Projeto: A Ocupação Humana da bacia do rio Guandu na Baixada Fluminense

Aprovado no Programa Nacional de Apoio à Cultura (PRONAC) e patrocinado pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (CEDAE), em 2016 e executado durante o ano de 2017, este Projeto viabilizou, entre outras ações, a publicação de um livro, resultado dos estudos e pesquisas acerca das ocupações culturais pré‐históricas, de contato, e aquelas estabelecidas no período histórico (colonial e/ou atual) na bacia do rio Guandu, na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

Isto se deu após a realização de pesquisa arqueológica de laboratório, complementar à já realizada entre 2009 e 2014 que, à época, permitiu o conhecimento extensivo da ocupação humana das margens do rio Guandu ao longo do tempo, a partir da análise dos artefatos e de outros vestígios, materiais encontrados nas escavações arqueológicas realizadas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, durante a construção da Rodovia Arco Metropolitano do Rio de Janeiro- Trecho C com a posterior divulgação dos dados publicados no livro “A Pré-história e História da Baixada Fluminense - a ocupação humana na bacia do rio Guandu” (Ondemar Dias & Jandira Neto, IAB Editora, 2017) e o principal objeto do Projeto.

Na primeira etapa de estudos e pesquisas objetivou‐se especialmente reanalisar os dados oriundos da pesquisa de campo que comprovassem ou refutassem a hipótese da existência de uma fase cultural ceramista da Tradição Tupiguarani na bacia do rio Guandu, e efetivou a reabordagem dos dados obtidos em laboratório; informações essas, resultado de análises classificatórias do material, de diferentes classes arqueológicas, recolhido durante as primeiras pesquisas.

Foram reabordados os dados dos sítios anteriores e feita a reanálise confirmatória da importância ou do destaque de sítios padrões que melhor vieram caracterizar os conjuntos culturais discernidos na primeira fase de análise.

Uma vez confirmado o destaque dos sítios considerados como padrões aprofundou-se a investigação, ultrapassando o nível da categorização e chegando à tipologia cultural, sobre cada um deles, ou do conjunto a que se filia.

Na segunda etapa foram socializados os resultados do conhecimento adquirido através das publicações do livro acima citado e da cartilha “Na Arqueologia, o que é de Educação Patrimonial?” (Jandira Neto, IAB Editora, 2017) item fundamental para o curso de 40 horas, mais um produto do Projeto, realizado no CIEP Maria Joaquina de Oliveira, em Seropédica-RJ.

Na primeira fase foram revisitados os sítios Aldeia de Itaguaçu I, Aldeia de Itaguaçu II, Aldeia Amundaba, Aldeia das Igaçabas, Fazenda Normandia, Japeri, Três Lagos e o Santa Ângela.

Para  atender  ao  objetivo  da  primeira  etapa  do  projeto,  de  reanalisar  em  laboratório  os  dados  de campo dos sítios pré-históricos e mistos pesquisados entre 2009 e 2014 durante o Programa de pesquisas Arqueológicas do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, foi previsto  efetivar  a  reabordagem  destes  sítios  já  pesquisados,  para  reanálise  confirmatória  de  sua importância, através de revisitação aos sítios-padrões e avaliação do estado atual em que se encontram.

Reanálise do material Arqueológico com Aplicação do Método Ford

 

Este método já havia sido testado em diversas partes do mundo e, em particular, se mostrou de extraordinária relevância para o entendimento da potencialidade do material arqueológico brasileiro com ênfase no material cerâmico. Sua aplicação ampliou significativamente as possibilidades interpretativas, baseadas nas micro diferenciações e nas análises quantitativas dos dados e de modo surpreendente.

As análises foram desenvolvidas pela equipe de Laboratorio do IAB, os dados utilizados na pesquisa foram aqueles oriundos dos resgates feitos nos sítios Aldeia de Itaguaçuu I e II e Aldeia das Igaçabas.

Histórico

 

