Projeto Integrado de Monitoramento JB-695 - Fase IV - Educação Patrimonial

Educação Patrimonial JB-695 – Arqueologia, uma Viagem no Tempo

Atendendo à exigência do Iphan de educação patrimonial conjugada a projetos de arqueologia, realizamos no último dia 26 de novembro o evento “Arqueologia, uma viagem no túnel do tempo” tendo como premissa conduzir a equipe de trabalho (25 pessoas entre operários e engenheiros) da empresa Tecto Engenharia e suas parceiras, as quais executam as obras que deram origem ao Projeto Integrado de Monitoramento JB-695, até à sede do IAB.

Às 07h30min da manhã o grupo embarcou no transporte, deslocando-se do bairro Jardim Botânico, no Rio de Janeiro (local da obra) em direção ao IAB, na cidade de Belford Roxo. Assim começava a “aventura” por meio da primeira Oficina que ocorreu já no próprio ônibus com a “Palestra e vivência sobre a caminhada do homem sobre a Terra – enfrentando o desconhecido”, ministrada pela Jandira Neto, arqueóloga e coordenadora geral do Programa, com respaldo do filme acerca da alegoria da “Caverna de Platão” e apoios do monitor Diego Lacerda e do arqueólogo responsável pelo Projeto de Monitoramento, Rhuam Souza.

 

O tema geral do trabalho tratou da diáspora humana do Homem Americano e sua chegada ao Brasil e a primeira Oficina discorreu sobre a questão da sobrevivência dos caçadores coletores e do modo como encaravam o Mundo Desconhecido. 

Foi solicitado ao grupo que colocasse uma venda nos olhos quando já se encontrava próximo ao IAB com o propósito de induzi-lo a experimentar a sensação de desconhecimento e insegurança que norteou diuturnamente a vida dos nossos ancestrais, enquanto nômades. Na chegada ao IAB os funcionários os aguardavam também de olhos vendados para igualmente experimentarem a sensação de estar em contato com o desconhecido, sendo igualados psiquicamente “a mesma condição” dos visitantes gerando assim uma maior facilidade de integração com os que chegavam, para que, durante o processo, fossem se transformando em uma Sociedade Tribal. 

Perguntados sobre a experiência de não ver para aonde estavam indo "um misto de medo, curiosidade, insegurança, tranquilidade, sensação de confiança e de desorientação foi comungado por todos", disseram os operários: Domingos Rodrigues (auxiliar de operador de perfuratriz), Henrique Santos, Bruno Dias (armador) Paulo (carpinteiro), Emerson Santos (vigia) Luciano (carpinteiro); os engenheiros: Sérgio Rodriguez, Jaques Rochlin e Custódio Oliveira e o empresário Gustavo Fleury.

Perguntada sobre a experiência de não saber a quem cumprimentava, a tônica da equipe do IAB foi de expectativa, curiosidade, de segurança e serenidade até porque se encontravam “em casa” em lugar seguro, e confiantes no processo. Impressões compartilhadas, entre outros, por Aldeci dos Santos (auxiliar de serviços gerais), Daiane dos Santos, Geovani Dionísio e Alessandro da Silva (auxiliares de laboratório); Sérgio Serva (arqueólogo coordenador do laboratório) e Soledade Neto (auxiliar administrativo).

 

O próximo passo foi a reorganização dos visitantes e de parte da equipe do IAB em quatro grupos distintos, identificados por cores, denominados “bandos” preparando-os para a terceira Oficina.

 

A segunda Oficina “O que o homem comia em terras desconhecidas” continuou sugerindo as restrições (comparadas a hoje) quando o IAB ofereceu um café da manhã tendo na base os alimentos encontrados nos caminhos que foram percorridos pelos nossos antepassados: basicamente folhas e frutas e raízes (“generosamente” complementados por mais do que nos alimentamos hoje em nossa primeira refeição).

 

A terceira Oficina foi aberta com uma breve palestra do Professor Ondemar Dias ressaltando o aspecto do “O Homem como caçador/coletor – o desafio da sobrevivência humana” e o grande salto que assegurou a perpetuação da raça humana após a descoberta do fogo.

