IAB 60 ANOS – Acervos Especiais Grandes Contribuições

O Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, completando 60 anos de atividades ininterruptas, além de contribuir fortemente com a Pesquisa, o Ensino e a Divulgação da Arqueologia do Brasil

O Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, completando 60 anos de atividades ininterruptas, além de contribuir fortemente com a Pesquisa, o Ensino e a Divulgação da Arqueologia do Brasil, também tributou à sociedade legados que acreditamos serem importantes pontuá-los como ato de celebração deste importante momento.

Listamos três aqui.

Projeto Pesquisador Curumim

O Projeto Pesquisador Curumim nasceu como uma iniciativa do próprio Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB, em 2003, quando a família Ferreira Dias mudou-se da Tijuca para Belford Roxo e algumas atividades do laboratório de arqueologia da Sede começaram a ser desenvolvidas por eles.

À época, Santa Tereza era apenas uma cercania pobre e pacata da periferia da recém-emancipada municipalidade de Belford Roxo, com baixo índice de desenvolvimento humano e sem nenhum incentivo cultural para seus vinte e dois mil habitantes. Com o passar do tempo, durante o processo de desenvolvimento do bairro, além de continuar extremamente pobre, foi dominado pelo tráfico de drogas tornando-se, hoje, um risco diário para os jovens que aqui vivem.

Lá pelo início dos anos 2000, porém, a maior diversão de crianças e jovens moradores do entorno do Instituto era brincar de soltar pipa e quebrar telhas e vidraças dos seus prédios. Jandira Neto, psicóloga de formação, fez ver à Diretoria que não adiantaria se indispor com a população e que o mais congruente seria incluir o Instituto na vida do bairro. Assim sendo, promoveu ações socioeducativas, em formato de festas, para a comunidade, visitas guiadas aos acervos e oferta de trabalho para os moradores. E isso deu muito certo!

Em uma dessas oportunidades, a mãe de um adolescente recém-separada do marido pediu ajuda a um dos nossos pesquisadores para olhar o filho adolescente de 13 anos enquanto ela ia fazer uma faxina. A solução do pesquisador para atendê-la foi pedir a ajuda do próprio menino para, com ele, lavar um material arqueológico chegado do campo. A partir desse dia o menino começou a se interessar pelas histórias da arqueologia e a gostar de ficar no laboratório.

Decidimos incentivá-lo: para continuar teria que ir à escola todos os dias e, na volta, ao invés de ficar na rua soltando pipa, se comprometeria a ir para o laboratório, fazer os deveres junto conosco, estudar as lições, ler alguns textos e nos ajudar nas tarefas diárias. Em troca teria o direito de usar a camisa amarela do IAB e ganharia uma bolsa de iniciação à pesquisa de meio salário mínimo da época (bolsa esta doada pelos Professores Ondemar Dias e Jandira Neto). O menino ficou feliz e a mãe mais ainda!

Cerca de dois meses depois ele trouxe um outro menino e pediu para que ele ficasse também. Dissemos que adoraríamos, mas que, infelizmente, não poderíamos bancar uma segunda bolsa, ao que ele simplesmente respondeu: “sem problema tia, pode deixar ele ficar que eu DIVIDO a minha bolsa com ele!” . Foi o ato de solidariedade mais generoso que já havíamos visto e, naquele momento, nasceu o Projeto Pesquisador Curumim com essa premissa: sempre podemos dividir o que temos com quem precise ou deseje trabalhar conosco.

Aquele menino entrou para a faculdade aos 18 anos, tornou-se historiador e hoje é um arqueólogo brasileiro.

Desde então mais de 50 jovens já foram beneficiados pelo Projeto, e, como resultado, 16 deles já cursaram Universidades e tornaram-se profissionais em outras áreas, (Designer Gráfico, Professor de Literatura, Produtor Cultural, Administradores, Advogados, etc.). Alguns outros tornaram-se profissionais da Arqueologia em nível médio – hoje atuando profissionalmente em nosso quadro funcional, o que nos enche de orgulho – e os demais obtiveram espaços em variados setores da economia.

Dentro de nossas possibilidades financeiras (pois nem sempre temos recursos para as bolsas de Iniciação Científica) incluímos um ou dois jovens por ano.

