Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - Um Resumo -

Um resumo  das pesquisas realizadas nas obras da Rodovia Arco Metropolitano do Rio de Janeiro.  Livros, revistas e muitas outras informações a caminho.  Veja também as fichas de registro de sítios  aqui.

Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Uma Experiência de Sucesso em Arqueologia de Contrato

 

Em 2009 o Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) foi convidado pela Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro (SEOBRAS) a desenvolver o Programa de Arqueologia BR 493/RJ 109 - ARCO METROPOLITANO DO RIO DE JANEIRO.

O escopo do Projeto, previsto no Termo de Referência (TR) apresentado, previa o Planejamento, a Execução, o Controle e o Encerramento das seguintes atividades em arqueologia: O monitoramento arqueológico das obras da Rodovia e o salvamento ou resgate arqueológico dos 12 Sítios encontrados anteriormente pelas prospecções arqueológicas.

Em Educação Patrimonial antevia o desenvolvimento e aplicação de atividades socioeducativas para três grupos de pessoas: os pesquisadores, as empreiteiras envolvidas nas obras e as cidades impactadas pelo empreendimento. Por exigência do Iphan – RJ foi acrescido um projeto específico de Estudos para Mapeamento do Patrimônio Imaterial das cidades afetadas.

O Programa de Arqueologia predizia a pesquisa para 72 quilômetros de extensão por 100 metros de largura em Área Diretamente Afetada (ADA) e a mesma extensão para uma variável de 500 metros a cinco quilômetros de largura para a Área Indiretamente Afetada (AIA). O eixo da estrada atravessava os municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí na Baixada Fluminense, assim como as bacias fluviais dos rios Iguaçu e Guandu. 

O Programa foi então elaborado de acordo com a metodologia de base adotada pelo IAB ao longo de seus 55 anos de atividades ininterruptas no que tange ao Planejamento (Projetos, aprovações no IPHAN, obtenção de Portaria de Autorização etc.); Coleta de Dados (pesquisa de campo); Análise de Dados (laboratório); Interpretação de Dados (produção de relatórios e publicações diversas) e Divulgação (Educação Patrimonial, mapeamento para Estudos de Patrimônio Imaterial, produção de cartilhas, boletins, etc.) em todas as fases e etapas da Pesquisa.

Havia na proposta um grande estímulo. Sabíamos que a Região da Baixada Fluminense fora sempre um território densamente ocupado (cerca de seis mil anos atrás) desde a Pré–Historia, e que suas terras fizeram parte das primeiras sesmarias do Rio de Janeiro no período colonial com grande aporte de pessoas nos engenhos e fazendas que por ali se instalaram. Apesar disso, somente sete sítios arqueológicos haviam sido registrados no IPHAN, até então. Também nos estimulava a possibilidade de, pela primeira vez, termos na região da Baixada um projeto de arqueologia com recursos financeiros aportados para a realização de pesquisas na área.

Maior do que os estímulos só mesmo os desafios: Estávamos “pegando” um projeto já em andamento; a Licença Prévia e a Licença de Instalação já haviam sido feitas por outras duas instituições, mas os resultados apresentavam baixos índices de localização de sítios para uma região com tamanho potencial.

Apenas 12 sítios haviam sido identificados e mesmo assim dois estavam fora da ADA.  Para o IPHAN tinha que haver alguma explicação. 

Nós também queríamos entender o que havia acontecido e aproveitar ao máximo aqueles recursos para fazer um bom trabalho.

Após leitura de documentos, de relatórios e reuniões com todos os envolvidos no empreendimento (Iphan, empreendedor, empreiteiras) conseguimos, entre setembro de 2009 e Janeiro de 2010, orquestrar um Plano de Trabalho que atendia ao interesse de todos.

Inicialmente refizemos todas as pesquisas bibliográficas e as prospecções de campo para os sítios já cadastrados objetivando sua real localização antes do início das obras. Como consequência imediata localizou-se mais nove sítios em torno daqueles, ampliando para 21 o total inicial. Todos foram georreferenciados e cercados até receberem a autorização de resgate.

Estabelecemos acordos com as quatro empreiteiras em torno de seus cronogramas de obras e trabalhamos simultaneamente com até oito equipes de arqueologia em funções diferenciadas: Prospecção avançada, Monitoramento e Resgate/Salvamento.

