Sítio do Cruzeiro

Sitio histórico. Tendo como foco de concentração o local do cruzeiro da Capela de Santa Terezinha do Menino Jesus o sitio se dispersa em uma área de cerca de 2.500m², como parte de terreno de um antigo engenho fundado provavelmente ao findar o Século XVI (1594) por Antônio de Mariz (dono de uma das primeiras sesmarias da baixada) que o deixou para sua descendente Maria da Cunha.

É um dos primeiros engenhos do Rio de Janeiro e, sem dúvida, o mais antigo localizado na sesmaria de Sarapuí. Vendido em data incerta para Manuel da Cunha Sampaio (cristão novo), existiu até o Século XVIII (1730) quando foi desmobilizado e suas ferragens vendidas para um dos engenhos do Morgado de Marapicu. Inicialmente foi Engenho de Cana e posteriormente de Farinha. Parte de suas terras foi vendida para a família Garcia do Amaral (e Oliveira Durão) que nelas fundaram o Engenho do Calundu em 1750, cujos remanescentes duraram até a década de setenta do século XX.

Sítio do Cruzeiro - UTMs 2016 Sítio do Cruzeiro - 2016 Hipotética imagem do Engenho

Localizado em 1966 (PRONAPA) na frente do terreno aonde hoje é a Capela de Santa Terezinha do Menino Jesus, no Bairro de Vila Santa Tereza em Belford Roxo, só foi registrado por Ondemar Dias em 1976. Parte dele foi resgatada em 1995 com recursos próprios do IAB em cooperação científica com sua equipe quando vestígios foram expostos, correndo risco de destruição completa por ocasião da abertura das valas pela Prefeitura de Belford Roxo para colocação de tubulações de água e de esgotos nas Estradas Sarapuí e Santa Tereza.

1980

 A escavação foi feita onde muito provavelmente era a lixeira do engenho, sobretudo levando-se em conta o farto e variado material cultural coletado. Apresentou desde cerâmica indígena, cerâmica neobrasileira (incluindo cachimbos), cerâmica de torno colonial, fragmentos de telha de goiva, algumas lajotas, pesos de rede, louça, vidro, moedas, enxadas e até mesmo uma pequena ponta metálica de javalina ou baioneta.

 Depois de bastante impactado pelas valas para implantação das caixas de esgoto, foi soterrado pela própria Capela com uma camada de cimento que hoje forma uma rampa de acesso para a entrada da mesma.

 Em 2011, quando do aniversário de 50 anos do IAB, placas comemorativas com a descrição dos sítios locais foram colocadas. Ele também recebeu uma delas, que foi logo depois destruída por vândalos. Sob a coordenação de Ondemar Dias fizeram parte das escavações de resgate de 1995: Eliana Carvalho, Rosângela Meneses, Divino de Oliveira, Guadalupe Nascimento, Jandira Neto, Antonio Carlos Gomes, Giancarlo Souza e José Neto.

Em 2006, sob coordenação de Ondemar Dias e Jandira Neto, três cortes estratigráficos foram abertos na periferia do outro lado do sítio por alunos do Projeto Pesquisador Curumim para verificar sua possível extensão, mas nada de significativo foi localizado. O material coletado se encontra sob guarda do IAB sob CAT: nºs 3979-3982/ 3992-4011/4045-4070/7064-7100.

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