 

Em seguida os “bandos” foram convidados a participarem de um jogo montado no gramado onde a cada jogada sua sobrevivência era ameaçada por picadas de animais peçonhentos, fortes tempestades, grandes rios e montanhas intransponíveis se não dispusessem de recursos para sobreviverem a tantos perigos. Exatamente como aconteceu com nossos ancestrais nos primórdios, onde sobreviver a cada dia era literalmente um ato heroico!

Ali os grupos competiam para sobreviver e sem perceber já exercitavam questões morais, que por certo foram vivenciadas pelo Homem já em tempos primitivos, do tipo: o que fazer com um indivíduo que foi picado por uma cobra, por exemplo, ajuda-o ou o abandona à própria sorte privilegiando a sobrevivência do grupo? Como era decidido, quem decidia e quais critérios eram utilizados?

Em meio a muita algazarra e protestos por alegações de “roubos” dos grupos opositores, todos se divertiram e puderam perceber como a essência humana para manter-se vivo foi a cada minuto testada e fortalecida pelas dificuldades. Ao final todos foram brindados com prêmios pelo excelente desempenho.

 

Sociedade Tribal

Dali foram convidados a dirigirem-se para a estratigrafia da exposição “O índio no recôncavo da Guanabara” Era a Quarta Oficina. E novamente os grupos foram privilegiados com uma exposição feita pelo Professor Ondemar Dias, da trajetória dos povos sambaquianos até a chegada do europeu quando encontrou no recôncavo da Guanabara o povo Tupi, ferozmente combativo e resistente à escravização.

 

Hora do almoço. Quinta Oficina. “A socialização humana – viver em tribos”. Uma breve explanação do que se alimentavam os primeiros povos e como chegaram à capacidade de domesticação de plantas e animais para a manutenção da vida, agora como sociedade tribal. O churrasco, acompanhado de leguminosas que foram domesticadas pelas primeiras populações, (sem arroz e sem linguiça, alimentos bastante atuais em nossa cultura) teve a proposição de continuar remetendo os grupos para momentos de sociedades bastante primitivas.

 

Sociedade de Contato

Sucinto descanso e todos já foram solicitados a conhecer a exposição “A evolução genética e cultural do povo brasileiro” que reúne preciosos achados desde esqueletos em sambaquis, passando por um conjunto inteiro de enterramento em urnas funerárias a uma múmia encontrada na cidade de Unaí-MG finalizando com artefatos de forte representação do colonialismo europeu, até os nossos dias.

Um mapa desenhado no chão da sala demonstra as trajetórias dos povos pelo território brasileiro. A atenção era máxima e a curiosidade e espanto com tanta informação incomum era quase uniforme nas feições daqueles que se sentiam, a cada novo espaço cultural, surpreendidos por tão inusitado passeio.

 

De posse dessas informações cada grupo era convidado a conhecer as outras instalações do IAB como a área de alojamentos de pesquisadores/estudantes, o eco museu (exposição de materiais de uma das primeiras tipografias do Brasil) os locais de guarda do acervo, o laboratório e a reserva técnica.

 

Sociedade Colonial

A finalização desta etapa se deu com a Sexta Oficina: a “Peneiras de Ciências” que foi a exposição dos materiais localizados exatamente no local onde eles trabalham atualmente: na Rua Jardim Botânico, nº 695. Uma pequena exposição de tamanha variedade de artefatos, originários de espaço tão familiar, fez com que eles percebessem, naquele momento, a importância da preservação do patrimônio, objetivo central de toda a estrutura apresentada. Mais uma vez reproduzimos aqui a fala do Domingos: “muitas vezes não damos valor por falta de conhecimento. O que não serve pra gente pode ser de grande valor para os arqueólogos...”

 

Mas eles ainda viveriam uma última e interessante experiência na Oficina denominada: “Voltando no tempo com segurança”. Tratava-se de “atravessar” uma ponte imaginária (feita com uma corda fina fixada no chão) com a representação de “animais ferozes” prontos para devorá-los caso não conseguissem realizar a travessia. Isso se deu com muita torcida para cada um que ousou tentar e depois de indagados sobre o que sentiram ouvimos depoimentos do tipo: “deu bastante medo e fez com eu me preocupasse um pouco mais com a minha segurança no trabalho”; ou: “me senti seguro e capaz de seguir em frente”, ou ainda: “devemos valorizar e preservar cuidadosamente os nossos sentidos como ver, por exemplo. Caminhar sem enxergar é muito difícil”.

