CTRI - Magé/Xerém

Projeto de Levantamento Arqueológico não interventivo para Implantação de CTRI, localizadas em Xerém (Duque de Caxias) e Magé

 

Em julho de 2012 foi celebrado o contrato entre a Essencis Soluções Ambientais S/A e o Instituto de Arqueologia Brasileira- IAB para pesquisa arqueológica não interventiva a fim de levantar o potencial arqueológico em dois terrenos destinados à construção de dois Centros de Tratamento de Resíduos Industriais (CTRI), nos municípios de Duque de Caxias e Magé no Estado do Rio de Janeiro. E isto se deu com o levantamento histórico e após os processos de prospecção não interventiva.

 

Comecemos então pelos dados históricos.

A Igreja de Nossa Senhora do Pilar de Iguaçu foi estabelecida como Curato em 1612 (9 de junho) por doação de quinhentas braças de terra em quadra para a ermida de Nossa Senhora das Neves, por Domingos Nunes Sardinha e sua mulher Maria da Cunha, próximo ao local denominado Jaguaré. Comenta o monsenhor (Pizarro) que por falta de documentos se perdia (a Igreja) avultadas rendas provenientes dos negócios dos mineiros que circulavam por aquele porto. A visita do Doutor Araújo do Bispado de 1737 relatou o fato de que a freguesia teria sido criada há mais de 100 anos. Até 1696, ou pouco mais ou menos, o curato permaneceu naquela Capela, passando depois para a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, que passou a funcionar a partir de 1697.

Por documento do Cartório do Primeiro Ofício, livro 69, de 1/7/1704, fica-se sabendo que foi doada uma data de terra de 65,5 braças de testada por 300 de sertão para patrimônio da Igreja e párocos de N.Sra. do Pilar do rio Guaguassu por Manoel Pires e sua mulher D. Antonia de Jesus, começando a beira do rio que chamavam Morobahy (ou seja, o mesmo Pilar). Assim, parece que mais uma vez a informação de Pizarro está correta e que a doação das terras para patrimônio da Igreja (uma condição para ser Freguesia) foi feita logo após passar a matriz do Jaguaré para o Morobahy. As terras haviam sido compradas a um proprietário somente, denominado Domingos, cujo sobrenome desapareceu no documento. O pároco da Igreja se chamava, então, João Alvez (ou Álvares) Barros.

A Freguesia era confrontante com a freguesia de Sto Antonio da Jacutinga no Oeste e na época da primeira edição do livro de Pizarro (1808) possuía mais de 4000 almas sujeitas a sacramento.

“Tem uma só fábrica de açúcar e outra de aguardente e as produções rurais são a cana, legumes, arroz, mandioca e café, mais as fábricas de oleiros que ali funcionam, tem pronta saída por qualquer dos nove portos francos e dispersos pelos rios de Mantiquira, do Bananal, de Saracuruna e do Pilar” (Pizarro, 1945, II:104/s).

A segunda Freguesia que nos interessa é da Nossa Senhora da Piedade de Magé, que inclui diversas localidades diferenciadas, desde Santo Aleixo a Iriri, que nos interessa mais de perto.

Segundo aquela mesma fonte, a capela de Nossa Senhora fora fundada a certa distância do mar pelo Sargento Mor João Dantas. Embora não se possua data certa, pela documentação de visitante eclesiástico de 1737, concluía aquele cônego ou monsenhor que deve ter sido por volta de 1655 pouco mais ou menos. O que poderia ser confirmado por testamentos de pessoas que legaram bens para a mesma antes de 1657. Como era de todo comum, os paroquianos não estavam muito dispostos a colaborar com a manutenção do templo, caindo o mesmo em ruínas. Por volta de 1748 foram doadas novas terras situadas cerca de um quilômetro distante das primitivas, onde foi construído novo templo, concluído em 1751.

Fazia limites com as freguesias de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, Nossa Senhora da Ajuda de Guapimirim, os sertões de Cantagalo, a Serra dos Órgãos e São Nicolau de Suruí.

Em Iriri havia uma capela filiada à Freguesia, dedicada à Santana, na Fazenda do Capitão Mor Domingos Viana e outra em terras de Manuel Ferreira Freital, na mesma localidade. 