  1. A empreiteira nos enviava o seu cronograma mensal de abordagem de solo. Sobre ele fazíamos o que chamamos de Prospecções Avançadas (íamos à frente) com antecedência. Isto nos rendeu a localização de mais de 40 sítios antes da “chegada” das máquinas. Duas equipes realizaram esta atividade nos quatro lotes durante os quatro anos em que durou o projeto;
  2. A empreiteira nos enviava o seu cronograma semanal de abordagem de solo (supressão vegetal, destocamento, drenagem, terraplenagem, desmonte de sítios após resgate, etc...). Cada lote tinha uma equipe fixa de Monitoramento acompanhando todas as atividades da semana. Alguns sítios foram localizados durante o acompanhamento dessas atividades;
  3. Todos os sítios localizados, georreferenciados e registrados no Iphan tiveram seus destinos decididos com calma: Resgatados (se estavam na ADA ou AID), Salvos (caracterizados e preservados) se estavam em áreas próximas, mas sem risco de destruição iminente, e oito deles foram apenas registrados, por estarem localizados fora das áreas de impacto. Duas equipes se revezaram nos quatro lotes para realizarem essas tarefas.
  4. Educação Patrimonial – Atividades de levantamento local e devolução dos aspectos culturais resultantes das pesquisas de campo e históricas pelo método do Psicodrama Pedagógico;
  5. Estudos de Patrimônio Imaterial - Levantamento das manifestações culturais tradicionais de cada município abordado. Aspectos lúdicos, sociais e rituais. 

Resultados Arqueológicos: 78 Sítios Arqueológicos foram registrados pelas três equipes da pesquisa no IPHAN, mas nem todos foram pesquisados. Destes, 64 foram estudados, oito foram preservados e quatro, dos que foram registrados em fases anteriores, não foram localizados por falta de dados ou inexatidão dos mesmos.

Tipologia dos sítios Arqueológicos – os sítios foram estudados segundo sua tipologia em Sítios Pré-Históricos: 9 (nove) = 12.85%; Sítios Mistos: 12 (doze) = 17.15% e Sítios Históricos: 49 (quarenta e nove) = 70% 

Sítios pesquisados pelo IAB no Programa Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

 

Sítios Pré-Históricos 

Sítios Pré-Históricos pesquisados

Os sítios Pré-históricos pesquisados durante o Programa do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro foram em número de nove, incluindo dois sambaquis (os mais antigos do grupo) e os demais foram sítios ceramistas vinculados à Tradição Tupiguarani. Enquanto os dois primeiros se localizam próximos a Baía de Guanabara, os demais estão aglomerados nas proximidades do Rio Guandu.

Foram selecionados para este texto dois sítios. Um sambaqui, localizado em São Bento, Município de Duque de Caxias e um sítio Tupi em aldeia sobre morro de argila na margem esquerda do rio Guandu, no Município de Seropédica.

 Sambaquis pesquisados no Programa Localização do Sambaqui de São Bento Localização do Sambaqui de São Bento

 

Sambaqui de São Bento 

Este Sambaqui é caracterizado por haver em sua construção o predomínio de material conchífero, seja depositado de forma aleatória, como sempre se acreditou, (sitio habitação) seja ele “construído” propositalmente de forma artificial. No primeiro caso teria sido erguido pela sucessão de camadas ocupacionais ao longo do tempo de sua ocupação e no segundo caso se trataria de uma obra com fins cerimoniais, segundo versão de teóricos mais recentes, como Maria Dulce Gaspar. De qualquer forma, o sambaqui  de São Bento com datação em torno de 3.000 mil anos se constitui em um dos mais antigos testemunhos da ocupação humana na Baixada Fluminense. No estado do Rio de Janeiro os mais antigos podem chegar a seis milênios antes do presente.

Sambaqui de São Bento Sambaqui de São Bento Sambaqui de São Bento

Alguns artefatos encontrados no Sambaqui de São Bento:

 Os Mapas topográficos:

Aspectos das escavações no Sambaqui de São Bento, pelo método de escalonamento,

 exemplares de artefatos líticos e plantas de situação do mesmo.

