentos, sua indignação quanto a questões políticas atuais e o quanto as universidades vêm sofrendo há alguns anos. Sim, a fala dele foi bem marcante. Suas denúncias. Suas defesas...assim como também a fala do professor Ondemar sobre a sua trajetória, sua história na universidade, sinalizando as diferenças e mostrando a evolução do curso de história; como era ministrado na época em que ele era aluno e como é hoje, inclusive separando as correntes ideológicas do campo da história. Na época surgiam essas correntes, mas hoje são as que separam o curso de História. Para ele, então aluno, eram apenas pessoas que estavam fazendo um curso...Sem dúvida, belas trajetórias dele e da Professora Norma e de tantos outros. Tantos que não seria possível citar aqui. Parabéns a todos. Bem, estas foram as minhas principais impressões...”

 

Exposição "Patrimônio Imaterial da Baixada Fluminense" - Prof. Ondemar Dias

 

“Meu nome é Alessandro Silva, tenho 27 anos e sou responsável pelo Laboratório do Instituto de Arqueologia Brasileira. Foi decidido pela Diretoria da Instituição que deveríamos ir prestigiar as apresentações do Professor Ondemar e Dona Jandira.  Ficamos bem felizes, afinal, como eternos estudantes é sempre bom participar de eventos desse porte numa instituição como o IFCS (talvez até pense assim por ter me graduado em História, mas enfim..., gostamos da ideia). Depois de ouvir o Professor Ondemar fui até ele e perguntei qual era a sensação de ele entrar como aluno e voltar assim, muito por cima como um doutor, já aposentado. E sua resposta foi até divertida porque, como jovem recém-formado ainda cursando uma pós-graduação, eu percebi o meu deslumbramento pela imponência do fato quando ele disse: “normal, faço isso há muitos anos, esse lugar aqui me é muito próximo, nada de muito extraordinário, embora sempre me sinta honrado em ser lembrado ao ser convidado”.   Ouvimos a Dona Jandira. Ela tratou da “Ermida de Nossa Senhora do Ó: Lendas e  Fatos”. Durante a palestra levantou uma questão: “a arqueologia, ela preencheria lacunas da História, ela completaria alguma história ou mudaria completamente a História?” . E o meu questionamento foi: como isso se dá numa pesquisa? Em que momento ela preenche uma lacuna? Em que momento ela muda completamente a História? Essas respostas são importantes para o trabalho que desenvolvemos aqui, no Laboratório. Ela respondeu,  com base no pré-monitoramento das obras, pelo IAB,  no Convento do Carmo, Centro do Rio de Janeiro, que foi uma surpresa o surgimento de material arqueológico no terceiro andar do prédio e que isso, sim, isso poderia mudar a História. Esse material poderia levar a preencher lacunas e talvez até, dependendo do que poderá ser encontrado quando as pesquisas chegarem ao nível de escavação, poderá realmente mudar a história que até então está documentada. Durante 1 ano inteiro trabalhamos com o material arqueológico resgatado pelas pesquisas na Antiga Sé do Rio de Janeiro e o resumo, embora tão básico, do que representa todo aquele material, seus significados...no contexto, sabe?, eu fiquei bem impressionado o quanto caquinhos e/ou antigas estruturas podem contar tanto sobre o passado quando são organizados na linha do tempo... Ouvimos também o Professor Bruno de Almeida Gambert:  “A capoeira nos ringues na década de 1930 – uma comparação entre o caso baiano e o carioca” que nos trouxe interessantíssimas informações e  a Professora Vanessa de Araújo Andrade com o tema “Cais do Valongo: o tratamento da memória da escravidão nas duas reformas urbanas da zona portuária do Rio de Janeiro (1903-1906 e 2011-2015)”. Gostei muito de aprender sobre tantas coisas.”

Prof. Victor Andrade, à esquerda Profª Norma Mendes Prof. Ondemar Dias

 

“Meu nome é Marcos Bighi, tenho 19 anos sou pesquisador curumim no IAB. Assim como os demais eu não tinha tanta expectativa sobre o evento como um todo já que nós iríamos mesmo só para prestigiar a palestra do Professor Ondemar. Foi surpresa poder ouvir sobre os trabalhos de mestrandos e doutorandos que estavam participando. Eu fiquei refletindo sobre a perspectiva da Professora Vanessa quando tratou do Cais do Valongo e do Museu do Amanhã... o questionamento dela sobre o quanto o Cais do Valongo, eleito Patrimônio da Humanidade, não ser tão prestigiado quanto o Museu do Amanhã, embora estando tão próximos. A disparidade é enorme. Eu também fiquei pensando sobre isso. Ouvi o Professor Bruno Gambert falando sobre como a capoeira se estabilizou como uma luta, uma espécie de “arte marcial” dentro dos ringues e achei muito interessante. Adorei a apresentação da Dona Jandira porque falava sobre o que trabalhamos aqui no Laboratório mesmo, que é o material da Antiga Sé, a análise que nós estamos fazendo. Acho que por causa da intimidade que temos com o material. Deixou-me com uma sensação de que ficou mais palpável, mais real, o nosso trabalho, o que nós estamos fazendo. E sobre a importância do material arqueológico poder mudar a história, não só o documento histórico, essa possibilidade... de uma reviravolta...acho que trouxe um estímulo a mais para nós, pesquisadores curumins. Foi bem legal! Gostei muito também de saber também sobre a trajetória do Professor Ondemar Dias e da Professora Norma Mendes. Eles contaram um pouco da história do IFCS e como Curso de História se estabeleceu lá no instituto e percebi o quanto eles dedicaram grande parte de suas vidas ali para poderem realmente ensinar a reproduzir conhecimento.”

Mesa de Comunicação VIII Profª Jandira Neto Profª Jandira Neto

 

“Eu sou Daniel Gomes, tenho 18 anos, sou pesquisador Curumim do IAB e assim como os outros não estive presente em todo o evento, mas felizmente deu tempo de ver parte da apresentação da Professora Vanessa A. Andrade que estava falando sobre como a tecnologia do Museu do Amanhã influencia as pessoas em detrimento de um local tão importante para a nossa história como o Cais do Valongo. Acho que nos fez pensar mais sobre a importância do Cais. Depois o Professor Bruno Gambert falou sobre a arte da capoeira. Gostei muito de saber mais sobre essa herança africana. Dona Jandira contou sobre a Lenda da Nossa Senhora do Ó. Foi muito interessante vê-la apresentando, sabe? Trabalharmos diariamente com um material arqueológico e depois ouvir a sua história dentro de um contexto...foi uma sensação incrível. Como pesquisador curumim nós , no começo, não entendemos muito bem a importância de fazer a curadoria, numerar, organizar aqueles caquinhos, mas quando ouvimos uma palestra sobre aquilo tudo, organizado, estruturado, juntado tudo em uma fala, é muito legal! Mexeu muito comigo!  A palestra do Professor Ondemar na mesma mesa de outra professora que – olha que legal – tinha sido aluna dele!, falando sobre como suas carreiras haviam sido iniciadas ali. Demais!  Um dia muito bom para mim.” Agradeço ao IAB mais essa oportunidade de aprender."

Texto/Entrevistas: Antonia Neto

Fotos: William Cruz, Alessandro Silva, Cris Roque,