Dados Pontuais

Xerém

Começando por Xerém, é importante mencionar que esta localidade normalmente aparece vinculada à de Tinguá, por serem relativamente próximas, a segunda mais distante da sede, na área montanhosa da Serra.

Os primeiros nomes que aparecem citados para a região dizem respeito aos topônimos indígenas de “Taquaruçu” (bambu grande) ou Pindobuçu (praticamente o mesmo significado). Esse nome designava uma aldeia existente no recôncavo da Guanabara nomeada por Lery  (ed.1960:277).

A Praça de Xerém, onde hoje fazem ponto final os ônibus que servem à localidade, fica no lugar conhecido sob a mesma designação. Além disso, alguns poucos documentos cartoriais citam o Taquaruçu em Pilar, logo não é descabido também estabelecermos esta associação.

A primeira citação que localizamos é a da sesmaria de Manuel Ferreira do Couto, que cita textualmente ficar “no lugar que chamão Taquaruçu em Pilar por não possuir terras próprias e era pela cachoeira acima a mão esquerda no caminho que vai para as Minas e nela lavrava seu pai há mais de 30 anos (Estevão Ferreira) e começava donde acabavam as terras de sua tia Mariana de Jesus". Meia légua de terra em quadra, em 27 de setembro de 1743. Arquivo Nacional, Códice 64 Livro 8.    

Posteriormente outros documentos cartoriais confirmariam a denominação ao longo do século XVIII.

Parece-nos, portanto, que ontem, como hoje, o Taquaruçu se constituía um ponto específico, dentro de um lugar (bairro ou paragem) maior, fosse ele o Caricamboabo, como antes, fosse Xerém, como na atualidade. É também interessante imaginar que onde um dia os índios se reuniam no pátio da aldeia para as atividades cotidianas, hoje o povo também se junta para o mesmo fim.   

Posteriormente a localidade receberia o nome de um inglês que recebeu terras a ele concedidas em dote de casamento, John Charing, cujo nome foi sendo corrompido com o tempo. A área inteira em que se localizavam as terras se chamava antes “Caricamboabo” e sob tal designação continuaram sendo emitidos muitos documentos cartoriais. Pode-se supor que as terras do inglês foram aos poucos sendo caracterizadas, servindo ele de referência, e as designando em particular, mas que o nome antigo deve ter continuado em relação a um território maior. Com o passar do tempo o antigo nome caiu em desuso, estando hoje totalmente esquecido, ficando a corruptela “Xerém” sacramentada pelo uso (pelo menos até o dia em que algum político importante não mudar o nome para homenagear algum parente, amigo ou autoridade).

João Xerém (John Charing) em 1725 arrematara o direito de transportar em canoas para atravessar o rio do Couto, em demanda a serra pelo Caminho de Rodrigo Paes, soldados e comerciantes. Naquela data entrou em demanda com o padre João Alves de Barros, que aparentemente era seu concorrente. Depois se envolveu em casamento com a filha de um proprietário local e recebeu de dote as terras que levaram seu nome para a posteridade. Para o genealogista Rheingantz, seu nome também poderia ser uma corruptela de Shorehan (1965,Vol I: 235).     

Pelas nossas pesquisas iniciais localizamos desde fontes mais antigas que se referem ao lugar, pela concessão de sesmarias no século XVII a algumas outras que mostram o desenvolvimento populacional da área, sobretudo em função da abertura do “Caminho Novo”, para as Minas no final do século XVII e primeiros anos do século seguinte. Este caminho seria também conhecido como o Caminho Rodrigo Paes ou do Couto.

São inúmeros os documentos a respeito de transações de terras na área, que poderemos utilizar, uma vez escavados os sítios localizados pela pesquisa inicial, comparando os dados arqueológicos com os históricos, uma vez tais sítios resgatados pela nossa equipe. 