 

Sítios Pré-históricos da Tradição Tupiguarani

Sítio Aldeia de Itaguaçu I – este sítio sinaliza uma ocupação Tupi às margens do Rio Guandu em seu trecho encachoeirado. Localizava-se sobre uma elevação de argila que foi utilizada como fonte de matéria prima (mina de argila) para as obras da estrada em construção, como pode ser visto na foto abaixo. Também nos mapas e nas plantas de localização se pode ver que este é vizinho do sítio homônimo, o “Aldeia de Itaguaçu II” que ocupa o morro seguinte em sentido rio abaixo. Na margem oposta é possível observar a localização de outros sítios como o “Nazaré Beira Rio” (outro sítio tupi) e mais distante, em verde, o “Sítio Nazaré” (considerado misto por ter sido reocupado no período colonial). Em azul e ainda mais longe foi localizado o sítio “Pedras do Guandu”, histórico. 

 

Escavações:

Nestas imagens da pesquisa pode-se ver a estratigrafia do sítio com o jazimento de urna funerária, assim como a sua composição de superfície e a localização de outra urna funerária nas proximidades. O acervo é constituído por material cerâmico da Tradição Tupiguarani e os desta região caracterizam uma nova fase desta Tradição formada pelo conjunto ao longo do rio, (tipologia diferenciada na decoração e presença de pintura externa) em sua referência será doravante denominada Fase Guandu.  

Aqui a mesma urna pode ser vista com decoração entre o raspado e o corrugado espatulado, já restaurada no laboratório e, ainda no campo, quando resgatada e também artefatos líticos lascados do mesmo sítio, elaborados em quartzo, com fractura tipicamente tupi.

 

Sítios Mistos

Durante as pesquisas foram localizados 12 sítios em que ocorreram materiais históricos e pré-históricos, indicando assim locais com reocupações ao longo do tempo. Para este texto foram selecionados dois exemplos que bem caracterizam este tipo de ocupação e podem ser vistos no mapa abaixo.

Localização dos sítios mistos ao longo do traçado da rodovia

O primeiro exemplo é o sítio Aldeia das Escravas II em Duque de Caxias e o segundo, o Sítio Japeri localizado bem próximo à margem direita da BR- 116 (Via Dutra) no município de Japeri.

O sítio Aldeia das Escravas II foi localizado em um areal há muito tempo explorado. Este se encontra nas proximidades do canal das Bandeiras (retificação do rio Otum) afluente da margem esquerda do Rio Iguaçu. As estruturas ali encontradas, assim como os artefatos recolhidos, indicam tratar-se de um porto fluvial de importância econômica no período colonial e que se assentara nas proximidades de uma aldeia indígena tupi.

O sítio foi muito impactado pela retirada comercial de areia em anos anteriores restando somente cerca de 1/3 do mesmo com condições de ser pesquisado.

Durante os trabalhos foram recuperados centenas de cacos de cerâmica indígena, neobrasileira e colonial. Muitos cachimbos, líticos, artefatos de metal e louça europeia, além de moedas e vidro. Foi revelada, pela escavação, uma grande estrutura portuária formada com barrotes de madeira que certamente sustentavam uma cobertura com telhado. 

Entre as inúmeras descobertas destacaram-se a localização de um forno de fazer lajotas (foto abaixo) e uma série de barrotes de madeira que um dia sustentaram uma cobertura de telha, das quais se descobriram milhares de fragmentos. A trincheira fotografada acima foi aberta ao longo dos barrotes de sustentação, cuja base alcançava o nível freático.  

 

Material coletado 

 Exemplares de louça europeia do período 1565-1625

 

Exemplares de louça europeia do período 1490-1610

 

Exemplares de louça europeia do período 1600-1650

 

Exemplares de louça europeia do período 1625 – 1675

Artefatos de pedra – Batedor de arenito ferruginoso e Lasca de quartzo leitoso

 

                              Exemplares de Pesos de rede de cerâmica; relógio de sol, portátil e fragmento de telha assinado  

Fragmento de peça de canoa para encaixe de remo                                                             Dois dos barrotes de sustentação de telhado coletados no sítio

 

Além dos artefatos, representados nas fotos, foram também recolhidas dezenas de cacos de cerâmica Tupi; milhares de fragmentos de telha, louça branca colonial antiga, pisos, lajotas e tijolos de diferentes períodos, além de artefatos de vidro e de metal, demonstrativos de intensa atividade comercial. Em função da faixa cronológica mais representada nos artefatos, aparentemente este porto fluvial funcionou, em especial, do século XVII (talvez desde seu início) até o século seguinte. 

Sítio Japeri

Mapa  de  localização do Sítio Japeri Vista geral do Sítio Japeri

O Sítio Japeri apresentou farto material de superfície, em especial restos de cerâmica de torno colonial, louças, cachimbos e cerâmica neobrasileira.  Sem dúvida uma ocupação colonial que se estabeleceu sobre uma antiga aldeia Tupi, cujo material se encontrava em níveis mais profundos, destacando-se um sepultamento em urna, a primeira a ser encontrada na pesquisa pelo IAB.