 

Na despedida foi oferecido material didático e um jogo onde a pessoa realiza uma escavação arqueológica, desenvolvido como material de devolução social para o Projeto "Rua dos Inválidos".

 

Todo esse trabalho será igualmente devolvido em forma de vídeos, fotos e muita informação para todos os envolvidos no Projeto Integrado de Monitoramento Arqueológico JB-695.

A seguir transcrevemos a opinião, sobre o nosso trabalho, dos empreendedores que, pela primeira vez, participaram das mesmas atividades que os demais em nossa sede, inaugurando um momento especial em nossas atividades de educação patrimonial.

“Eu acho que foi um dia bem aproveitado. A experiência foi ótima e todos que participaram, acho que gostaram. Essa é a impressão que a gente tem: que eles saíram mesmo com outra cabeça, com outra informação...uma visão um pouco diferente. E tudo foi feito de uma forma bem profissional, de uma forma lúdica onde ninguém ficou entediado, todo mundo participou e foi ótimo. Espero que isso traga até outros frutos.                                                                  Sérgio Rodriguez, engenheiro civil e presidente da Tecto Engenharia 

O IAB está de parabéns por ter conseguido trazer uma turma de obra que tem uma atividade muito dinâmica e conseguir mantê-los concentrados aí durante quase oito horas; vocês estão de parabéns por trazer essa consciência de preservação de História, de Arqueologia. Eu acho que um povo sem memória não é nada. A gente tem que ter memória, tem que ter registro e, nesse sentido, vocês estão de parabéns.                                                                                    Jaques Rochlin, engenheiro civil e sócio da Tecto Engenharia

"Antes de tudo quero agradecer ao IAB por essa oportunidade. Eu acho que foi um dia de sábado bastante proveitoso, divertido e acredito também que tenha sido uma experiência única, principalmente assim... para quem não tem muito acesso à informação e cultura que é uma grande parte das pessoas que trabalham no ramo da construção civil. Eu vim com essas pessoas da obra e percebi que elas ficaram assim...gostaram muito das atividades... a dinâmica do que foi apresentado foi muito interessante, o linguajar foi muito acessível e é claro que as pessoas não vão guardar todas as informações, mas alguma coisa fica. Nas próximas obras vão perceber... até mesmo nessa obra vão perceber, saber identificar alguma coisa que possa ter uma relevância arqueológica ou não, mas acima de tudo é poder proporcionar a pessoas que não tem muito acesso à informação à cultura a conhecer um pouco mais da origem da nossa civilização...viemos pra cá, confesso, não só o grupo meu, mas também...[os demais] um pouco receosos, achando que podia ser uma dia um pouco monótono, mas não! Foi muito proveitoso. O IAB está de parabéns pela iniciativa e tomara que nós tenhamos outras obras com o mesmo perfil e que a gente possa novamente se reencontrar e curtir mais um pouco de arqueologia."                                                                                                                                                                                       Custódio Oliveira, engenheiro civil

Agradecemos imensamente a todos que colaboraram para mais esta realização, que confiaram em nosso trabalho e se dispuseram a participar das atividades, contribuindo sobremaneira para atingirmos nosso objetivo: educar patrimonialmente.

Agradecemos igualmente à dedicada equipe do IAB que, como sempre, profissional e coesa concorreu, mais uma vez, de maneira ímpar, para o sucesso das atividades.

Equipe:

Ondemar Dias
Jandira Neto
Rhuam Souza
William Cruz
Diego Lacerda
Antonia Neto
Soledade Neto
José Neto
André Kepler
Sérgio Serva
Cida Gomes
Débora Costa
Fabiana Silva
Marcos da Silva
Marilda da Silva
Alessandro da Silva
Geovani Dionísio
Daiane Knupp
Lusinete Knupp (colaboradora espontânea pelo Projeto "Amigos do IAB") 
Aldeci dos Santos
Anselmo dos Santos