Os resultados alcançados pelo Programa de Pesquisas Arqueológicas desenvolvido pelo IAB entre 2009 e 2014 demonstraram a grande importância daquele território no panorama da ocupação humana do Estado do Rio de Janeiro, face à constatação da existência de assentamentos pré‐históricos da Tradição ceramista Tupiguarani na região estudada. A maior parte da região onde se localiza a bacia do rio Guandu pertenceu à Companhia de Jesus até meados do século XVIII quando os jesuítas foram expulsos de Portugal e das suas colônias. Ainda que o núcleo das propriedades inacianas tenha passado para o governo colonial e depois imperial, grande parte do seu território passou para mãos de populares. Se os jesuítas mantinham, em parte das suas propriedades, populações indígenas protegidas, de Santa Cruz a Itaguaí, após sua expulsão, exceto na aldeia de Itaguaí, em todo o restante do território, perderam‐se as referências às comunidades indígenas. Das antigas populações indígenas, que haviam sido duramente combatidas dos anos finais do século XVI até os séculos seguintes, restaram somente núcleos esparsos na área da Serra Fluminense e no rio Paraíba. Assim como no resto do Estado, a expansão da economia açucareira se fez também pela região, com a criação de novas freguesias (como Itaguaí e Seropédica que se juntaram às freguesias de São João de Meriti, Santo Antônio de Jacutinga, Pilar do Iguaçu, Marapicu e Piedade do Iguaçu). Desalojados, os jesuítas, do seu território foi ele incorporado, ainda no século XVIII, ao sistema econômico colonial, que a partir daquele século se desenvolveu, sobretudo pelo estabelecimento do caminho novo de Rodrigo Paes, ligando a região das minas com a cidade, capital do Vice-reinado, rota de fundamental importância que substituíra o Caminho Velho de Parati, até por sua vez, ser ultrapassado pelos caminhos de ferro, adiantado o século XIX. Seus rios, como o Guandu, foram vias de comércio somente ultrapassadas pelas mesmas ferrovias. Área, portanto, de intensa circulação comercial, intimamente ligada à capital do vice‐Reinado; depois sede do império português, do império brasileiro e primeira capital da República.

Destarte, a bacia do rio Guandu passou também a ter grande importância no contexto da história do abastecimento de água e energia elétrica para o Estado do Rio de Janeiro. O rio Guandu foi o caminho utilizado pela LIGHT para o escoamento das águas do rio Paraíba do Sul quando foi edificado o complexo Paraíba‐Vigário para geração de energia do Rio de Janeiro. No início da década de 1950, o contínuo crescimento das demandas de água da cidade do Rio de Janeiro, levou à captação das águas do rio Guandu, já acrescido de águas dos rios: Paraíba, Piraí, Ribeirão das Lajes, Poços e Santana.

Em 1951 iniciou‐se um planejamento para suprir as necessidades de água até 1970 e o manancial escolhido foi o rio Guandu, com uma capacidade de 1,2 milhões de litros por dia. Apesar da importância da área para o Estado do Rio de Janeiro, o Programa de Pesquisas Arqueológicas de 2009 a 2014 relativos aos estudos para implantação do Arco Metropolitano foi o primeiro de grande vulto a ser cientificamente conduzido na área e que abarcou tal extensão territorial, permitindo visualizar, ainda que em suas linhas gerais e em termos passiveis de comparação, o complexo cultural ali desenvolvido ao longo de tantos séculos. Ao escolher este tema pretendemos não só construir um primeiro e básico panorama de conhecimento amplo sobre a ocupação humana do território, como aprofundar o conhecimento sobre o contexto histórico e cultural de toda esta extensa área, em especial comparando as evoluções paralelas com o núcleo urbano principal, formador da capital estadual, com a qual se manteve inelutavelmente associada. Dado à importância do nosso Estado no panorama nacional, uma vez concretizado, este Projeto poderá servir de modelo para experiências similares em outras unidades da federação.

 

Sítios revisitados 

 

Aldeia de Itaguaçu I

 

A  análise por C14  (Carbono 14)  apresentou a seguinte datação  para este sítio: 370  = ± 30BP (Ano 1580 Sec. XVI).

Localizado durante o monitoramento da BR 493 em elevação ampla, abrangendo dois morros geminados os  quais  foram  utilizados  como  jazida  de  empréstimo  de solo. Pelo tamanho da área de impacto foi delimitada uma ampla poligonal para a pesquisa de resgate.

Durante o resgate tornou-se claro que as ocorrências de material se estendiam para ambas as elevações, de  forma  que  a  vertente sudeste  foi  identificada  como  outro  sítio  (Aldeia  de Itaguaçu II) e a vertente noroeste recebeu a denominação de Aldeia de Itaguaçu I. Distantes 110 metros da margem esquerda do rio Guandu, em seu curso encachoeirado.

Após limpeza de superfície e demarcação em setores,  foram  procedidos  caminhamentos objetivando a  pesquisa  mais  acurada  de  superfície.  A alteração antrópica intensa da área já existia em função de obras iniciais de terraplanagem e também de aproveitamento do solo para a agricultura local em épocas anteriores.

A área muito extensa exigiu que antes da abordagem intensiva fossem efetuadas sondagens a cada cinco metros em uma extensa malha que objetivou definir a distribuição do material cultural ao longo do sítio. Foram observados os compartimentos verticais (profundidade de ocupação) e espaciais (concentração de material) para determinar as áreas mais propícias à efetiva escavação.