A descoberta do sítio se deu já com as obras em andamento; e os detalhes do sistema de escavação adotado para áreas amplas em quadrículas que mostra a estratigrafia do sítio conformada por solo arenoso com camadas de coloração diferenciada e os setores geminados escavados em etapas diferenciadas. 

Abaixo, imagens da primeira urna recuperada durante o Programa tipicamente tupiguarani, com leve carena e decoração corrugada espatulada.

Entre o material arqueológico do sítio Japeri se destacou este conjunto funerário composto por uma urna carenada com borda introvertida e acompanhada por outras peças cerâmicas fragmentadas, entre elas uma peça ungulada e de forma exótica, com apliques de borda. A urna grande apresenta traços de pintura na face externa, traço raro na Tradição Tupi. Este sítio foi datado ao redor dos séculos XV e XVI.  

 

Sítios Históricos 

Sítios Históricos

Foram em número de 49 os sítios históricos pesquisados pelo Programa do Arco Metropolitano. Estes registram ocupações que se estenderam dos primeiros anos da colonização até períodos recentes. Selecionamos dois deles que se destacaram pelo acervo encontrado e pelas estruturas que permitiram estudo. São eles os sítios “de Seropédica” no bairro do “Pau Cheiroso” e o  “Lagoa da Noruega”, ambos localizados no município de Seropédica. 

Sítio Seropédica Sítios  Próximos Planta baixa

As escavações  no Sítio Seropédica

 Material coletado no Sítio Seropédica

Coleção de cachimbos de barro simples e com decoração. 

 

São raros os artefatos em concha em sítios históricos, contudo no sítio Seropédica foram coletados botões de madrepérola e outros elaborados em osso. Uma conta ou ficha (de jogo?) de louça policroma foi também recolhida. 

Embora não se trate de um sítio misto, os artefatos líticos podem ser explicados pela proximidade do Sítio Seropédica com o Sítio Aldeia das Igaçabas, situado aos pés do morro onde se localizam suas estruturas.

Localizados muitos artefatos em vidros. As garrafas foram abundantes, com destaque para uma tampa de garrafa (licor?).

Os artefatos de metal também foram comuns no Sítio Seropédica  e entre eles as lâminas de enxadas. 

Entre os artefatos de metal merecem destaque peças diversas, como um dedal, um botão, uma fechadura e um fragmento de trinco.

Recolhidas moedas diversas. Do Império (40 e 80 réis) e da fase Republicana (20 réis).

 

Sítio Lagoa da Noruega

O Sítio Lagoa da Noruega em Seropédica foi encontrado graças à indicação de um operador de máquina que participara das oficinas de Educação Patrimonial e que retirava “taboas” de um alagado quando encontrou uma grande pedra soterrada no lamaçal, indicando a ocorrência aos pesquisadores. O achado inicial revelou a localização de uma complexa instalação, com fornos, canalizações e caixas de água, além de farto material arqueológico. Destacaram-se as peças de ferro que indicaram a existência de uma antiga ferraria do século XVIII.

O sítio era composto por três estruturas: a primeira com 29 barrotes de madeira em alinhamentos que sugeriam a presença de uma possível estrebaria, a segunda pesadas ruínas de pedra soterradas de uma construção em alvenaria e a terceira, mais complexa, ou principal, situada em nível mais baixo dos que as outras duas. Ao terem seus restos exumados indicaram a existência de uma possível ferraria, com forno, bigorna e seus metais.

A área onde o sítio foi localizado já se encontrava parcialmente impactada pelas obras de drenagem no terreno que, como pode ser visto nas imagens, era muito friável e inundável, daí ter sua superfície coberta pela “taboa” (Tipha dominguensis”), na oportunidade. 

 

Restos das estruturas com um barrote de madeira de sustentação à esquerda e uma bigorna “in situ”.

 

Material coletado

A peça de metal mais icônica que foi resgatada no Sítio Lagoa da Noruega foi uma bigorna encontrada “in situ” sob quase dois metros de entulho e no nível freático local ao lado das instalações hidráulicas, do forno e do material de metal. Foi considerada como forte indicadora da função do local, como uma ferraria associada à Fazenda Noruega (Séculos XIX e XX).  Porém também foram localizados muitos cacos de cerâmica colonial e um artefato de madeira.

