Culminância do AHE Batalha

Culminância do Programa de Arqueologia do AHE Batalha leva a comunidade de Paracatu à Casa de Cultura.


Culminância do Programa de Arqueologia do AHE Batalha leva a comunidade de Paracatu à Casa de Cultura 

Ofício da Prefeitura de Paracatu agradecendo e reconhecendo o trabalho do IAB

Nos últimos dias 1 e 2 de dezembro de 2009 o município de Paracatu, no Noroeste de Minas Gerais, compareceu em peso à Casa de Cultura, no núcleo histórico da cidade, para receber os produtos produzidos a partir dos trabalhos realizados pelo Instituto de Arqueologia Brasileira (IAB) no Programa de Prospecção e Salvamento do Patrimônio Arqueológico, de Educação Patrimonial e de Estudos em Patrimônio Cultural e Paisagístico do AHE Batalha, com promoção de Furnas Centrais Elétricas S.A., e apoio do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Prefeitura de Paracatu. Entre os convidados, o prefeito de Paracatu, Vasco Praça Filho, o Vasquinho; Rinaldo Marques Filho, gerente da Divisão de Meio Ambiente Socioeconômico e Cultural de Furnas Centrais Elétricas, Rinaldo Marques Filho; a mestre em Educação Patrimonial da Universidade do Tocantis (Unitins), Antonia Custódia Pedreira; e a etnógrafa e etnomusicóloga Marli Lhamas.

O programa de Arqueologia da AHE Batalha foi coordenado pelo diretor-presidente do IAB, o arqueólogo professor-doutor Ondemar Dias, e gerenciado pela gestora dos projetos de Educação Patrimonial e Estudos de Patrimônio Imaterial do instituto, Jandira Neto. No total foram cerca de dois anos de pesquisas arqueológicas e de Educação Patrimonial e Estudo de Patrimônio Imaterial nas cidades de Paracatu, em Minas Gerais, e Cristalina, em Goiás, gerando 20 tipos diferentes de produtos finais de devolução social, entre DVDs, CDRooms, livros, folderes, banneres, vídeos, sacolas e ainda itens como o projeto de restauração da antiga casa sede do atual Assentamento Jambeiro e apoio financeiro ao Arquivo Público Municipal de Paracatu, o que propiciou a compra de novos equipamentos para conservação de documentos importantes sobre a história da cidade. Ao todo são cerca de 15 mil unidades produzidas, apenas em relação aos trabalhos desenvolvidos em Minas Gerais.

Um público estimado em 200 pessoas, entre elas várias autoridades e representantes da sociedade civil e de associações de moradores conheceram de perto os resultados das pesquisas. Capitaneados pela gestora de Educação Patrimonial do IAB, Jandira Neto, após um café da manhã típico com pães de queijo, durante os dois dias de atividades os convidados puderam ver, por exemplo, a exposição de artesanato local – objetos feitos em cabaça, obras de arte em madeira, vestimentas de celebrações da região, fuxicos, cestaria, tecidos etc. – tudo feito por artesãos locais e levantados durante os estudos de patrimônio imaterial. A abertura do evento contou com a participação do grupo local Aedos & Violeiros, que tocou o Hino do Município de Paracatu, e da cantora Graça Dayrel, que entoou o Hino Nacional.

Os visitantes puderam ainda provar os sabores de Paracatu através de sua culinária única, servida em um delicioso almoço com entrada de empadinhas de capa fina e galopé como prato principal, além dos diversos quitutes preparados pelas mais tradicionais quituteiras da cidade. Ao mesmo tempo era possível assistir aos CD-ROMs e DVDs produzidos com os resultados dos levantamentos em culinária, celebrações e ofícios e modos de fazer feitos pelos pesquisadores da equipe de Educação Patrimonial do IAB, além dos resultados do trabalho arqueológico.

No segundo dia a programação constou de um ciclo de palestras sobre Arqueologia proferidas pelo diretor-presidente do IAB, Ondemar Dias, e pelo arqueólogo Divino de Oliveira. Jandira Neto convidou a mestre em Educação Patrimonial da Unitins, parceira do IAB através do Núcleo Tocantinense de Arqueologia (Nuta), Antonia Custódia Pedreira, para participar com ela de uma oficina em Educação Patrimonial, que contou ainda com a participação de Marli Lhamas, etnógrafa e etnomusicóloga. A tarde foi encerrada com uma palestra sobre Estudo em Patrimônio Imaterial proferida pela própria gestora dos projetos do IAB na área, Jandira Neto.

Entrega de produtos de devolução social

Kits – Todos os visitantes receberam kits com os produtos finais do levantamento, podendo, dessa forma, conhecer um pouco mais sobre a própria identidade de Paracatu. Um trabalho primoroso de devolução social à cidade que recebeu os pesquisadores do IAB de braços abertos durante quase dois anos. Em sua totalidade, mais de 50 profissionais do Instituto de Arqueologia Brasileira estiveram envolvidos nas pesquisas, sendo que alguns deles, como o arqueólogo Divino de Oliveira e o biólogo Antonio Souza, chegaram a se mudar para a cidade.

 Além deles, vários profissionais locais foram contratados pelo Instituto, formando uma equipe da própria comunidade, conhecedora como ninguém de suas memórias e suas tradições. Por outro lado, os demais profissionais do IAB envolvidos nos projetos e residentes no Estado do Rio de Janeiro, onde fica a sede do instituto, fizeram diversas viagens ao município, chegando mesmo a manter uma residência alugada em Paracatu, transformada em sede provisória. O presidente do instituto, o professor-doutor Ondemar Dias, por exemplo, viu-se tão envolvido com a comunidade que afirmou, durante uma das palestras, ter-se tornado cidadão quilombola de São Domingos.

“Criamos uma identidade tão grande com a cidade que gostaria que o programa não acabasse. Eu, particularmente, gostaria de dizer aqui que me considero um cidadão quilombola de São Domingos”, disse emocionado, referindo-se aos trabalhos desenvolvidos no povoado e a identificação com a comunidade.

O Programa de Arqueologia do AHE Batalha foi levado a cabo em três frentes: em assentamentos, em comunidades quilombolas e no centro urbano de Paracatu. Em relação às comunidades quilombolas, entre os vários quilombos existentes em Paracatu foi definida como público alvo o povoado de São Domingos, por apresentar vestígios de sua cultura imaterial, identificados no momento da prospecção dos sítios arqueológicos existentes no local.

Já o Assentamento Jambeiro foi escolhido para ser trabalhado pela equipe de Educação Patrimonial do IAB por ter alguns lotes dentro da área diretamente impactada e apresentar um sítio histórico – a casa sede da antiga fazenda, onde aconteceram as atividades socioeducativas. Foram desenvolvidas oficinas de Folclore, Meio Ambiente Histórico, Arqueologia, Peneira de Ciências, Contação de Histórias e Arquitetura, que tiveram como público alvo os moradores e alunos das escolas da região.

Várias ações foram desenvolvidas no centro urbano de Paracatu, como treinamento para capacitação de monitores em Educação Patrimonial, voltado para funcionários públicos e estudantes de nível superior, de forma que possam desenvolver programas de EP na cidade; financiamento de projeto de restauração de documentos do sec. XVIII pelo Arquivo Público; produção de inventário do acervo arqueológico existente no Museu Histórico; e catalogação do acervo artístico do “naif” Benedito Cirilo Coelho Guimarães, entre outras.

Estiveram também presentes o vice-prefeito José Maria; a vereadora Graça Jales; do vereador Sílvio Magalhães; a diretora de Turismo da cidade, Eloisa Cunha; a diretora do Departamento de Cultura do município, Marina Cunha; o diretor de Esporte e Lazer de Paracatu, Werlei Lopes; o diretor de Comunicação da Prefeitura, Tarzan; a diretora municipal de Meio Ambiente, Claudia; e a diretora da Fundação Casa de Cultura de Paracatu, Lana Melo Franco.

Painel de EP Assentamentos Painel de EP Centro Urbano Capa da frente dos CDRooms Jornal Monitores Capa do DVD

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