Para a abordagem intensiva (escavações) foram definidos sete setores de 4m² mais próximos das estacas  de  sondagens  selecionadas  inicialmente  pela  presença  de  material.  Destes, destacou-se o AC6 onde foi encontrado um vasilhame cerâmico similar a uma urna encontrada no sítio Aldeia de Itaguaçu II, de aproximadamente 30 cm, bastante fragmentado. Depois mais outro foi recuperado próximo a uma urna funerária.  Este foi configurado como um conjunto funerário único.

Na fase seguinte do Monitoramento durante a retirada de argila da jazida para aterramento da estrada tornou-se necessário novas intervenções de escavação do sítio para coletar novas urnas que ficaram a descoberto quando da terraplanagem de novas áreas do morro. Dessa feita mais 32 (trinta e dois) setores de 25m² foram demarcados, mais um corte com 2.60X2m (5.20m²) estendido para retirada de urnas e quatro longas trincheiras de 30 metros de extensão por 1 de largura. Como resultado foram detectados 17 setores com ocorrências e exumados diversos conjuntos cerâmicos de importância. Além desse material foram identificadas  três  áreas  de  combustão  (localizadas  nos  Setores  W7,  W8  e  X7)  que  se destacaram pelo grande volume de material arqueológico encontrado.

Um aspecto a ser considerado refere-se ao assentamento das urnas funerárias. Observou-se que as mesmas apareceram entre a base da camada orgânica e no topo do solo composto por argila amarela e entre os 10 e os 30 cm de profundidade. Apesar da identificação de fogueiras, das urnas e de vasilhames, não foi possível definir a área habitacional do sítio em questão.

Tais inferências vieram agora, reelaboradas com maiores detalhes, após a análise laboratorial e de distribuição espacial dos dados advindos da pesquisa de campo à época e de novos dados coletados nesta revisitação.

Durante a revisita no sítio Aldeia de Itaguaçu I, verificamos que a área do morro utilizada em 2013 como jazida de argila, hoje se encontra recoberta com vegetação rasteira e que em seu entorno uma cerca de arame farpado foi colocada, servindo atualmente de curral de criação de caprinos em seu interior.

Foi feito então um caminhamento na área externa da cerca e, ali sim, expostos na superfície, pelas últimas chuvas, diversos novos fragmentos de cerâmica indígena, ora coletados e agregados ao material já constante na reserva técnica do IAB para complementação dos estudos que viriam na sequência.

Estratigrafia da terraplenagem ainda existente no barranco... ...com caco de cerâmica exposto

 

Sítio Aldeia de Itaguaçu II

 

Sítio Pré-histórico, localizado no alto de uma elevação, na margem esquerda do rio Guandu a 45 metros de altitude. Infelizmente a amostra de datação foi contaminada, tendo que ser refeita futuramente.

Foi localizado durante o Monitoramento Arqueológico para retirada de argila da jazida de empréstimo de solo para as obras do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro. A poligonal traçada incluiu o morro do Sítio Aldeia de Itaguaçu I ao qual é geminado.

Inicialmente se pensou em considerar a ocupação dos dois morros como sendo um único sítio mas, posteriormente, pela grande extensão das aldeias e diferentes momentos de localização e escavação,  achou-se  por  bem  tratá-los  separadamente. Assim, a vertente sudeste foi registrada como Sítio Aldeia de Itaguaçu II e a vertente noroeste recebeu a denominação de Aldeia  de  Itaguaçu  I.  Ambos se encontram a 110 metros do rio Guandu e a 70 metros de suas cachoeiras na margem esquerda no município de Seropédica.

Durante o resgate foi feita a limpeza, a caracterização da superfície, um caminhamento complementar e posterior setorização. A abordagem intensiva teve como objetivo explorar áreas em que a pesquisa de superfície demonstrara ocorrência de maior volume de material.

As atividades concentraram-se nas áreas dos setores M14 e M15, sendo recuperada, nesta última, uma urna funerária. Em seguida a pesquisa se estendeu para a exploração de mais 21 setores. No setor N17 a escavação localizou mais uma urna bastante fragmentada.  A peça continha uma tampa, com vestígios de pintura, emborcada sobre a urna principal, além de outros fragmentos pertencentes a uma terceira peça.

Abordou-se também uma área entre os pontos M14 e N14. Foram localizados fragmentos de cerâmica e  duas manchas  de  fogueira. Coletado carvão submetido à análise C14 e cacos de cerâmica.  Naquela oportunidade se concluiu que este Sítio e seu vizinho, o Sítio Aldeia de Itaguaçu I, compartilhavam uma crônica ocupacional semelhante e se vinculavam à mesma Tradição cultural ceramista, a Tupiguarani ou Tupi.  A revisita a este sítio agora nos trouxe as seguintes informações: a área do sítio foi vendida ao Senhor Flávio de Almeida, que cercou o terreno.  Seu caseiro o Senhor Raimundo foi nosso informante. O caminhamento no terreno mostrou que foi efetuada uma raspagem no solo próximo à residência variando de 5 a 70 centímetros e que nesta área decapada foi construído um canil de 9m² e levantada uma cerca para criação de caprinos.