 

O Projeto de Educação Patrimonial do Programa de Arqueologia do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro

Tornado obrigatório pela (à época) Portaria 230/2002 do IPHAN os projetos de arqueologia passaram a ter que divulgar suas atividades de impacto sobre as comunidades atingidas pelos mesmos antes destes acontecerem e depois compartilhar seus resultados com as diversas entidades a eles associadas.  Estes procedimentos a "priori" e a "posteriori" aqui no Brasil foram denominados de Educação Patrimonial e tiveram por base a premissa e a metodologia do Heritage Education (Inglaterra).

“Conhecer para Preservar”

  • Observação
  •  Questionamento
  •  Exploração
  •  Apropriação

Na Inglaterra o Heritage Education teveinício noMovimento Modernista europeu entre os séculos XIX e XX e no Brasil sua repercussão em 1922 vem na fala de Mário de Andrade quando diz: “Não basta ensinar o analfabeto a ler. É preciso dar-lhe contemporaneamente o elemento em que possa exercer a faculdade que adquiriu. Defender o nosso patrimônio histórico e artístico é alfabetização”. 

  • Na década de 1990 ocorreram as primeiras apropriações e aplicações do Heritage Education. A primeira no Museu Imperial de Petrópolis quando a museóloga Maria de Lourdes Horta adota as premissas e o método em trabalho pioneiro no museu; a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de n° 9394/96 quando prevê a necessidade de sua aplicação regional em Temas transversais que tratem do Patrimônio Histórico e, finalmente, pelo IPHAN em 2002.

Psicodrama Pedagógico: Método adotado pelo IAB na aplicação de ações socioeducativas voltadas para o patrimônio arqueológico.  

A inspiração, a teoria e a metodologia vieram do trabalho de Jacob Levy Moreno o criador do Método Psicodramático na primeira metade do século XX.  Propunha ele que para uma aprendizagem eficaz, fosse o “sujeito posto em contato direto com o objeto". Suas ferramentas técnico–metodológicas são simples e de fácil assimilação.

Contextos: reconhece o Homem como um ser biopsicossocial e espiritual que se "move" no mundo em três contextos: Social (sociedade ampla), Grupal (família etc...) e Psicodramático (no "como se fosse"). E, segundo ele, é neste último que se dá o processo de aprendizagem e reaprendizagem do sujeito através da ação dramática. 

Instrumentos: este universo precisa apenas de um Cenário, "locus" para a ação de um Protagonista, que será assistido por um Diretor de cenas e seus Egos auxiliares. A Plateia aprende junto com ele e nunca é apenas expectadora do processo.

Etapas:  Para que tudo dê certo o método segue quatro regras básicas e sequenciais.

 Aquecimento inespecífico - qualquer ação lúdica que ponha em movimento a energia vital do sujeito e desperte sua Espontaneidade.

 

   

Aquecimento específico - qualquer ação focada no tema a ser tratado que desperte a total atenção do sujeito.

Dramatização - o sujeito é colocado em contato direto com o objeto de aprendizagem no contexto do "como se fosse" (verdade, possível, etc...) e através dos cinco sentidos se apropria do objeto "como coisa sua", sem leituras ou interpretações prévias.

Compartilhamento – o sujeito torna-se autor do “texto”; o “novo dono” do objeto patrimonial, agora ressignificado na ação dramática.

Desde 2003 viemos adaptando o Psicodrama Pedagógico à Educação Patrimonial no IAB.

O Projeto Educação Patrimonial do Arco Metropolitano se iniciou em 2010 quando desenvolvemos e aplicamos as primeiras ações socioeducativas. Inicialmente com todas as pessoas do IAB que estavam envolvidas na pesquisa arqueológica do Arco; depois com autoridades representantes do Empreendedor (Secretaria de Obras do Estado) e autoridades representantes das Secretarias de Educação e Cultura dos cinco municípios afetados pelo empreendimento (Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí); com os engenheiros e funcionários de máquinas pesadas das cinco empreiteiras executoras da obra (Odebrechet, Carioca Engenharia, OAS, Delta e Oriente Engenharia); e, por último, com nove mil estudantes da rede pública e privada dos cinco municípios.