Em relação ao local especificamente mencionado como Vala do Ramos, que supomos seja a situação atual, após retificação do Rio Ramos, localizamos já um total de 12 documentos, entre os quais duas sesmarias, nove vendas de terra e uma doação. O primeiro documento data de 1737 e o último de 1834, este relativo à venda de uma fazenda entre os rios do Couto e Ramos, no local denominado “arraial da Posse” em Pilar do Iguaçu. Certamente entre as dezenas de sesmarias distribuídas antes do século XVIII algumas se referem à mesma área do rio Ramos, mas só com o aprofundamento dos trabalhos, após esta fase inicial, poderemos localizá-las.

Tinguá

Em relação à Tinguá os dados também são numerosos. Sabemos que desde o século XVII suas terras foram cobiçadas por sesmeiros de Marapicu (Mendanha). Depois o povoamento se alastrou para a área, em torno, sobretudo da serra e do imponente pico dos “Dois Irmãos” que domina a paisagem regional.  Mas a ocupação da serra acima de Tinguá somente se desenvolveria a partir da abertura da rota alternativa de Estevão Pinto, por volta de 1730. Este caminho ligava o caminho de Rodrigo Paes (ou “do Couto”) à região do Iguaçu, com prejuízo do tráfego pelo Caminho Novo, ou do Proença, na área de Inhomirim.

Com a rota alternativa passando pelo Tinguá, o povoamento da região se acentuou. Durante grande parte do século, os moradores da beira da Estrada, comerciantes e fazendeiros dependeram das distantes Freguesias de Santo Antonio da Jacutinga e Pati do Alferes. Seria somente em 1755 que, por petição dos moradores, o bispo do Rio de Janeiro, Frei Antonio do Desterro, criaria a Freguesia de Sacra Família do Tinguá, com terras retiradas de ambas. Mas esta é outra história.

Iriri

Como já comentamos Iriri é uma antiga localidade da Freguesia de Magé, condição em que permanece até hoje vinculada àquela Cidade que herdou o nome da Freguesia.

Também esta área é rica em documentação cartorial histórica e documentação secundária, dado à importância que a cidade adquiriu ao longo do tempo.

Em Magé foi fundado o primeiro engenho da Cidade do Rio de Janeiro e seu termo, já por volta de 1566, por ordem do governador Cristóvão de Barros, localizado no rio do mesmo nome, com légua e meia de largura e igual medida rio acima (Anais da Biblioteca Nacional, Volume LVII, 215/s, 1939).

Depois daquele, outros engenhos se localizaram na mesma Freguesia, como o de Magé Mirim (1663) de Atílio Gago da Câmara; o engenho Escurial no rio Casserebu (1673), o Nossa Senhora da Piedade de Magé de 1700 pertencente a João de Antas e o Engenho Nossa Senhora do Carmo do Leitão de “Fulano” Leitão no rio Passacavalos, naquela mesma data (Documentos dos Cartórios do Arquivo Nacional; do Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro e Santuário Mariano, Volume X).

Pelo menos outros três engenhos inominados na mesma Freguesia. No século XVIII cresceria seu número, fazendo dela uma das mais produtivas Freguesias do Recôncavo da Guanabara.

Ao lado dos engenhos, os seus satélites, chamados “Partidos” também proliferaram, assim como os “Sítios”, as “Fazendas” e umas poucas chácaras urbanas.       

Em Iriri já existia um engenho em 1650, pertencente a André Tavares, que trocou terras com os frades do Convento do Carmo. O engenho se chamava Santo André, possivelmente em homenagem ao seu fundador. Foram também diversos os partidos associados, assim como os sítios, em especial no século seguinte, sobretudo produzindo farinha e banana para o abastecimento da cidade do Rio de Janeiro.

O Meio Ambiente das Áreas Pesquisadas

 

O território motivo das pesquisas do Projeto situa-se ao Norte/Nordeste da Baía de Guanabara e pode ser balizado de um lado pela bacia do rio Iguaçu, para Oeste e do outro pela do rio Magé ao nascente.

Pelos topônimos levantados em campo e observações cartográficas, a primeira área, localizada em Xerém pertenceu historicamente à Freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Iguaçu, enquanto que a segunda se vinculava à Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Magepe (depois Magé).