Em 2013 já havíamos constatado a presença de uma piscina no local. Com a nova raspagem apareceram novas  evidências  na  parte  de  trás  da  casa,  mostrando  então  a  possibilidade  de não ter havido muita destruição da  área arqueológica.  Foi efetuada uma coleta sistemática de superfície do material cerâmico aflorado na área decapada e sugerimos aqui que a vertente sudeste do sítio (e que não sofreu decapagem por máquina) possa  vir  a  ser  reabordada arqueologicamente  em  uma  oportunidade  futura. O material coletado aparenta diferenças com o anteriormente coletado.

 

Estratigrafia aparente no corte do barranco após decapagem coleta sistemática em superfície

 

Sítio Aldeia Amundaba

 

Com datações de C14 de 600 ± 30 BP (Ano 1350 Sec. XIV), este sítio foi localizado em agosto de 2012 no município de Seropédica, RJ e integra o contexto geográfico característico da região: extensa baixada dominada pelos depósitos da bacia do rio  Guandu e ainda  o entorno periférico colinar limítrofe da Serra do Mar. Situado nas proximidades das elevações típicas da área, o sítio ocupa uma planície, à cerca de um quilômetro da margem direita do rio, em trecho encachoeirado.

Quando da sua delimitação foi realizada extensa malha de tradagens dentro da poligonal. Para a escavação foram demarcados 32 setores alfanuméricos, dos quais foram escavados 28  setores. Dentre estes, foram realizadas sondagens nas intersecções das linhas desetorização e nos 28 setores foram abertos cortes de 4m2 cada um, sendo que somente em quatro deles não foram exumadas evidências arqueológicas (setores B8, C8, D8 e  D7). Estes se encontravam no limite a sul da malha de setorização e confirmaram observações preliminares de que o material arqueológico se encontrava predominantemente no extremo noroeste da área setorizada.

Foi coletada uma urna com decoração corrugada, de Tradição Tupiguarani, com bordas já destruídas  por  ação  antrópica.  Esta urna, pelas suas características tipológicas e associação aos demais artefatos cerâmicos evidenciados neste sítio, permite tipificá-lo como uma área de habitação de comunidades indígenas da Tradição Tupiguarani (ou Tupi do Litoral).  Mas devido aos profundos impactos antrópicos associados à remoção de areias e ao plantio não foi possível definir claramente suas áreas habitacionais.

Na revisitação pudemos constatar que o terreno continua sendo utilizado para o plantio de mandioca. Com autorização do proprietário entramos na plantação e ainda foi possível coletar diversos fragmentos cerâmicos em superfície por conta do revolvimento do solo.  O material coletado foi anexado ao conjunto anterior e analisado.

Solo revolvido para plantação de mandioca

 

Aldeia das Igaçabas

 

Datado por C14 em 400 ± 30BP (Ano 1550, Sec. XVI),  este  sítio  cerâmico  da  Tradição Tupiguarani foi localizado em área plana implantada entre morros, nas proximidades do rio Guandu, em agosto de 2012.

Teve sua poligonal delimitada durante o monitoramento arqueológico quando da abertura do terreno ainda para as obras da Rodovia acima citada. Com a evidenciação de material arqueológico indígena, foi feita uma malha de sondagens com cavadeira manual “boca de lobo” para averiguação. Durante a atividade, além do uso do terreno para assentamento da, então, futura estrada, constatou-se também a já existência de um acesso para a BR-116 e para um haras cortando a área do sítio.

Área muito extensa exigiu fosse foi dividida em quadrantes para a abordagem arqueológica.

Quadrante Norte - linha alfabetada de A a Z e a numerada de 0 a 24;

Quadrante Sul - de A a D e de 0 a 6; 

Quadrante Leste - de A a D e de 0 a 24;

Quadrante Oeste - de A a Z  e de 0 a 6.

Quadrante Norte – Englobou uma área de 110 x 120 metros, quase totalmente plana, com cobertura vegetal de gramíneas na maior parte.  Neste foram abordados 58 setores com diversos cortes estratigráficos, em sua maioria com dimensões de 2x2 metros e uma trincheira. As peças resgatadas neste quadrante apresentavam, em sua maioria, somente a parte inferior ou de sua metade para baixo, corroborando a hipótese do corte por lâminas de máquinas de terraplanagem em momentos anteriores.

Quadrante Sul – Dimensões de 30x20 metros com 20 setores de 5x5 metros. Foram abertos dois cortes, um deles para salvamento de urna funerária e seis conjuntos cerâmicos revelados pela ação das máquinas de terraplanagem. Observou-se que, em algum momento no passado, teve sua camada arenosa superior removida por esse tipo de ação.

