UM POUCO DE ARQUEOLOGIA E HISTÓRIA DE JURUJUBA – NITERÓI (RJ)

Como parte dos esforços de dotar o Brasil, mais especialmente a Corte e seus arredores, de instituições capazes de dar conta da melhoria das condições de higiene e saúde da população, uma preocupação que se acirrou em função da série de epidemias que começaram a acometer o país, notadamente sua capital, na transição dos anos 1840/1850, o governo imperial inaugurou, em 1856, em Niterói, o Hospital Marítimo de Santa Isabel, assim nomeado em homenagem à princesa Isabel, filha de D. Pedro II. Na verdade, desde o início da década, no mesmo espaço, funcionava um lazareto destinado à quarentena de tripulantes ou passageiros que por mar chegavam ao Rio de Janeiro sob suspeita de alguma doença infecciosa.

Nos seus primeiros anos de funcionamento, majoritariamente, o Hospital funcionou como um lazareto permanente. Todavia, especialmente nos períodos das diversas epidemias que marcaram a história do país (além da febre amarela, também a cólera e a varíola), alguma forma de atendimento foi prestada ao grande público.

A partir de 1886, definitivamente tornou-se de atendimento amplo, no decorrer do tempo mudando de perfil e acolhendo no seu amplo terreno iniciativas de diferentes perfis, como o Hospital Paula Cândido, o Educandário Paula Cândido, a Escola de Enfermagem, o Arquivo Central da UFF, o C. E. Matemático Joaquim Gomes de Souza, entre outras. Tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural, atualmente conhecido como Casa da Princesa, trata-se de, como informa a Prefeitura de Niterói:

(…) um conjunto de edificações, com aproximadamente 3.000 m² de área construída, implantado em local privilegiado voltado para a enseada da baía de Guanabara, no alto de uma elevação rochosa. Construído em um platô sustentado por forte muro de arrimo, destaca-se no conjunto o pavilhão central de feição neoclássica. Na encosta do Morro do Preventório, que constitui o entorno imediato do bem tombado, há forte adensamento irregular.

Patrimônio do Estado do Rio de Janeiro, da cidade de Niterói e do país, o Hospital se encontrava às margens da Baía de Guanabara, na região conhecida como Jurujuba (hoje denominada Charitas). Atualmente uma área densamente povoada, no século XIX era escassamente habitada, um dos critérios utilizados na ocasião para a instalação de lazaretos. Vejamos com Wehrs (2010, p. 213) define a área já na década de 1920:

Somente ainda permanecia ermo o bairro de São Francisco; aqui e ali casas de pescadores, com canoas e redes estendidas nas areias em frente. Havia, além, o estaleiro Max Janke e no extremo, o Hotel Balneário, e, na mesma rua, mas longe dele, a já mencionada fábrica de explosivos. Na avenida Quintino Bocaiúva estava a bela residência de M. C. Miller, britânico, superintendente da The Leopoldina Railway e diretor da Cia. Cantareira e Viação Fluminense. Em Jurujuba, na encosta do morro, o Vetusto Hospital Paula Cândido, que fora levantado para doentes de febre amarela.

Além disso, o Lazareto/Hospital se encontrava distante da região central de Niterói, onde havia maior número de moradores, bem como perto do mar, supostamente algo que poderia trazer ganhos para a saúde.

Até meados do século XVIII, a região era propriedade dos jesuítas. Depois da expulsão da Companhia de Jesus (1759), no fim da centúria, parte foi adquirida por Raimundo José de Meneses Fróes, passada posteriormente por herança a seu filho Luís José de Menezes Fróes, um dos que atuaram intensamente pela construção de um novo caminho de ligação com Icaraí, atual Estrada Fróes. Posteriormente, essa fazenda foi sendo desmembrada, assumindo as terras novos donos, inclusive a Coroa e religiosos. A propósito, os nomes atuais dos bairros dessa área, São Francisco e Charitas, relacionam-se a um templo religioso por lá instalado (Igreja de São Francisco Xavier).

A grande propriedade onde se encontrava o Lazareto/Hospital, além do imponente prédio principal, entre outras instalações, acolhia um cemitério, assunto que já chamou a atenção de outros pesquisadores e retornou à cena em função das reformas promovidas pela prefeitura de Niterói na Maternidade Municipal Alzira Reis.

Quer saber mais sobre as diferentes fases de ocupação do terreno e seu entorno, baixe o arquivo em pdf:

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