Considerando, no entanto, que ambas as Freguesias possuem história ocupacional muito ampla, com uma documentação variada e complexa, nesta primeira abordagem vamos concentrar os estudos nas áreas específicas do trabalho. Para situá-las, no entanto, será inicialmente feita uma abordagem geral e localizadora.

A primeira área, nas proximidades de Xerém, preservou um topônimo histórico, a do “Rio Ramos”, hoje reduzido à “Vala do Ramos”. A segunda somente a um povoado próximo, em Magé, denominado de Iriri. O rio Iriri possui curso independente, e mesmo localizado no atual município de Magé, não se vincula à bacia do rio principal, que deu nome à Freguesia, vila e depois cidade.

Já em relação ao Rio Ramos conforme veremos adiante, a sua crônica é mais complicada. Mas para fins de localização genérica, podemos situar o trecho em estudo entre Xerém e Iriri e as bacias potamográficas do Rio Iguaçu (na qual se encaixa o seu afluente da margem esquerda, rio Pilar) e o já referenciado curso do Iriri.

Ambos nascem na Serra do Mar, entre o pico do Tinguá e a Serra dos Órgãos e todos têm, nas cabeceiras, cursos encachoeirados, atravessando a pujante mata atlântica e os desfiladeiros da serra. De uma maneira geral, em seus médios cursos cortam um relevo mais antigo, constituído por colinas baixas, arredondadas que se estendem até a proximidade do litoral, onde predominam os terrenos baixos, pantanosos, com sua típica cobertura vegetal.

A terra é fértil, enriquecida com o húmus trazido da serra pelos rios e pelas chuvas, sendo comuns as enchentes no período de verão, com o alargamento dos rios, e a invasão pelas águas das margens dos seus baixos cursos. No alto curso ainda são comuns “as cabeças d’água”, ocasionadas pelo crescimento rápido e inesperado do volume d’água nas áreas encachoeiradas, provocadas pelas tormentas tropicais na serra e tão características de uma região onde o clima dominante é o quente e úmido (Aw de Köppen). Nesta, os nevoeiros são também comuns, pelo esfriamento do ar quente do litoral ao alcançar as regiões mais altas.

Alagamentos, quedas de barreiras, pequenas avalanches se tornam mais comuns, com o desmatamento de extensas regiões, ainda que a existência de parques ecológicos retarde o processo erosivo.

A bacia do rio Iguaçu foi, ao lado de outras que se sucedem a partir dos subúrbios da cidade, como a do Faria-Timbó, Meriti e Sarapuí, caminhos desde cedo utilizados pelos colonizadores, incluindo também os rios Inhomirim e Magé. No Iguaçu, pouco acima da sua foz na Guanabara e pela margem esquerda, desemboca o rio Pilar, quase na borda do terreno pantanoso. Na sua margem esquerda se desenvolveria uma das mais antigas freguesias da Cidade, a já citada Freguesia de Pilar do Iguaçu.

Ambos os rios que nos interessam como localizadores das áreas pesquisadas, rio Ramos e Iriri, se orientam decididamente para o Norte, em direção à serra. Diferentemente, no entanto, das bacias principais, dos rios Iguaçu e Magé, nem o rio Ramos, nem o Iriri foram de fácil curso. Para o segundo, por exemplo, Monsenhor Pizarro comentava nas Suas “Memórias Históricas do Rio de Janeiro”.

“O rio Iriri, nascida na mesma serra (do Mar, ou dos Órgãos) ou dos outeiros que lhe dão o nome, permite apenas navegação do porto chamado Capitão Mor, pouco distante de sua foz, por serem diminutas as águas recebidas de outros rios e pequenos regatos” (Vol: 3, Ed.1945: 138).      

Já o Rio Ramos é um dos dois formadores do rio Pilar. O rio Morobahi, pela margem direita e aquele pela esquerda. Mas, para complicar um pouco, o rio Morobahí é também chamado de Pilar, Jaguaré ou de Capibari (ou Capivari). Neste caso, o Pilar só teria um afluente importante que receberia pela margem esquerda, o rio de Ramos. Mas, para complicar ainda mais, caso Maia Forte estivesse correto, o antigo “rio de Ramos” é o mesmo chamado hoje de Mantiquira. Além disso, o Pilar seria o mesmo rio Xerém e seu curso superior também seria denominado “de rio do Couto”. Além disso, “o rio Registro” que hoje é um formador do Iguaçu, sairia também no Pilar, portanto uma potamografia diferente de atual (1932:49).