Quadrante  Leste  -  Área  medindo  120x20 metros o mais próximo da rodovia, onde  foram estabelecidos 96 setores. Este quadrante apresentou o menor número de materiais arqueológicos, possivelmente por tratar-se da periferia do sítio arqueológico.

Quadrante Oeste – Localizado em área de declive, com dimensões de 110X20 metros, onde foram delimitados 132 setores de 5X5 metros e cortado parcialmente por uma antiga estrada vicinal que dá acesso às fazendas da região. Mesmo o terreno estando bastante degradado por exploração de jazida de argila para construção, ainda assim foi possível resgatar um substancial número de fragmentos cerâmicos para esta análise.

Na revisitação pudemos constatar que o centro da poligonal do sítio hoje se encontra no meio do asfalto da BR-493 (Rodovia  Raphael  de  Almeida  Magalhães ou Arco Metropolitano), não restando muito a  ser revisto. Em função da hipótese de que num vale próximo estivesse o “fundo da aldeia” efetuamos uma vistoria mais minuciosa da área de paisagem arqueológica daquele sítio, mas infelizmente nenhum vestígio arqueológico foi encontrado, descartando, portanto, aquela hipótese.

Centro da poligonal do sítio Vale interior do “ fundo da aldeia”

 

Sítio Fazenda Normandia

 

Também datado por C14 em 320 ± 30BP (Ano 1530, Sec. XVI), ou seja, aldeia existente ainda quando da descoberta do Brasil foi identificado como sítio pré-histórico da Tradição cerâmica Tupiguarani.

Localizado no município de Japeri em Engenheiro Pedreira, RJ, está situado numa elevação e ocupa um platô, com vista para a o rio Guandu, que dele dista 800 metros.

Área  ocupacional  impactada  pelo  uso  da  terra  voltada  para  atividades  agrícolas, nomeadamente para o plantio de mandioca e pastagem de gado. Na época da pesquisa seu proprietário informou que, há pelo menos duas gerações, vem sendo usado para plantio pela sua família. O surpreendente é que, apesar de todos os impactos sofridos também pelas obras do Arco Metropolitano, boa parte dele se encontrava preservada.

Sua  abordagem de pesquisa intensiva se fez em  cima  de  40  setores,  todos  com  25m².  Os cortes praticados nestes setores foram abertos nas dimensões de 5m², exceto nos Setores  A4 e A5, em que mediram 5X2 metros (10 m² cada um). A distribuição do material cultural ao longo do terreno foi pesquisada através de sondagens na intersecção das linhas de setorização, objetivando determinar melhor a área para implementar os cortes de pesquisa. A escavação foi  praticada  em 16 setores. Nos Setores A0 a A5, foram  resgatados vasilhames de cerâmica a 30 cm de profundidade.

O  vasto  material  coletado  permite  inferir tratar-se de um sítio com ocupação da Tradição Tupiguarani que ocupa um topo de platô na área da bacia do rio Guandu. Não foi possível, durante as pesquisas, atuar-se em todo o sítio, pois estava em época de plantio e havia gado pastando, mas os cortes abertos foram suficientes para bem caracterizar o sítio, entender sua  distribuição, composição estratigráfica e filiação cultural em relação à bacia do Guandu.

Nesta revisitação pode-se observar o revolvimento de solo recente para plantação de mandioca e, como as áreas de entorno também se  encontram cobertas de pastagens, tivemos dificuldades para visualizar a superfície. Não foi localizado nenhum vestígio nesta revisita. Até esta data este sítio se encontra parcialmente preservado para pesquisas no futuro.

Caminhamentos sobre o terreno Vistoria de locais pesquisados anteriormente

 

Sítio Japeri 

 

Sítio cerâmico associado à Tradição Tupiguarani, cuja amostra contaminada não permitiu a datação. Com reocupação Colonial posterior foi classificado como sítio misto ou de Contato dentro  do  Programa  de  Pesquisas  do  Arco  Metropolitano  e  registrado  como  o  seu  primeiro aldeamento tupi.

Encaixado num  relevo na  base de uma elevação média aproximadamente 1000X120 metros, margeava pequeno córrego a seis quilômetros da margem esquerda do rio Guandu.

Foi  descoberto em 2009, durante a supressão vegetal de parte da Floresta Nacional de Eucaliptos  Mario  Xavier - FLONA  para  abertura da estrada, pela  equipe  de  monitoramento  do Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB).

Encontrava-se na AID em cerca de 8.000 m² dos quais 5.300m2 eram literalmente ocupados pelo sítio arqueológico. Foi inicialmente caracterizado pela pesquisa de superfície, limpeza do mesmo e setorização. Pelas suas dimensões foi setorizado em três quadrantes, Leste, Sul e Norte com o Marco Zero localizado no centro. Cada um dos dois quadrantes foi então subdividido em áreas de 40X40 metros para a abordagem intensiva.

