RJ -125 – Projeto de Avaliação de Potencial Arqueológico as margens da Rodovia RJ 125 – Seropédica - RJ

 

RJ -125 – Projeto de Levantamento Arqueológico para fins de Avaliação de Potencial Arqueológico em empreendimento localizado às margens da Rodovia RJ 125 – Seropédica - RJ

No Projeto de Arqueologia o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) realizou pesquisas de campo, com prospecções subsuperficiais, para fins de avaliação do potencial arqueológico em um terreno de 552.078 m²  localizado na margem esquerda da Estrada de Miguel Pereira (RJ-125) nº 75 na altura da cidade de Seropédica no Estado do Rio de Janeiro, entre 09 de outubro e 08 de novembro de 2013.

Sua indicação para a pesquisa se deu pelo fato de a área em questão estar situada na margem direita da BR-493/RJ-109, obra relacionada ao Programa de Arqueologia para a construção da Rodovia Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, cujas pesquisas vêm sendo realizadas pelo IAB desde 2010 e, durante este tempo, haver localizado, registrado e resgatado, cinco sítios arqueológicos em seu entorno: Sítio Três Lagos (histórico), Sítios Águas Lindas I e II (históricos)  Sítio Japeri (pré-histórico com reocupação histórica) e Sítio Santa Alice (pré-histórico com reocupação histórica)  Destes, quatro foram resgatados: Águas Lindas I, Japeri, Três Lagos e Santa Alice; permanecendo preservado por indicação do IAB e determinação do IPHAN o sítio Águas Lindas II.

Apesar de a pesquisa extensiva ter sido realizada sobre toda a área, esta apresentou baixo potencial arqueológico, (apenas 18 artefatos de superfície e nenhum em subsuperfície) não sendo, portanto, considerada como sítio arqueológico pelo IAB. Quando da entrega do Relatório Final ao IPHAN  fez ampla justificativa sobre o procedimento, recomendando fosse feito o Monitoramento Arqueológico quando da execução das obras previstas.


Apesar de pequena amostragem de material cultural a pesquisa arqueológica  revelou acanhados vestígios de distintos momentos de uso social do espaço, mas infelizmente a clareza da sua leitura foi fortemente prejudicada por extensa perturbação causada por atividades antrópicas sobre os contextos deposicionais dos poucos ali encontrados. Há indícios de que substancial quantidade de sedimento tenha sido retirada do local (o que é uma lástima para a arqueologia), mas uma acurada observação ainda pode localizar e identificar as alterações na estratigrafia do solo.


Este fato justificaria o pequeno contingente de material cultural encontrado que promoveu a impossibilidade de determinar, pelo menos até o momento, que tipo de assentamento poderia ter havido no local.

A conclusão a que se chegou, baseada nos dados (e a arqueologia trabalha com a evidência material e não com suposições),  é que se tratava de uma área de passagem de pessoas, já que sua proximidade com o aldeamento do Sítio Japeri é de cerca de 1200 m.

Os artefatos, em sua maioria peças líticas, ali encontradas, sugerem “ferramentas deixadas” próximas às lagoas das proximidades, fosse como acampamento de pesca, caça de animais (matança), ou mesmo oficina de fabricação desse tipo de ferramentas.

Muito embora a amostra seja ínfima se comparada ao espaço e ao número de sondagens feitas,  os parcos vestígios coletados podem apenas  indicar estas variadas possibilidades.

O imperativo (presença de material em subsuperfície) para se configurar a existência de um sítio arqueológico foi impedida pelas adversidades circunstanciais, conduzindo os resultados para a classificação de apenas ocorrências fortuitas na área pesquisada.