Mas hoje continua sendo reconhecida a existência do rio Ramos, enquanto o Mantiquira passou a jogar suas águas no Saracuruna, em resultado das muitas obras de saneamento pelas quais passou a região. Pelo menos neste caso, aparentemente, pelo menos, aquele autor estava enganado. Para nós é importante registrar tais diferenças, mesmo que elas não pesem significativamente na identificação e localização das propriedades referidas nos documentos.

Em relação aos lugares, que nos importam é conveniente mencionar que no seu alto curso o rio Iguaçu em sua margem esquerda recebe as águas de três rios que foram de importância para o povoamento local por se aproximarem mais da serra. Tratam-se do rio “Otum”, do “Tinguá”, e do “Couto” (caso não seja o próprio Pilar), Próximo à Xerém, existem ainda os rios “Barlão”, “João Pinto” e “do Registro”, já citado.

Se por um lado, historicamente, o Rio Ramos sempre pertenceu à Freguesia de Pilar do Iguaçu, de outro a área de Xerém (que, inclusive intitula este trabalho) tanto aparece nos documentos cartoriais vinculadas a Pilar quanto a Iguaçu. Por outro lado desde o início da documentação histórica, Xerém e Tinguá aparecem como lugares associados. O fato, no entanto, de hoje ambos os locais se incluírem no município de Duque de Caxias, permite-nos resumir como de interesse uma breve crônica histórica sobre a Freguesia de Pilar.

Sítios arqueológicos localizados nos municípios impactados pelas obras

 

Duque de Caxias

No município de Duque de Caxias foram encontrados 17 sítios arqueológicos registrados no IPHAN-RJ.

  1. Aldeia de Escravas 2
  2. Casa Natal de Duque de Caxias
  3. Hidra de Iguaçu 1
  4. Hidra de Iguaçu 2
  5. K3
  6. K4
  7. Quilombo do Amapá
  8. Sambaqui do Iguaçu
  9. Sambaqui do São Bento
  10. Sítio Arqueológico do Areal
  11. Sítio Arqueológico do Areal
  12. Sítio Arqueológico do Km 18 ( Estrada de Ferro Leopoldina)
  13. Sítio Arqueológico Dois Irmãos
  14. Sítio Arqueológico Dois Irmãos
  15. Sítio Arqueológico Sambaitiba
  16. Sítio da Leopoldina
  17. Sitio do Aviario

 

Magé

No município de Magé foram encontrados 30 sítios arqueológicos registrados no IPHAN-RJ

  1. Aldeamento Tupiguarani da Seraria
  2. Aldeamento Tupiguarani de Barão do Iriri
  3. Aldeamento Tupiguarani do Cemitério
  4. Aldeia da Piedade de Iguaçu II
  5. Aldeia da Piedade do Iguaçu
  6. Fazenda da Mandioca (Casa de Langsdorff)
  7. Fazenda Santa Rita
  8. GNL 1
  9. GNL 2
  10. Sambaqui da Ponta do Pirata
  11. Sambaqui de Amourins
  12. Sambaqui de Sernambetiba
  13. Sambaqui do Arapuan
  14. Sambaqui do Fernando
  15. Sambaqui do Guapi
  16. Sambaqui do Guaraí-Mirim
  17. Sambaqui do Iguapi
  18. Sambaqui do Imenezes
  19. Sambaqui Sambaqui
  20. Porto da Estrela do Rio das Pedrinhas
  21. Sendas
  22. Sitio Arqueológico Villa da Estrela
  23. Sitio Cerâmico de Vila Olímpia
  24. Sitio João Topógrafo
  25. Sítio Tupiguarani do GLP
  26. Sítio Poço Bento do Padre Anchieta
  27. Sítio Praia Anil
  28. Sítio Praia da Piedade
  29. Sítio Saracuruna
  30. Sítio Santo Aleixo

 

O diagnóstico não interventivo de campo ocorreu no mês de setembro de 2012 nos dois terrenos localizados, respectivamente, em Xerém e em Magé e na área do entorno, através de caminhamento, observando as condições de ambiente propícias para uma ocupação pré-histórica ou histórica.