O Projeto continua tendo como diretivas oferecer-lhes a manutenção do gosto pelos estudos, a oportunidade de alguma renda, a diminuição da evasão escolar – decorrente da necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família – despertar e/ou fomentar os mais importantes e fundamentais valores e promover reais condições de serem inseridos na sociedade produtiva do jeito e no tempo certo. Nele são atendidos adolescentes entre 14 e 18 anos com alto potencial e motivação para viver e vencer na vida!

Ao final do período de formação eles já cursaram cerca de 1000 horas/aula durante os dois anos em que permanecem no Projeto onde lhes é oferecida, antes de tudo, a estrutura sólida da nossa instituição como referência para uma jornada de sucesso, neste empreendimento de raiz potencialmente transformadora.

Ao comemorarmos 60 anos de fundação consideramos essa uma das nossas mais importantes contribuições para a sociedade por compreendermos que, apoiar jovens na, quase sempre instável, travessia da adolescência para a juventude e perante um entorno tão ameaçador, nos oferece um lugar-baluarte na nossa Comunidade, uma vez que a principal diretiva do Projeto é guiar, orientar, manter em linha reta o encaminhamento seguro das meninas/meninos que chegam até nós.

Este, desde a sua criação foi, e continua sendo, uma das nossas maiores motivações para lutar pela manutenção do Instituto: saber que estamos contribuindo para a realização de projetos pessoais de fundamental importância individual que, provavelmente, em muitos casos, sem o nosso apoio não seriam realizados.

Se você gostou, saiba mais aqui:

https://arqueologia-iab.com.br/pesquisador-curumim/

Projeto Batalha

Nos anos de 2007 a 2009, o IAB realizou o Programa de Prospecção e Salvamento do Patrimônio Arqueológico, Educação Patrimonial e Valorização do Patrimônio Cultural e Paisagístico da AHE BATALHA – Rio São Marcos (Paracatu/Cristalina) –  respectivamente, Minas Gerais e Goiás – em razão de que seria construída, em parte de ambos os territórios, a Usina Hidrelétrica, denominada Batalha, por Furnas Centrais Elétricas S.A.

A atuação sistemática do IAB, por dois anos, em Educação Patrimonial, envolvendo os órgãos públicos e a população local de Paracatu, demonstrando a sua importância como patrimônio cultural brasileiro, culminou no reconhecimento oficial pelo IPHAN que promoveu o Tombamento do seu Centro Histórico.

Nos sentimos orgulhosos de o nosso trabalho ter sido não só a Pedra Fundamental de tal evento como, igualmente, o labor persistente durante esses anos logrando a tal êxito.

Veja a reportagem oficial do IPHAN e clique aqui para acompanhar como tudo aconteceu.

https://arqueologia-iab.com.br/uhe-batalha-de-2007-a-2009/

https://arqueologia-iab.com.br/saberes-da-cultura-imaterial-de-paracatu-mg/

Ruínas de São João Marcos

Em 1939, a cidade de São João Marcos-RJ, (hoje, município de Rio Claro-RJ), foi tombada pela Secretaria de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN, hoje IPHAN). No ano seguinte, porém, foi destombada por decreto do Presidente Getúlio Vargas. A primeira cidade a ser tombada no Brasil e a única, até então, a ser destombada, foi então desocupada e demolida devido ao propósito de alagamento do seu perímetro urbano.

Quase setenta anos se passaram desde então e, em 2008, o Instituto Cultural Cidade Viva-ICCV, sob o patrocínio do Instituto Light, convidou o Instituto de Arqueologia Brasileira-IAB para realizar os trabalhos de Avaliação, Prospecções e Resgate Arqueológico das ruínas da cidade, tendo como objetivo a criação de um Parque Arqueológico e Ambiental para a recuperação da memória histórica social e cultural da cidade.

Por quase dois anos a nossa equipe se dedicou à pesquisa histórica e arqueológica da região, colaborando sobremaneira para esse extraordinário projeto: fazer emergir da terra as ruínas de uma cidade inteira demolida!

Veja aqui como se desenvolveram os trabalhos com todas as suas dificuldades e alegrias.

https://arqueologia-iab.com.br/projeto-de-complementacao-de-prospeccoes-e-resgate-arqueologico-da-area-da-antiga-cidade-de-sao-joao-marcos/

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