Quadrante Leste – Teve como limite ao norte uma plantação de eucalipto; ao sul a estrada RJ-125, a oeste um morro dentro da FLONA e a leste o riacho.

Foi novamente setorizado alfanumericamente em dimensões 4m² cada um, tendo sido abertos 47 setores onde todos apresentaram material arqueológico, principalmente cerâmico, incluindo uma imensa urna funerária Tupiguarani. A profundidade média foi de 40 centímetros, com material indígena pré-colonial e material histórico. A urna funerária foi  localizada na interseção dos setores  J10, J11, L10 e L11. Possuía tampas já fragmentadas e uma vez retiradas, a peça principal, carenada, pode ser visualizada. Para sua exumação tornou-se necessária a abertura de um corte de 2x2m (4m2). No seu interior constatou-se a presença de grande quantidade de partes fragmentadas de tigelas pintadas com engobo branco, bem como sedimento arenoso de cor marrom.

Quadrante  Sul - Trecho  em  declive  no  sentido  leste/oeste, nos limites do sítio. Foram escavados mais 18 setores de 4m2, em diferentes profundidades atingindo até 80 centímetros.

Todos os  setores escavados forneceram grande quantidade de material. 

Quadrante Norte – Foram estabelecidas 55 sondagens nas linhas de intersecção dos setores, em 13 das quais foi recolhido material arqueológico. Além das sondagens foram escavados 19 setores  com a média  de  4m2,  escavados  até  90  centímetros  de  profundidade,  ainda  que  a média girasse em torno de meio metro. A  coleta  consistiu  basicamente  de  cerâmica  pré-histórica,  de  fragmentos  com  decoração plástica  e  pintada,  nos  padrões  típicos da Tradição Tupiguarani. Os artefatos líticos foram compostos por lascas de quartzo hialino (resíduos  de  lascamento),  pré-formas com córtex  e lâmina de machado picoteado.

No que tange ao material histórico foram recolhidos inúmeros fragmentos de louça, peças neobrasileiras, cachimbos e artefatos de metal. Sítio classificado como “misto” ou bi ocupacional, constitui-se como o mais importante entre os demais. Sem dúvida trata-se de local de aldeamento Tupi e que, posteriormente foi reocupado no período colonial, possivelmente para atividades agrícolas e ainda mais tarde, ou recentemente, para plantio de eucalipto. Deve ser também destacado que, apesar da sua considerável extensão, não foram localizados restos de estruturas rurais coloniais, apesar do excelente acervo histórico recuperado.

Nesta  revisitação do sítio pudemos avaliar que a continuação da área preservada, muito provavelmente, se encontre no lado interno da cerca que margeia a rodovia  dentro da FLONA. Nesta abordagem foram localizados ainda alguns fragmentos cerâmicos em superfície. O extenso capinzal de touceiras e a plantação de eucaliptos que recobre a área dificulta a observação do local que reduziu a pesquisa a AID naquilo que foi absolutamente necessária ao seu intento. O pequeno córrego que recorta o sítio está coberto por gigogas ou (yaperi).

Capinzal e eucaliptos Material arqueológico em superfície

 

Sítio Três Lagos

 

Sítio de Contato histórico colonial com presença de cerâmica indígena, distando 1.300 metros do rio Guandu, implantado em área entre morros, acidentada, já impactada anteriormente por atividades antrópicas possivelmente associadas à extração de areia. A área abordada pela pesquisa encontrava se na AID espalhada numa área total de 11.000 m². Localizado durante o monitoramento das obras recebeu o mesmo procedimento adotado pelo IAB: caminhamento de  superfície, limpeza do local para observação, avaliação de danos e distribuição das ocorrências.

Na abordagem intensiva foi subdividido em três áreas denominadas  “A”, “B” e “C”  para  a efetivação do  procedimento de resgate.

Área A -  Situada mais próxima ao eixo da estrada, em uma pequena elevação com 1 metro de altura (em média), já impactada pela terraplanagem da área do entorno; ali foi localizada uma  pequena estrutura de tijolo maciço e argamassa de cimento com dimensões aproximadas de 2,40X2,10 metros e foram escavados quatro setores com 4m2. O material arqueológico coletado aqui foi basicamente colonial com presença de alguma cerâmica indígena.

Área  B  - Localizada entre o limite da Área A e a  margem esquerda da rodovia, onde se localizava um talude entre a cerca e a estrada, foi definida como de interesse arqueológico  em função da grande quantidade de fragmentos de louça encontrados na superfície e  visíveis  na estratigrafia formada quando da feitura do corte do talude. Em superfície, foram coletados apenas fragmentos de louça e vidro, mas tanto no nível 0-10 cm quanto no 10-20 cm ocorreram artefatos de cerâmica pré-histórica, misturados com louça, vidro, metal e stoneware.

