Sítio Olaria São João

Sitio Olaria São João

 

2016 - Mapa situacional Mapa da Poligonal UTMs UTMs - a

Sítio histórico. Olaria fundada em terras compradas pela família Garcia do Amaral (e Oliveira Durão) que nelas fundaram o Engenho do Calundu em 1750, cujos remanescentes duraram até a década de setenta do século XX. A terra original desse engenho pertenceu ao Engenho Nossa Senhora da Vitória fundado provavelmente em fins do Século XVI (1594) por Antonio de Mariz (dono de uma das primeiras sesmarias da Baixada ) que o deixou para sua descendente Maria da Cunha. O Nossa Senhora da Vitória é um dos primeiros engenhos do Rio de Janeiro e, sem dúvida, o mais antigo localizado na sesmaria de Sarapuí. Vendido em data incerta para Manuel da Cunha Sampaio (cristão novo), existiu até o Século XVIII (1730) quando foi desmobilizado e suas ferragens vendidas para um dos engenhos do Morgado de Marapicu e parte das terras para o futuro Engenho do Calundu.

Os vestígios de sua sede foram localizados no alto de uma colina tangenciada pela Estrada da Conceição que já figura nos mapas coloniais (século XVIII e XIX) ligando a Freguesia de Santo Antonio de Jacutinga ao mosteiro dos Beneditinos no atual Município de Duque de Caxias.

Planta de situação do entorno do Sítio  Detalhes da localização dos vestígios

A crônica do engenho remonta ter sido este um dos mais ricos de sua época (contemporâneo do Engenho do Viegas) de quem Antonio Garcia do Amaral era também proprietário. A olaria São João possuía cerca de 50 escravos e estava situada em terras próprias, sobre uma colina, parcialmente arrasada no século XX para a construção da Subestação São José, de Furnas Centrais Elétricas. A documentação histórica levantada para o Engenho do Calundu informa que no início do século XIX ocorreu a fusão da família Oliveira Durão (ramo separado dos Garcia do Amaral) que se reuniu com os proprietários da grande Olaria do Pantanal (família Panasco originalmente e depois Queiróz Malheiros) através de casamentos. A última notícia que se tem da propriedade ao findar o século XIX é que pertencia a três mulheres, filhas do antigo senhor do Engenho do Calundu e que mantiveram um trato da floresta ainda intocada. Nenhuma das três mulheres possuía herdeiros, mas suas terras - sem que se conheça a documentação (não localizada) - passou para a propriedade de uma Companhia que, além das antigas instalações da velha olaria de São João de Fora, instalou uma nova fábrica nas proximidades da olaria do Pantanal. Esta se chamava Companhia Fornecedora de Materiais (materiais construtivos) e existiu até o final da década de 1950. Suas terras se estendiam dos terrenos do antigo Engenho do Calundu (Vila Santa Teresa) as terras da Olaria de Nossa Senhora da Conceição da Boa Vista do Pantanal (hoje Vila Marquesa de Santos), onde se conservava ainda as ruínas do antigo palacete.

Sitio - parte baixa do morro 2004 - parte baixa do morro 2004 - subida do morro Área do sítio no morro de Furnas

Nas terras dessa Companhia se instalou - na segunda metade do século XX, sobre a elevação onde se situava a casa rural sede da Olaria de São João de Fora (nome preservado na estrada que dá continuidade à Estrada da Conceição), - a Subestação de Energia Elétrica São José construída por Furnas Centrais Elétricas S/A que acabou com a mata até então preservada, vizinha ao monte durante o processo.

2004 - chegada ao sitio 2004 - vestígios cerâmicos 2004 - material construtivo Ondemar Dias coletando material

No local da Companhia Fornecedora de Materiais, com a cessação de atividades construtivas, instalaram-se “sete campos” de futebol. Nas suas margens ainda se podia ver os poços antigos, mas o local foi totalmente impactado em 2014/2015 para a instalação de um conjunto Habitacional do Programa “Minha Casa, Minha Vida”, sem que houvesse nenhum monitoramento arqueológico na área. A pesquisa, na estreita faixa de terra que sobrou no morro à montante da Subestação, revelou restos de um piso de lajotas de cerâmica, além de material esparso, tudo na beira do barranco interno da mesma. Muito provável fossem as ruínas da casa grande.

2004 - vista da subestação de Furnas 2004 - vista da subestação de Furnas Ondemar Dias observando a Subestação