No Projeto de Educação Patrimonial,
independentemente da quantidade de material coletado e frente aos outros achados na região, o IAB realizou um motivador procedimento de Educação Patrimonial para os 157 alunos e professores da Escola Estadual Municipalizada Prof. Paulo de Assis Ribeiro localizada à Rua Vicinal, 37 Bairro Santa Alice – Seropédica – RJ. Escolhida como local de aplicação e desenvolvimento do Projeto por estar situada a apenas três quilômetros (na periferia da cidade) da  área de impacto direto das Obras do Projeto denominado RJ -125 – Seropédica e a 500 m da construção da BR – 493/RJ 109 -  Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. Nele foram apresentadas aos professores as noções básicas da metodologia utilizada em processos de Educação Patrimonial, tais como o modo de se planejar as atividades relacionadas a questões patrimoniais e conceitos como  cidadania, cultura e patrimônio.


De acordo com o contexto da escola foram desenvolvidas atividades socioeducativas em três formatos: 1. Mostra de filmes  sobre o tema da arqueologia 2. Oficinas vivenciais 3.   Exposição de artefatos preparados didaticamente  para a tarefa.

Procuramos orientar  diretores, professores e alunos da escola sobre a importância de a escola moderna entender que além de servir ao conhecimento do passado, os remanescentes materiais e imateriais da cultura são testemunhos de experiências vividas, coletiva ou individualmente.

São elas que permitem aos homens lembrarem e ampliarem o sentimento de pertencer a um mesmo espaço, de compartilhar de uma mesma tradição e desenvolver a percepção de um conjunto de elementos comuns que fornecem o sentido de grupo e compõem a identidade coletiva.

E que é neste contexto que entram os procedimentos desenvolvidos pelos educadores patrimoniais voltados para a sensibilização consciente do verdadeiro criador da cultura – O homem. É para ele, para que mantenha sua memória e seu coração integrado as suas origens que fazemos esse trabalho de educar patrimonialmente as pessoas.


Uma das Oficinas Vivenciais foi sobre o tema Para início de Conversa... O que é Arqueologia?

Neste caso seguimos o roteiro do Psicodrama Pedagógico:

Aquecimento Inespecífico - com uma musica bem cantada e bem dançada, com muito riso e barulho

Aquecimento Inespecífico Aquecimento Inespecífico

 

Aquecimento Específico – Este foi feito com uma boa conversa sobre o tema. Quem sabe o que é arqueologia? O que é um sítio arqueológico? O que fazem os arqueólogos? Quais as coisas que se encontram nos sítios arqueológicos? Quem gostaria de ser arqueólogo quando crescesse e outras mais. 

Aquecimento Específico Aquecimento Específico


Dramatizações
- Diversas foram as ações dramáticas improvisadas Todos prontos para a aprendizagem foram literalmente expostos a diversos objetos culturais patrimoniais, tanto de ordem material quanto imaterial.

Para colocar a pessoa literalmente com Mãos na Ciência diversas peneiras contendo material especialmente preparado para a atividade de educação patrimonial; Materiais arqueológicos sem procedência e fac-símiles foram cobertos com panos coloridos. Aos sujeitos foi dito que “eram sítios arqueológicos” e que eles poderiam “pesquisar” os objetos ali encontrados. Foi dito também que estes objetos pertenceram a seus antepassados (“cacaravós”* para eles!) e que  tinham origens diferentes: 

 

  • Os Sambaquianos que viviam no litoral e comiam frutos do mar deixaram em seus sítios montes de conchas a que chamamos de sítio sambaqui.
  • Os indígenas Tupiguarani – que caçavam animais , pescavam, comiam frutos e enterravam seus mortos em urnas funerárias moravam em aldeias como a do Japeri, por exemplo. 
  • Os brancos europeus que trouxeram as louças, os vidros e os metais para o Brasil;
  • Os africanos que mesmo escravizados, contribuíram com a produção da cerâmica neobrasileira mostrada em lindos cachimbos de barro e panelinhas de asa.

 


O Relatório Final deste trabalho, contendo todas as informações relativas à execução do Projeto foi entregue ao empreendedor e ao Iphan – RJ em novembro de 2013.

(*) O neologismo “cacaravós” ao invés de “tataravós” é utilizado pela autora como referência a muita antiguidade parental (mais de seis gerações) para a melhor compreensão do público infantil. Além de ser um termo jocoso e de fácil memorização. 

 

Ficha Técnica: