Sítio do Morro

Sítio do Morro

 

É o segundo sítio Tupi da área, distante cerca de 500 metros a Oeste do Sítio da Baixada.

2016 - Utms vista da Subestação de Furnas

O Sítio do Morro, cuja descoberta é recente e se deveu à abertura da Estrada “do Tibiriçá” que corta a elevação na sua parte mais alta e corre praticamente em sentido Norte Sul. Essa elevação é das mais altas da região, mas não ultrapassam os 80 metros de altitude. Localiza-se nas proximidades dos “dois marcos em pedra e do valão” de demarcação de terras dos engenhos do Calundu e da Vitoria, já descritos naqueles sítios e é pobre em material arqueológico.

1995 - localização espacial 1995 - Marco do engenho 1995 - Outro marco

Sua localização é considerada anômala por fugir ao padrão, não só dos demais sítios da área, quanto dos daqueles que caracterizam esta Tradição no Sudeste do Brasil. De fato, a maioria deles é composta por sítios localizados em meias encostas colinares, próximos a pequenos cursos d’água. Mas podem ser encontrados, também, nas restingas arenosas, como em São Pedro da Aldeia e Cabo Frio, relativamente próximos as praias calmas das lagunas ou até mesmo a praias de mar aberto (como em Maricá).

Os sítios da fase Sernambitiba, sobretudo, ocupam preponderantemente estes assentamentos. Sítios de outras Fases, ainda que da mesma Tradição, como a Fase Guaratiba, por exemplo, podem ocupar ilhotas no meio do terreno alagado do apicum (terreno baixo e inundável pelas marés altas) ou encostas colinas de morros do interior (sobretudo os sítios da Fase Ipuca) do Norte do Estado. São raros, muito raros, aqueles assentados sobre morros altos e de solo argiloso como esse.

2005 - Muro do IAB visto do sítio Serra vista do sítio 2005 - Serra do Tinguá vista do sítio

É possível, no caso, que a “Aldeia 2” tenha sido deslocada para ali pelos primeiros sesmeiros locais. Evidências, constituídas por cerâmica indígena encontrada juntamente com o material construtivo colonial, sugerem fortemente que tais populações tenham sido usadas como mão de obra nos primeiros tempos dos engenhos, aliás, como comprova a farta documentação já levantada (Ver Dias Júnior: 1998:399/630).

2005 - Sítio na base da torre 2005 - localizando evidências 2005 - Coletando vestígios 2005 - Vale do Eng. Calundu

O material recolhido em ambos os sítios apresenta um domínio da decoração corrugada, plástica, sobretudo porque – em função da acidez do solo e o regime pluvial intenso – a decoração pintada praticamente desapareceu, exceto em circunstâncias especiais. De fato, toda esta área sofre os efeitos das tempestades de verão e da ação das massas frias, até mesmo independentemente da influência de “El Niño”, de forma que as chuvas são muito constantes e raros são os anos em que ocorrem secas prolongadas, embora isso possa acontecer. O corrugado é seguido pelo escovado, algum ungulado e beliscado.

Na década de 1980 foi instalada uma torre de Linha de Transmissão por Furnas Centrais Elétricas S/A sobre o sitio. À época não havia obrigatoriedade de monitoramento arqueológico sobre obras o que causou impacto direto sobre o sítio. Posteriormente a ocupação do morro para moradias e abertura de ruas o destruiu quase que completamente.

O material se encontra sob o nº de catálogo 4104 do IAB.

2016 - ângulo Estrada Nova Iguaçu 2016 - ângulo Est. Sarapuí  2016 - LT de Furnas sobre o Calundu