Durante o caminhamento percorreu-se o terreno ponto a outro, descrevendo-se o meio ambiente artificial e natural, delimitando-se os locais onde foram encontrados vestígios arqueológicos; fossem estruturas ou materiais esparsos na superfície. Embora tenhamos encontrado obstáculos intransponíveis em alguns poucos locais, pontos próximos ao perímetro delimitado foram examinados a fim de identificar estes vestígios.

Em Xerém, entre áreas de pastagens de animais, uma vala de baixo nível de água conhecida pelos moradores como Vala de Ramos; a paróquia de Nossa Senhora das Graças (Comunidade São Pedro) e, junto a ela uma estrutura da antiga Igreja de Santa Rita do século XVIII e também diversas áreas com alto potencial arqueológico. Além disso, no bairro Igreja Velha, há uma fazenda produtora de café de propriedade do Sr. Fidélis. Nela existem objetos relacionados à produção cafeeira, como máquina de moer café com mais de meio século de uso e, ainda hoje é utilizada para moer e torrar os grãos que são vendidos semanalmente em feiras locais. Encontram-se pendurados pelas paredes reportagens de jornal em quadros sobre a fazenda e a sua produção de café.

 

No alto de uma elevação foi identificado material cerâmico com características da Tradição Tupiguarani. Apesar de, a princípio, não se considerar esta área como uma em que, regularmente, se estabeleceriam ocupações desta Tradição, pesquisas recentes realizadas em Japeri, mais precisamente no sítio Aldeia de Itaguaçu, apontam para uma diferenciação no sistema de implantação destes sítios, tornando esta área de especial interesse, visto sua contribuição no que se refere ao avanço nos estudos relacionados aos tupiguaranis.

Em Magé, assim como em Xerém, foram localizados material arqueológico na superfície, em vários pontos.

Concluímos assim, que as duas áreas de pesquisas deste Programa são de antigo povoamento. Nos pontos examinados foram encontradas evidências de material histórico, confirmando os dados levantados na pesquisa cartorial e de documentos secundários. A existência de sítio pré-histórico de vinculação à Tradição Tupiguarani não surpreende por serem terras de antigo domínio daquela cultura tribal. Estes sítios, caso confirme sua existência, uma vez resgatados, sem dúvida contribuirão significativamente para o aprofundamento do nosso conhecimento. Também fornecerão novos subsídios para a reconstrução dos padrões de povoamento de uma área que desde muito cedo foi – e é - de importância para a cidade capital e todo o território no qual se insere a antiga Capitania, hoje Estado do Rio de Janeiro.

Conforme o levantamento de sítios arqueológicos registrados pode-se constatar a existência de sítios arqueológicos em ambos os municípios. Apesar de não serem impactados por estes empreendimentos, nos demonstra a importância arqueológica da região.

Nos dois terrenos foi encontrado material arqueológico de superfície, no entanto, recomendamos a pesquisa arqueológica para toda a extensão dos terrenos, pois a área é de alto potencial arqueológico. 

 

Equipe Responsável

 

Coordenação: Ondemar Dias

Gerente do Projeto: Jandira Neto

Arqueóloga: Marcelle Mandarino

Técnico em Arqueologia: José Neto

Assistente: Paloma Santana

Historiador: Ondemar Dias

 

Bibliografia Citada

Lery, Jean de

1960 – Viagem à Terra do Brasil

Ed. Martins, pag: 277

 Maia Forte, J.M.

1932 – Memória da Fundação de Iguaçu

Ed. Jornal do Comércio, pag.49.

Pizarro e Araújo, José de Souza

1945 - Memórias Históricas do Rio de Janeiro

Volume II, pag.104/s e Vol: III pag. 138/s,

Rheingantz, Carlos G.

1965 – Primeiras Famílias do Rio de Janeiro

 

Belford Roxo, 19 de fevereiro de 2013