Sítio Madame Picucha

Sítio Madame Picucha

 

Áreas atingidas Principais áreas de ocupação Área referenciada UTMs

Sítio histórico. Engenho fundado em terras compradas pela família Garcia do Amaral (e Oliveira Durão) que nelas fundaram o Engenho do Calundu em 1750, cujos remanescentes duraram até a década de setenta do século XX. A terra original desse engenho pertenceu ao Engenho Nossa Senhora da Vitória fundado provavelmente em fins do Século XVI (1594) por Antonio de Mariz (dono de uma das primeiras sesmarias da Baixada) que o deixou para sua descendente Maria da Cunha. O Nossa Senhora da Vitória é um dos primeiros engenhos do Rio de Janeiro e, sem dúvida, o mais antigo localizado na sesmaria de Sarapuí. Vendido em data incerta para Manuel da Cunha Sampaio (cristão novo), existiu até o Século XVIII (1730) quando foi desmobilizado e suas ferragens vendidas para um dos engenhos do Morgado de Marapicu e parte das terras para o futuro Engenho do Calundu. Os vestígios de sua sede foram localizados no alto de uma colina tangenciada pela Estrada da Conceição que já figura nos mapas coloniais (século XVIII e XIX) ligando a Freguesia de Santo Antonio de Jacutinga ao mosteiro dos Beneditinos no atual Município de Duque de Caxias.

A crônica do engenho remonta ter sido este um dos mais ricos engenhos de sua época (contemporâneo do Engenho do Viegas) de quem Antonio Garcia do Amaral era também proprietário. Possuía cerca de 200 escravos em sua faina de engenho de farinha, depois de cana-de-açúcar e depois fazenda de café. Até hoje a Paineira rosa da espécie Ceiba Speciosa, também conhecida como “barriguda” que marcava a sua porteira de entrada é viva e flora todos os anos.

1976 – Vista a partir do portão do engenho 1976 - Vista geral do corte do barranco do Engenho 1976 - Ondemar Dias e Eliana Carvalho- vistoria do Engenho 1976 - Vestígios de sambaqui na base do corte do barranco

Seu nome Calundu - reunião de negros velhos feiticeiros, segundo reza a lenda - se deveu ao fato de ali serem reunidos em um “hospício” todos os escravos mais velhos das fazendas dos Amaral, dando origem aos terreiros de santo conhecidos como “calundus” e depois como “candomblés” que até hoje são tradicionalmente famosos na Baixada Fluminense. Seu terreno foi loteado após o falecimento da sua última proprietária conhecida como “Madame Picucha” que dizem ter sido “protegida” de um general da República do governo Vargas.

Quando da localização do sitio arqueológico na década de 90 do Século XX foi encontrado, na parte mais baixa, os vestígios do terreiro de secar café, um poço de pedras ainda funcionando, o forno de queimar cerâmica e parte de seu alicerce espalhado pelo sopé da colina ainda hoje (2016) em terreno livre de ocupação.

2003 - Vestígios do forno de cerâmica 2003-Vest. de mat. construtivo da casa da Mde. Picucha 2003- Vest. do alicerce do engenho 2003 - Detalhe da parede do alicerce
2003 - Poço do engenho (em pedra) 2003 - Vista ampla do sopé da colina 2003 - Vista para o alto da colina do engenho 2005 - Resgatando vestígios do engenho

A coleta de vestígios arqueológicos feita pelo IAB sempre se restringiu a material encontrado sobre a superfície após chuvas e outros eventos, como abertura de alicerces para feitura de moradias etc... Em 2011, quando do aniversário de 50 anos do IAB, placas comemorativas com a descrição dos sítios locais foram colocadas. Ele também recebeu uma delas, que foi logo depois destruída por vândalos.

O material coletado se encontra sob guarda do IAB identificado pelo catálogo de nº 95 (1976) – 4952/4961/4972 (2006).

Situação do Sítio em 2016

Área do forno de cerâmica   À direita local do poço  Terreno do terreiro de café 
Sítio Engenho do Calundu Local da sede do engenho Rua Palmares 1976 – 2016 Rua Palmares