Área C - Esta área se localizava entre o limite da Área A e a margem direita da estrada até o limite da cerca. Não houve ocorrência significativa de vestígios arqueológicos.  A proximidade com o sítio Japeri, seu vizinho, talvez explique a presença de material pré-histórico ali coletado.

Durante a revisitação constatamos que a maior parte da poligonal se encontra hoje no meio da via do Arco, mas na parte que ficou na margem ainda encontramos alguns fragmentos soltos, desbarrancados ou presos à parede daquele. O restante está com vegetação de mato rasteiro não permitindo visualização da superfície. 

Parede do barranco na poligonal Superfície que restou encoberta com mato

 

Sítio Santa Ângela

 

Sítio Cerâmico da Tradição Tupiguarani, localizado em planalto, situado a 50 metros do Rio Guandu. A delimitação do sítio foi feita através de prospecção com boca de lobo, sendo identificado material cultural em subsuperfície no cercamento junto à rua de acesso. Embora esteja em área de influência indireta do Arco Metropolitano, está em risco de destruição por ser de propriedade particular de pequeno fazendeiro (orientado agora para não atuar na área do sítio até sua pesquisa ser efetivada). Desde setembro de 2012 está aguardando recursos para sua prospecção de caracterização já autorizada pelo IPHAN, mas  não concretizada até a data de encerramento do Contrato da SEOBRAS com o IAB em 2014.

Seu resgate se configura como de grande importância para um melhor ou mais completo conhecimento a respeito da ocupação pré-histórica do vale do rio Guandu. Primeiro, pela sua inegável relação com os demais sítios tupis localizados nas proximidades (Sítio das Igaçabas, Aldeia de Itaguaçu I e II)  destacando-se a possibilidade da existência de um antigo curso d’água ligando-o ao Sítio das Igaçabas que desaguaria no braço do Guandu que cerca o sítio, onde se localizaria o porto daquela aldeia, a “piaçaba” em tupi.

O segundo é que, numa localização bastante rara em terras fluminenses, embora comum em outras unidades da Federação Brasileira, a possível aldeia se assentou nas margens de uma corredeira, um local preferencial para a pesca, sobretudo em época de piracema. Além disso, naquele ponto o rio Guandu se alarga, o que dificultaria a sua passagem e ajudaria a controlar sua navegação, o que se constituiria como mais um elemento de defesa e/ou de poder para a comunidade que controlasse aquele ponto estratégico. Deve ser destacado que o curso encachoeirado do rio Guandu se estende por mais de  nove  quilômetros, iniciando-se à cerca de 400 metros acima do sítio Aldeia de Itaguaçu I.

A  expectativa  é  a  de  que  todas  as  interpretações e a reconstituição cultural daquelas comunidades tribais da bacia do Guandu se completem com mais estes dados.

Na  revisitação reencontramos o antigo proprietário que se mostrou  disposto  a colaborar com a prospecção. O sítio ainda está totalmente preservado e desconhecido. A vegetação de arbustos, espinhos e moitas de capim dificultaram a observação direta de sua superfície, mas as chuvas e enchentes da corredeira do rio já desbarrancaram boa parte de sua área. As estacas de demarcação do sítio, fixadas na época, também não se encontram mais lá, porém o terreno não foi usado para nenhuma outra atividade de plantio, pastagem ou passagem. Ao lado da poligonal do sítio encontra-se uma ilhota que possivelmente faria parte da extensa área do sítio. Por dificuldades de acesso não foi abordada.

Durante esta revisita, foram encontrados a 200 metros de distância do sítio, vestígios de uma ocupação colonial. Foram registrados alguns fragmentos de louça shell edge, vidro, lajota, tijolo e cerâmicas, provavelmente do final do século XIX e início do XX.

Ilhota sem fácil acesso Arbustos de espinhos e capim.

Conclusão

 

Ficamos otimistas pelo fato dos sítios revisitados não terem sofrido demasiados danos.

Os resultados das análises apresentaram um conjunto de fases da Tradição Tupi com peculiaridades locais informando características de influência do Sul e ocupação do final do século XV ao início do XVII.

 

Projeto Editorial e Produção Gráfica

 

Nesta segunda etapa foram socializados os resultados do conhecimento adquirido, através das publicações. Para isso foi elaborado o livro bilíngue, “A Pré-história e História da Baixada Fluminense - a ocupação humana na bacia do rio Guandu” (Ondemar Dias & Jandira Neto, IAB Editora, 2017) a cartilha de Educação Patrimonial “Na arqueologia, o que é de Educação Patrimonial?” (Jandira Neto, IAB Editora, 2017) contendo um jogo da memória e um DVD com três revistas eletrônicas e um filme do levantamento de Patrimônio Cultural Imaterial.