Atualmente estamos tratando da publicação de todo o material paradidático desenvolvido a "posteriori" com os dados da pesquisa e que será disponibilizado gratuitamente aos participantes a exemplo de projetos anteriormente executados. São eles:

  • Livro 
  • Cartilha contendo um jogo da memória com desenhos dos estudantes, resultado dos trabalhos de educação patrimonial desenvolvidos em 237 escolas 
  • Jogos
  • Jornais
  • Banners
  • Cd-Room 
  • DVDs com duas revistas eletrônicas  contendo os trabalhos de Educação Patrimonial desenvolvidos escolas + 1 filme sobre o PCI ✔

 

 Um pouco de muita coisa

 

Este livro é parte das publicações que visam divulgar os resultados das pesquisas arqueológicas e de divulgação desenvolvidas pelo Instituto de Arqueologia Brasileira - IAB entre 2009 e 2014 durante o monitoramento das obras e das escavações que acompanharam a implantação da Rodovia BR-493-RJ-109 - Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, nos 72 quilômetros que cortaram o estado nos Municípios de Duque de Caxias, Nova Iguaçu, Japeri, Seropédica e Itaguaí, com ênfase na Pré-história da ocupação humana nas margens do Rio Guandu, na Baixada Fluminense.

Em 2009 foi aprovado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-Iphan um amplo Programa com a seguinte denominação:

BR-493-RJ-109-Arco Metropolitano do Rio de Janeiro - Monitoramento Arqueológico das Obras da Estrada: salvamento ou resgate arqueológico dos sítios encontrados pelas prospecções arqueológicas; atividades de divulgação e estudos de patrimônio imaterial. 

Este Programa objetivava desenvolver pesquisas arqueológicas que tinham por meta da Secretaria de Obras do Estado do Rio de Janeiro-Seobras a obtenção da Licença de Instalação de Operação (LO) perante os órgãos de tutela, em atendimento às disposições legais da Portaria 230, de 2002, que regia o assunto.

Para o IAB foi a oportunidade de desenvolver com recursos humanos e financeiros o maior e melhor projeto de Arqueologia para a região da Baixada Fluminense, já que, até aquele momento, apenas sete sítios arqueológicos haviam sido registrados no Cadastro Nacional de Sítios Arqueológicos (CNSA) do Iphan para esta região. (parte da apresentação do livro pelos seus autores).

Estas publicações - o livro e a cartilha abaixo descrita - só foram possíveis graças à Lei de Incentivo à Cultura patrocinada então pela CEDAE - Companhia Estadual de Águas e Esgoto do Rio de Janeiro, a quem agradecemos ter considerado o nosso projeto de relevância para a Cultura.

 

Sobre a Cartilha de Educação Patrimonial

 

Quando as pesquisas arqueológicas são feitas para atender a obras de grande impacto no solo é mais importante ainda se pensar em ter a consciência e o foco na preservação do possível patrimônio envolvido no procedimento.

Foi assim que surgiu a necessidade de se criar um caminho para sensibilizar as pessoas quanto à necessidade da preservação do Patrimônio, seja ele Natural ou Cultural, Material ou Imaterial e assim foi determinado, como meio, o procedimento conhecido como Educação Patrimonial. 

E a melhor maneira que o Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB encontrou para traduzir esses valores foi aplicando, nas suas práticas de educação patrimonial, o método do Psicodrama Pedagógico que se desenvolve em quatro etapas: o aquecimento inespecífico, o aquecimento específico, a dramatização e o compartilhamento.

O objetivo do método é tentar fazer compreender, os envolvidos no processo, a relevância da descoberta para a sociedade como um todo e que se encontra descrito didaticamente nessa Cartilha a qual desejamos torne-se importante instrumento de capacitação de valorização real da nossa Memória.

A cartilha de Educação Patrimonial é acompanhada de um CD contendo duas revistas eletrônicas; uma sobre as pesquisas arqueológicas do Arco Metropolitano do Rio de Janeiro, outra com os trabalhos de educação patrimonial que foram aplicados em 234 escolas da Baixada e um filme sobre o Patrimônio Cultural Imaterial de algumas cidades da Baixada Fluminense, mais um jogo da memória com figuras de patrimônios desenhados por estudantes dessas escolas.

   

 As publicações estão disponibilizadas para serem adquiridas na banca de jornal situada na Av. Almirante Barroso à altura do nº 25 em frente à Caixa Cultural no Centro do Rio de Janeiro-RJ por R$ 60,00 o livro e R$ 30,00 a cartilha.

Também poderão ser adquiridos na sede do IAB em Santa Tereza-Belford Roxo-RJ.