Para elaboração do livro, cartilha, DVD e jogo da memória foram reabordados os dados sumarizados no relatório final da pesquisa anterior, em especial os relativos à Educação Patrimonial aplicada e aos estudos para Inventário Cultural do Patrimônio Imaterial os quais já produziram farta documentação, na qual serão vinculados novos dados. O  livro é dirigido para o público adulto em especial, o acadêmico. A cartilha para o público infanto‐juvenil foi produzida de forma a orientar os professores e alunos no tema, em forma de texto em quadrinhos e ambos foram distribuídos em inúmeros eventos cujos links estão listados abaixo:

IAB Realiza Culminância da I Semana de Meio Ambiente na Câmara Municipal de Belford Roxo

IAB é Homenageado com o "Diploma Heloneida Studart deCultura de 2017"

Lançadas Oficialmente as Primeiras Publicações da IAB-Editora!

40 Horas Aplicando o Método do Psicodrama Pedagógico na Educação Patrimonial!

IAB Celebra Dia Nacional do Patrimônio Histórico

 

Um pouco de muita coisa

 

Este livro é parte das publicações que visam divulgar os resultados das pesquisas arqueológicas e de divulgação desenvolvidas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira - IAB entre 2009 e 2014 durante o monitoramento das obras e das escavações que acompanharam a implantação da Rodovia BR-493-RJ-109 - Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, nos 72 quilômetros que cortaram o estado nos Municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí, com ênfase na Pré-história da ocupação humana nas margens do Rio Guandu, na Baixada Fluminense.

Em 2009 foi aprovado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan um amplo Programa com a seguinte denominação:

BR-493-RJ-109-Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - Monitoramento Arqueológico das Obras da Estrada: salvamento ou resgate arqueológico dos sítios encontrados pelas prospecções arqueológicas; atividades de divulgação e estudos de patrimônio imaterial. 

Este Programa objetivava desenvolver pesquisas arqueológicas que tinham por meta da Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro-Seobras a obtenção da Licença de Instalação de Operação (LO) perante os órgãos de tutela, em atendimento às disposições legais da Portaria 230, de 2002, que regia o assunto.

Para o IAB foi a oportunidade de desenvolver com recursos humanos e financeiros o maior e melhor projeto de Arqueologia para a região da Baixada Fluminense, já que, até aquele momento, apenas sete sítios arqueológicos haviam sido registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) do Iphan para esta região. (parte da apresentação do livro pelos seus autores).

Estas publicações - o livro e a cartilha abaixo descrita - só foram possíveis graças à Lei de Incentivo à Cultura patrocinada então pela CEDAE - Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro, a quem agradecemos ter considerado o nosso projeto de relevância para a Cultura.

 

Sobre a Cartilha de Educação Patrimonial

 

Quando as pesquisas arqueológicas são feitas para atender a obras de grande impacto no solo é mais importante ainda se pensar em ter a consciência e o foco na preservação do possível patrimônio envolvido no procedimento.

Foi assim que surgiu a necessidade de se criar um caminho para sensibilizar as pessoas quanto à necessidade da preservação do Patrimônio, seja ele Natural ou Cultural, Material ou Imaterial e assim foi determinado, como meio, o procedimento conhecido como Educação Patrimonial. 

E a melhor maneira que o Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB encontrou para traduzir esses valores foi aplicando, nas suas práticas de educação patrimonial, o método do Psicodrama Pedagógico que se desenvolve em quatro etapas: o aquecimento inespecífico, o aquecimento específico, a dramatização e o compartilhamento.

O objetivo do método é tentar fazer compreender, os envolvidos no processo, a relevância da descoberta para a sociedade como um todo e que se encontra descrito didaticamente nessa Cartilha a qual desejamos torne-se importante instrumento de capacitação de valorização real da nossa Memória.

A cartilha de Educação Patrimonial é acompanhada de um CD contendo duas revistas eletrônicas; uma sobre as pesquisas arqueológicas do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, outra com os trabalhos de educação patrimonial que foram aplicados em 234 escolas da Baixada e um filme sobre o Patrimônio Cultural Imaterial de algumas cidades da Baixada Fluminense, mais um jogo da memória com figuras de patrimônios desenhados por estudantes dessas escolas.

   

 As publicações estão disponibilizadas para serem adquiridas na banca de jornal situada na Av. Almirante Barroso à altura do nº 25 em frente à Caixa Cultural no Centro do Rio de Janeiro-RJ por R$ 60,00 o livro e R$ 30,00 a cartilha.

Também poderão ser adquiridos na sede do IAB em Santa Tereza-Belford Roxo-RJ.